Discussão

Um videogame, uma decepção. Será que o Xbox One ainda tem salvação?

Ah... O Xbox One . O tão prometido console da Microsoft para a próxima geração surgiu cercado de ótimas expectativas: nova e melhorada Liv... (por João Pedro Meireles em 22/06/2013, via Xbox Blast)

Ah... O Xbox One. O tão prometido console da Microsoft para a próxima geração surgiu cercado de ótimas expectativas: nova e melhorada Live, hardware mais potente, novos exclusivos (um deles uma franquia da Rare), novo e melhorado Kinect, entre outras. O XOne tinha tudo para ser o grande console da nova geração. Mas aí vieram as decepções, travas de jogos usados, necessidade de internet para uso (essas duas já revogadas pela empresa), foco (muito) maior que o esperado na integração com a TV, falta de jogos de peso (em especial os tão esperados exclusivos) etc.... Com um forte concorrente que espantou a todos na E3, será que o XOne ainda tem chance nessa disputa?

Voltando 180 graus

Ok, muitos foram pegos de surpresa pela recente notícia de que o Xbox One não mais terá travas de jogos usados e não será dependente da internet (inclusive esse redator que vos fala, que pretendia xingar, e muito, essas duas coisas), dois dos mais criticados “defeitos” do Xbox. Mesmo com ambos abandonados pela Microsoft, vou me dar ao luxo de gastar algumas linhas explicando um pouco mais sobre essas duas características, já que para mim, essas sintetizam tudo que a Microsoft está fazendo de errado com seu novo console.

É tipo net?

Primeiramente, o uso da internet. Logo após a apresentação do console, foi anunciado que o XOne precisaria se conectar à rede pelo menos uma vez por dia. Embora isso não pareça algo muito terrível à primeira vista (já que quase todos que tem poder aquisitivo para comprar um console desse porte possuem acesso à internet), pode se tornar uma grande dor de cabeça para aqueles que adquirirem o console. Quantas vezes caro leitor, você não foi arrastado para uma viagem chata de família ou teve que ficar um ou dois dias sem acesso à rede devido a “problemas técnicos”? Se antes você se refugiava no seu amado video-game para enfrentar ambas as situações, com o XOne você não teria essa possibilidade, e não poderia jogar nada nele. Como se não bastasse essa atitude, Don Mattrick, um dos diretores da Microsoft e um dos responsáveis pelo Xbox, pronunciou a infeliz “solução” para aqueles que não puderem conectar seu XOne diariamente: comprar um X360

Troca esse jogo?

Imagine a situação: você está na dúvida se compra um jogo ou não, e mesmo lendo as críticas não se convence se deve ou não efetuar a aquisição. Eis que um amigo seu zera o jogo, e decide parar de jogá-lo, você então pega emprestado para testá-lo antes de efetuar sua compra. Em todos os outros video-games essa seria uma situação simples, corriqueira e sem empecilho algum, no XOne, entretanto, foi anunciado que o uso de jogos usados teria embutida uma pequena taxa. Muitos jogadores nesse momento já se mostraram tremendamente insatisfeitos com isso, achando uma atitude extremamente arbitrária taxar jogos que já foram usados em outro console. Para piorar ainda mais a situação, o preço da taxa era um pouco salgado... custava aproximadamente, acreditem se quiser, o preço do jogo.

Tá, e me diz uma coisa... dá pra jogar nele?

Ok... Ok, muitos devem estar se perguntando “mas porque esse texto se a Microsoft voltou atrás em seus erros?”, simples caro leitor, embora esses fossem os erros mais crassos que a gigante havia feito, muitas coisas no próprio XOne podem impedir o sucesso do mesmo, como o foco que a própria empresa tomou inicialmente. No anúncio do console, enquanto milhões de jogadores esperavam inovações nos jogos e lançamentos impactantes, fomos presenteados com uma apresentação quase que exclusivamente focada na integração do video-game com a TV, além de outras funções interessantes, porém, nem um pouco fundamentais para o sucesso do console. Para quem esperava pelo menos alguns anúnicos de exclusivos de peso, restou se contentar com Forza 5 e esperar... afinal... a E3 estava por vir.



A E3 era a chance da gigante retomar o gosto do público, e essa o tentou fazer com alguns bons anúncios como novo Halo e com o retorno de Killer Instict, jogo da clássica Rare, que hoje pertence a Microsoft. Embora não fosse uma apresentação de tirar o fôlego, provavelmente seria o suficiente para reconquistar o público, apesar de tudo que ocorrera antes. O que a Microsoft não contava, entratanto, era a supreendente, e essa sim de tirar o fôlego, apresentação do Playstation 4 pela Sony. Naturalmente as comparações começaram a surgir e, mesmo para os fãs do Xbox, ficou difícil equiparar ambos os consoles, ainda mais levando em conta a diferença de cem dólares entre ele e o PS4. Estes aspectos acabaram levando muitos usuários a abandonar o XOne, o que levou a Microsoft a retirar suas estratégias iniciais, em uma tentativa de equilibrar a disputa.

Onde tudo isso vai parar?

É evidente que a atitude tomada pela Microsoft é um claro sinal de que a empresa percebeu seu erro e está correndo atrás do tempo perdido para alcançar seus concorrentes. O primeiro reflexo dessa atitude já pode ser visto pelo número de pré-vendas do console na Amazon, que chegou a superar o do PS4 (sem considerar a união de todos os pacotes). Embora a retirada das travas e da necessidade de internet tenha se mostrado um grande avanço da Microsoft, que antes parecia estar perdendo a disputa para si mesma, antes da “guerra” entre consoles realmente começar, o tempo perdido com estratégias de mercado que se mostraram falhas pode ser muito caro para um console que pode ser lançado já em novembro desse ano.

Se a gigante realmente quer por o XOne com força nessa disputa, não bastará apenas arrumar os próprios erros do seu console, mas sim equipará-lo com o PS4 e Wii U, sendo com exclusivos de peso, ou jogos third parties que chamem muita atenção, não coisas do tipo CoD e Assassins Creed, que são ótimos jogos mas são como o show do Roberto Carlos na globo (todo ano você sabe que tem mais do mesmo). Está na hora da “gigante acordar”. E para você leitor, quais suas perspectivas para o Xbox One?

Revisão: Leonardo Nazareth
Capa: Daniel Machado
João Pedro Meireles é graduando em Engenharia de Computação na UFRGS. Viciado em jogos, em especial Mobas e RTS, passou boa parte da vida jogando-os e pesquisando sobre aqueles que não teve tempo de jogar, o que o levou a virar redator do Xbox Blast.

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