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Análise: Borderlands (X360)

Jogos que têm um cenário pós-apocalíptico são comuns e despertam o imaginário das pessoas. Felizmente para nós, terráqueos, dessa vez o ambi... (por Alberto Canen em 29/07/2012, via Xbox Blast)

BorderlandsJogos que têm um cenário pós-apocalíptico são comuns e despertam o imaginário das pessoas. Felizmente para nós, terráqueos, dessa vez o ambiente hostil é em outro planeta: Pandora. Uma terra devastada, esparsamente povoada, onde as regras da lei são reescritas diariamente. A civilização consiste em pequenos postos avançados, à margem da influência humana, em uma área chamada “Borderlands”. Lançado em 2009, o game foi desenvolvido pelo pessoal da Gearbox Software e distribuído pela 2K Games. Até hoje, cerca de cinco milhões de unidades do game foram vendidas, mostrando como o sucesso foi grande, e veremos que merecido também.


Bem vindos a Borderlands


Há rumores sobre um lugar místico chamado “Vault”, que é recheado de fantásticas riquezas e foi escondido há muitos anos por uma avançada raça alienígena. Caçadores de recompensa, mercenários e bandidos perambulam pelo terreno, procurando em todos os cantos por esse tesouro. O que torna a nossa própria busca ainda mais perigosa e interessante. Afinal, a recompensa prometida vale o risco.

O jogo é uma feliz mistura de FPS (tiro em primeira pessoa) com RPG, no qual é necessário desenvolver o protagonista, aumentar o seu nível e conversar com diversos personagens do game, que dão pistas e entregam tarefas diversas, com direito a uma recompensa, naturalmente.

A introdução do jogo nos apresenta, ao ótimo som de “Ain't No Rest For the Wicked”, a cada um dos 4 personagens possíveis de serem escolhidos. Podemos saber rapidamente sobre suas personalidades e estilos de luta. Também somos apresentados à Pandora e seu desértico ambiente.

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Pandora


Um mundo devastado, com diversas gangues de bandidos. Lembra muito o filme “Mad Max 2”, principalmente a partir do momento que se pode usar veículos. E estes vão ser muito importantes durante o jogo, pois o mapa é muito vasto e as distâncias entre uma quest e outra são enormes.

Os gráficos ficaram bem feitos, ainda que existam alguns bugs aqui e ali, e os tradicionais “serrilhados”. A taxa de frames pode ficar um pouco turbulenta nos momentos em que há muito caos. Mas não é algo que comprometa a ação, ou mesmo que incomode.

O visual foi todo criado em cel shading, o que dá aquela aparência menos realística e mais “cartunesca”. E não dá para negar que, apesar de exagerado, ficou muito estiloso e divertido.

Pandora

Caçadores do “Vault” perdido


São quatro opções de personagens para se escolher e não existe um mecanismo de criação para eles. São os mesmos arquétipos para cada classe, o que significa que os rostos e aspectos físicos são idênticos para cada tipo escolhido.

Mordecai RostoMordecai: é o Hunter do time. Um exímio atirador de elite. Perfeito para combates à distância. Mestre no uso de rifles tipo sniper e pistolas. Ele tem um animal de estimação bem próprio a um caçador: uma ave de rapina, parecida com um falcão, chamada Bloodwing, que pode ser comandada a atacar seus inimigos.

Lilith RostoLilith: ela pertence a classe Siren, a única classe capaz de utilizar magia dentre os quatro. Ela pode encantar armas, adquirir ataques especiais e até ficar invisível, quando entra em modo Phasewalk. Possui uma ótima velocidade e é especialista em infiltração em campos hostis. Ela é muito boa em combates corpo-a-corpo.

Roland Rosto

Roland: é aquele que faz parte da classe Soldier. É o personagem mais equilibrado. Ele é especialista em todo tipo de armas, apesar de se dar melhor com Shotguns e Combat Rifles. Ele tem a capacidade de usar a Scorpio Turret, uma espécie de metralhadora com escudo, que é muito útil em combates de curta distância.

Brick RostoBrick: sua classe é a Berserker. Ele é muito bom com seu punhos e é especialista em armas explosivas, como Rocket Launchers. Tem a capacidade especial de entrar em modo de fúria Berserk, o que o deixa muito poderoso e perigoso em lutas corpo-a-corpo. Uma boa estratégia é deixá-lo ir à frente de combate, enquanto os demais dão cobertura.

Competir é importante. Cooperar é fundamental


Um dos pontos mais fortes do jogo é o seu modo multiplayer. Enquanto a maioria dos games de FPS se preocupa apenas com modos cooperativos online, Borderlands trouxe também um de cooperação offline (split screen), feita de uma maneira que não haja muita competição entre os participantes, pois parte dos pontos de experiência adquiridos ao eliminar um inimigo, vão para o parceiro de time. Da mesma forma, o dinheiro coletado e os pontos de recompensas vão integralmente para todos.

borderlands_split

O modo single player também é muito bom e a qualquer momento um colega de time pode entrar no jogo. Claro que podem haver diferenças de níveis, até bem díspares. Contudo, o jogo, inteligentemente, trata de fazer uma média entre os níveis, tornando os adversários não muito difíceis para quem está com o menor nível, mas também não tão fáceis para os com mais experiência. Claro, se a diferença for realmente grande, não tem como resolver. Mas é uma solução muito bem-vinda.

Mesmo quanto às armas, cada classe tem um tipo que melhor lhe serve. Nada impede que um soldier use uma sniper, nem que um hunter use uma shotgun, mas eles não terão o mesmo desempenho. A melhor opção é cooperar. Trocar armas e deixar o time forte. Criar táticas levando em consideração as habilidades diferentes de cada tipo de personagem.

Skag MortoAtirando

Entretanto, caso alguns jogadores ainda sentirem falta de uma “competiçãozinha amigável”, podem começar uma luta a qualquer momento ou utilizar uma das diversas arenas espalhadas por Pandora, exclusivamente feitas para esse propósito. O perdedor apenas terá uma parte de sua energia retirada.

Poder de fogo


Arma alienígenaSe tem algo que ninguém vai poder reclamar em Borderlands é escassez de armas. Existe uma infinidade de tipos, dizem os produtores que mais de 500.000. É um número de respeito. São shotguns, sniper rifles, submachine guns, handguns e rocket launchers que podem ter efeitos elementares diferentes, como fogo e choque. Quando se chega mais a frente no jogo, ainda é possível utilizar armas alienígenas. Algumas muito poderosas e diferentes.

Armas

Quanto mais o personagem utiliza um determinado tipo de arma, mais proficiente ele ficará na mesma. É mais um motivo para não variar muito e utilizar apenas as armas que melhor se enquadram com a classe escolhida.

Skill TreeAlém de armas, ainda existem as skill trees (árvores de habilidades). Cada classe tem a sua própria e, nesse aspecto, lembra muito o jogo Diablo. A cada nível novo, um ponto é adquirido para distribuir entre as diversas habilidades. Saber utilizá-las com sabedoria será fundamental para ter uma vida mais tranquila na partida. Contudo, a qualquer momento é possível resetar todos os pontos e distribuí-los de forma diferente. Isto mediante uma certa quantia em dinheiro, claro, pois em Pandora nada é de graça.

"De todos os perigos, o maior é subestimarmos o nosso inimigo."*


A inteligência artificial do jogo não é muito desenvolvida e enquanto não se entrar no raio de alcance dos inimigos eles não notarão a sua presença. Por isso, algumas vezes pode parecer fácil, mas não é bom encarar todos eles sem alguma estratégia em mente. Pois uma vez que eles o vejam vão persegui-lo por longas distâncias e não param de atacar.

BandidosExistem muitos bandidos de menor poder ofensivo, assim como skags, que são uma espécie de “cachorro monstro com espinhos”. Eles não são difíceis de matar, mas estão espalhados por todo o mapa e são muito chatos. Um dos maiores prazeres do jogo é passar por cima dessas feras grudentas quando se está em posse de um carro.

Os chefes podem ser humanos malfeitores, mas podem ser monstros gigantes, como um “Super Skag” que aparece numa arena. O tamanho da fera impressiona e não é bom ficar parado na frente dele. Cooperativamente é bom deixar alguém de isca. Resta saber quem irá se candidatar (!).

Mega Skag

*Pearl S. Buck: vencedora do Nobel de literatura de  1938.

Uma mistura de estilos sonoros


A combinação de estilos, como Rock, Eastern, Metal e Eletrônica, criaram um ambiente perfeito para o mundo de Pandora. Ter vários compositores diferentes trabalhando nas músicas foi uma decisão muito acertada.

Borderlands OST CapaSoudtrack

1 Prelude - 4:23 (Kyd, Jesper)
2 Welcome To Fyrestone - 4:33 (Kyd, Jesper)
3 Enter Skag Gully - 2:48 (Varner, Raison)
4 Fighting Off The Skags - 2:21 (Varner, Raison)
5 Removing The Bandit Threat - 1:35 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)
6 Traversing The Deep - 2:28 (Varner, Raison)
7 Fighting Sledge's Minions - 3:14 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)
8 Welcome To The Bunker - 1:30 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)
9 Smoking Out The Bunker - 1:40 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)
10 Burning Rubber And Shooting Bullets - 1:53 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)
11 The Junkyard Vista - 2:07 (Kyd, Jesper)
12 Welcome To The Trash Coast - 2:16 (Varner, Raison)
13 The Rakkhive Emerges - 2:21 (Varner, Raison)
14 Assaulting Krom's Canyon - 4:46 (Varner, Raison)
15 Battling Krom's Minions - 2:15 (Varner, Raison)
16 Fighting Krom And His Gun - 2:58 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)
17 Trash The Bandits - 1:11 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)
18 Trash The Bandits Some More - 1:08 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)
19 Welcome To The Wastelands - 1:36 (Kyd, Jesper)
20 Traveling To The Vault - 3:21 (Varner, Raison)
21 Destroying The Destroyer - 1:38 (Varner, Raison)
22 Bring Your Guns - 2:45 (Kyd, Jesper)
23 Borderlands - 1:32 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)
24 The Old New Haven - 1:41 (Larkin, Tim)
25 Exploring The Mine - 2:14 (Larkin, Tim)
26 Exploring Overlook - 1:36 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)
27 The Threat At Overlook - 1:01 (Dikiciyan, Sascha / Velasco, Cris)

Expansões



  • The Zombie Island of Dr. Ned: é o primeiro pacote de expansão de Borderlands. O Dr. Ned utilizou a pacata cidade de Jakobs Cove para seus experimentos e transformou todos os moradores em zumbis. O objetivo principal é eliminar todas as criaturas que, apesar de desarmadas, não são fracas. Lembra até o jogo Left 4 Dead.


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  • Mad Moxxi's Undercome Riot: não há história para explorar, apenas vários rounds de combate brutal na arena. Muito dinheiro e experiência podem ser ganhos ao matar as hordas de enimigos que aparecem.


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  • The Secret Armory of General Knoxx: essa terceira expansão, ao contrário das anteriores, dá continuidade à história principal. A Atlas Corporation colocou um preço pela sua cabeça. Sobreviver às tropas de assassinos enviados pela corporação e desmantelar a empresa maligna são os objetivos a serem completados.


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  • Claptrap's New Robot Revolution: nessa quarta expansão, Claptrap, um assassino intergaláctico, está em busca de vingança contra tudo e contra todos. Ele mobiliza uma legião de soldados mecanizados para destruir tudo em seu caminho. Um número enorme de novos inimigos aparece nessa nova missão.


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Vida longa para Borderlands


Borderlands tem um valor enorme no quesito longevidade. Depois de terminar o jogo com um dos personagens, ainda há outros três para repetir a dose. Como eles têm poderes e armas diferentes, a experiência é bastante singular para cada um. Ainda mais em modo cooperativo, em que os companheiros de time podem começar uma nova partida apenas trocando de classe.

Outra opção é jogar desde o começo com o mesmo personagem que terminou o jogo, com todas as armas e poderes. Claro que os inimigos também são mais fortes. Mesmo assim, é uma opção muito divertida e vale a pena ser jogada.

Jogar online também dá uma sobrevida enorme ao jogo. Com um nível razoável, dá para entrar em diversas partidas sem perigo de estar muito atrás dos demais jogadores. Combinar com amigos é ainda mais atraente e divertido.

Borderlands Team

Prós



  • Modo cooperativo forte: 4 classes bem distintas para se escolher e que se completam. Opções offline (split screen) e online;

  • Trilha sonora instigante: as músicas do jogo dão o clima perfeito para a ação;

  • Mescla entre RPG e FPS: uma união que deu certo;

  • Replay garantido: opções de terminar o jogo com 4 classes de jogabilidade distintas e recomeçar o jogo com o mesmo personagem que terminou;

  • Visual cel shading com muito estilo.


Contras



  • Gráfico com alguns serrilhados em cenas mais conturbadas;

  • Inteligência artificial sem muita inteligência: alguns inimigos chegam a ficar parados levando tiro.



Borderlands – Playstation 3 – Nota Final: 9.0

Gráficos: 8.5 | Som: 9.0 | Jogabilidade: 9.0 | Diversão: 9.0

Revisão: Mateus Pampolha
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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