Jago vs. Jago - Será que o novo modelo de negócio de Killer Instinct é tão mau assim?

Durante a E3 desse ano, contamos com a cobertura completa da feira pela equipe GameBlast, onde tivemos a apresentação dos jogos que serão... (por Filipe Salles em 18/06/2013, via Xbox Blast)

Durante a E3 desse ano, contamos com a cobertura completa da feira pela equipe GameBlast, onde tivemos a apresentação dos jogos que serão lançados para o novo console de mesa da Microsoft, o Xbox One. Entre continuações de franquias estabelecidas, como Halo 5 e Forza Motorsport 5, presenciamos novos títulos como RYSE e a ressureição de uma das franquias de luta mais queridas pelos jogadores.

Claro que estou falando de Killer Instinct, e as lutas recheadas de ultra combos, ataques especiais e combo breakers estarão de volta em novembro deste ano, no lançamento do console, para alegria dos fãs de Jago, Sabrewulf, Glacius e cia. Junto ao anúncio do novo título, também fomos informados de que o jogo será gratuito, e o protagonista Jago será o único personagem habilitado, o restante deles deverão ser comprados.

A notícia gerou bastante polêmica, rendendo até mesmo vaias para o console da Microsoft na edição atual do maior campeonato de jogos de luta do mundo. Assim como muitas das decisões iniciais para o Xbox One, o modelo de negócios planejado para Killer Instinct foi revisto e adaptado de acordo com o anseio dos jogadores, sem que sua proposta inicial fosse alterada.

A partida do século: Jago vs. Jago

Com uma estratégia de monetização que vemos comumente em jogos sociais, como Marvel: Avengers Alliance, o jogo será distribuído gratuitamente e para liberarmos conteúdo adicional deveremos abrir nossas carteiras e pagar por eles. No caso de Killer Instinct, o restante dos personagens e roupas extras, apesar de também termos a opção de pagar um valor para desbloquear tudo o que o jogo pode oferecer.

Apesar de a notícia sobre o modelo mencionado ter sido recebida com muito ceticismo e até mesmo revolta por uma boa parte dos fãs da série, também há algumas vantagens associadas a essa estratégia de venda, como exemplificamos na lista abaixo:
  • É gratuito: A vantagem mais óbvia de todas, mas ainda assim uma vantagem. Você não precisará desembolsar um centavo para jogar Killer Instinct. O que também implica que não teremos uma versão física do jogo, e com isso quem coleciona itens da série não poderá colocar sua caixa ao lado das versões originais de SNES e N64;
  • Jogue apenas com os personagens que gosta: O depoimento dado por Torin Rettig, desenvolvedor da Microsoft Studios, se prova verdadeiro. Por mais que seja legal experimentar os personagens do jogo, no final acabamos nos especializando em uma pequena parcela deles e os outros personagens ficam abandonados. Em contrapartida, você deverá gastar um bom dinheiro até descobrir qual personagem se encaixa melhor ao seu estilo. A não ser que você prefira jogar com o Jago;
  • Compre no seu ritmo: Talvez a melhor vantagem que esse modelo oferece. Como não é necessário desembolsar o valor de um jogo inteiro, você pode adquirir o conteúdo do jogo aos poucos, de maneira que seu orçamento não fique comprometido. Se preferir adquirir o conteúdo completo de uma vez só, você terá um desconto no valor final.

Revendo os conceitos

Como informamos ao início dessa matéria, foram anunciadas mudanças ao modelo de monetização de Killer Instinct. Junto ao anúncio dos personagens que farão parte do jogo, incluindo uma novata ainda sem nome. Agora será possível adquirir os personagens do jogo de duas formas: comprando os seis personagens iniciais, acesso antecipado a dois personagens que serão lançados posteriormente o modo de treino em um pacote que custará vinte dólares ou desembolsando o dobro do valor para obter todas as vantagens acima, além de novos cenários, roupas especiais e o melhor: uma versão emulada do Killer Instinct original lançado para os arcades. Finalmente poderei jogar com o Cinder de novo! 
Unindo esse pacote aos lançamentosplanejados para alguns meses após o lançamento do jogo e uma declaração dada por um funcionário da Microsoft, sabemos que a Microsoft pretende manter Killer Instinct ativo durante toda a vida útil do console, separando-o por temporadas. Sabe-se que a segunda temporada do jogo está planejada para o ano que vem e trará mais oito novos personagens.

Onde jogos de luta encontram os famigerados MOBA

Uma das informações reveladas na entrevista mencionada é que o título contará com um sistema free to play baseado no sucesso de League of Legends (PC). Neste título, cada personagem possui um custo em dinheiro real. Só que, durante um período determinado, parte desses personagens podem ser selecionados gratuitamente, enquanto os personagens comprados podem ser escolhidos independentemente dessa rotação.Este modelo serve como base para a disponibilização de personagens gratuitos em Killer Instinct, portanto mesmo que Jago seja o personagem gratuito no lançamento, isso não garante que ele será grátis para sempre.

Uma aposta mais consciente

A princípio, apesar das vantagens do modelo que será adotado pelo jogo, era impossível não olhá-lo com dúvida. Embora a Tecmo Koei e a Namco Bandai tenham lançado títulos que usam essa estratégia de venda - Dead or Alive 5 Ultimate e Tekken Revolution, respectivamente - ambas as franquias possuem uma base de fãs já formada, o que é um facilitador para que o modelo tenha mais chances de ser implantado com sucesso. Talvez pela pressão dos fãs, a Microsoft repensou sua estratégia de maneira mais consciente dos riscos que estão assumindo.

O lançamento de três pacotes busca angariar o apoio de diversos estilos de jogadores. Para quem não quer desembolsar muito dinheiro, mas não quer ficar preso a apenas uma opção pode comprar alguns personagens separadamente, enquanto testa os outros competidores à medida que são disponibilizados gratuitamente. Para quem não teve acesso às versões anteriores, mas queiram ter acesso a todos os personagens quando quiser, a versão Combo Breaker cairá como uma luva, dando acesso a todo o elenco da primeira temporada (parece até que estamos falando de um seriado). Já a edição mais cara ($39.99) com certeza atrairá muitos fãs saudosistas após o anúncio da liberação da versão original do game, lançado em 1994 para os arcades. Bem jogado, Microsoft.


Após dezessete anos na geladeira, um retorno recheado de polêmica e a intenção de sua produtora a mantê-lo ativo durante a vida útil do videogame com novos modelos de precificação, o futuro da série parece mais brilhante do que foi em seu anúncio inicial. Ainda assim, é um movimento arriscado, pois mesmo que o jogo seja gratuito, desenvolvê-lo custou milhões e, como em qualquer negócio, se as vendas não derem retorno à empresa, com certeza não poderemos ver combos infinitos de personagens clássicos como Orchid e Spinal no futuro.
Se o modelo de negócios utilizado para Killer Instinct irá funcionar, apenas o tempo pode dizer. Enquanto isso, só nos resta debater e especular sobre o futuro. E vocês, o que acham do retorno de Killer Instinct? Quais personagens não podem faltar? Quais são suas considerações sobre o modelo de negócios adotado para o jogo?
Revisão: Bruno Nominato
Capa: Felipe Araújo
Filipe Salles é formado em Administração de Empresas pela UNIGRANRIO, joga videogame desde os quatro anos. Nerd assumido, adora falar sobre cultura geek e videogames, o que o levaram à redação do Xbox Blast e da PlayerTwo. Está no Facebook e Twitter.

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