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Análise: The Walking Dead: Episode 5 – No Time Left (XBLA)

No último dia 21 de novembro foi lançado o episódio final de  The Walking Dead , exatos sete meses após o lançamento do primeiro. Criado c... (por Jardeson Barbosa em 23/11/2012, via Xbox Blast)

No último dia 21 de novembro foi lançado o episódio final de The Walking Dead, exatos sete meses após o lançamento do primeiro. Criado com um propósito arriscado, The Walking Dead é mais uma das diversas licenças adquiridas pela Telltale Games (que também trabalhou com Jurasic Park e Back to the Future). A então pequena produtora tinha em mãos uma responsabilidade enorme: representar o universo criado por Robert Kirkman nos videogames, pondo em risco toda uma reputação criada nos quadrinhos e na televisão. O resultado você já conferiu aqui no Xbox Blast em partes, mas apenas a conclusão dessa história pode nos dizer com certeza se The Walking Dead foi uma perda de tempo ou uma maravilhosa e gratificante experiência.

Tecnicamente, No Time Left pouco acrescenta à "temporada" de The Walking Dead nos videogames. Alguns problemas técnicos inevitavelmente retornaram, enquanto a maioria foi solucionada. Os modelos dos personagens ainda agem de forma estranha e as paredes invisíveis ainda podem ser encontradas. No entanto, nada disso diminui ou atrapalha o desenvolvimento deste episódio. Apesar de esta análise não possuir spoilers, é altamente recomendável que você leia as análises dos episódios anteriores. Por lá você também encontrará a descrição de alguns desses problemas técnicos encontrados ao longo dos últimos meses. A ordem de lançamento dos episódios é: A New Day, Starved for Help, Long Road Ahead e Around Every Corner.

Uma narrativa consistente...

No Time Left continua a trama no exato ponto em que o episódio anterior parou. Lee Everett está próximo do seu limite, enquanto a pequena Clementine corre um risco terrível e precisa dele mais do que nunca. As ruas de Savannah estão infestadas de mortos-vivos, os planos de Kenny estão indo por água abaixo e suas escolhas, apenas elas, decidem o que acontecerá a seguir.


Se colocado ao lado do resto da série, o episódio final de The Walking Dead é um ponto alto e encerra a brilhante história criada pela Telltale Games de uma forma memorável.

Grande parte do episódio se dará em intensas cenas de ação e suspense. A cada novo momento parece que tudo ficará ainda pior e que o destino dos personagens é inevitavelmente ruim, mas logo em seguida uma gota de ânimo é injetada no jogador, graças aos pequenos momentos de esperança entregues no roteiro.  O amor entre Lee e Clementine, desenvolvido ao longo dos meses, é colocado à prova em uma dura batalha contra o tempo.


Em diversas situações, o jogo confrontará o jogador com as suas próprias decisões, o fará refletir sobre toda aquela situação e sobre tudo o que aconteceu até ali. Todos sabemos que as escolhas em The Walking Dead apenas alteram o caminho, mas não o destino, porém, é impossível não afirmar que esse é um dos pontos mais interessantes da produção da Telltale Games e deste último episódio em especial.

Existem alguns furos no enredo do jogo como um todo, mas a forma como tudo é narrado e os rumos tomados pela história só conseguem demonstrar o potencial de um jogo que começou desacreditado, mas que agora é, sem dúvida, um dos maiores títulos do ano 2012. The Walking Dead não apenas firma seu nome dentro da Telltale Games - como o jogo mais rentável ou mais bem recebido pela crítica -, mas firma seu nome dentro da história dos videogames. Um título que para sempre será lembrado por reinventar o moribundo gênero adventure e que, por mais que não seja tão revolucionário assim, foi capaz de elevar a palavra "sentimento" ao seu significado completo.


... e emocionante

No Time Left encerra a primeira temporada de The Walking Dead de forma magnífica, não apenas por possuir um enredo brilhante, mas por possuir um enredo tocante.

Além de se confrontarem com a história a qual viveram ao longo dos últimos sete meses, os jogadores também deverão confrontar-se com a história pessoal de cada um dos personagens que surgiram nesse tempo e o destino de cada um deles.

Nessa altura da história, é provável que todo mundo já tenha seus personagens favoritos e os preteridos, e essa conexão é utilizada de forma exímia para extrair o máximo de carga emocional possível do jogador.



O destino incerto de Lee também é um dos grandes aliados na construção dessa atmosfera. Jogadores que já acompanham a série The Walking Dead nas HQs ou na versão televisiva encontrarão algumas situações bem conhecidas da série, que surgem como oportunidades que são prontamente agarradas por alguns, gerando esperança, felicidade ou medo.

É difícil afirmar com certeza o que cada um vai sentir ao jogar The Walking Dead: No Time Left, mas não se surpreenda se o episódio o fizer chorar como um bebê.

Jogabilidade dentro do contexto

Não espere encontrar puzzles desafiantes em No Time Left. O último episódio de The Walking Dead é focado na ação, no suspense e, principalmente, nos diálogos, que ficaram bem mais consistentes e possuem um peso bem maior na história.



A maioria das decisões deve ser feita em um tempo muito curto e definem a ação dos demais personagens, um controle que não existiu nos episódios anteriores. Essas decisões não afetam o final do episódio de fato, mas elas possuem impacto instantâneo e afetam bastante os reflexos do jogador.

Ainda no que se refere às escolhas, apenas duas delas possuem impacto real no desenvolvimento do episódio como um todo. Ambas são bem fortes e difíceis, exatamente o que se espera de The Walking Dead.

Um jogo para ficar na história

Como dito na introdução, entregar The Walking Dead a uma pequena produtora como a Telltale foi uma decisão ariscada. A reputação de uma marca popular corria riscos, mas no fim, a mesma pequena produtora foi capaz de nos surpreender, de se destacar entre as gigantes e de nos mostrar o verdadeiro do valor dos videogames.

The Walking Dead nos demonstra que os videogames não são cinema, mas também não são mais meros brinquedos de criança. Os jogos podem nos fazer sentir medo, ódio, amor, felicidade e até nos fazer chorar.



A Telltale Games marca o seu nome na história por oferecer um jogo que, enquanto não é perfeito, entregou todos esses tipos de emoção. Um enredo envolvente, que colocou os jogadores verdadeiramente dentro da história, algo difícil até mesmo para as grandes produtoras e para os tais jogos AAA. Será difícil esquecer, será difícil não torcer por uma continuação, mesmo que seja espiritual, e será difícil não olhar para a Telltale Games e para os adventures de uma forma diferente de agora em diante.

The Walking Dead: Episode 5 – No Time Left está disponível na Xbox Live Arcade por 400 Microsoft Points para todos aqueles que possuem uma conta cadastrada nos Estados Unidos, Canadá ou em alguns países da Europa. O lançamento oficial na Live Arcade brasileira ainda depende muito do desenvolvimento da mesma, porém, todos os episódios serão lançados em versão física em dezembro deste ano. Vale lembrar ainda que, como o título é vendido como add-on, é necessário possuir os quatro episódios anteriores, algo, no mínimo, justificável.

Prós

  • Enredo convincente;
  • Ação na medida certa;
  • Trilha sonora impecável;
  • Bom uso do sistema de escolhas;
  • Um final que leva em consideração toda a trajetória do jogador.

Contras

  • Alguns problemas técnicos, como paredes invisíveis, não foram resolvidos.

The Walking Dead: Episode 5 - No Time Left – Xbox Live Arcade – Nota: 9.5
Visual: 8.5 | Som: 10 | Jogabilidade: 9.0 | Diversão: 10 
Revisão: José Carlos Alves 
Jardeson Barbosa escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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