Blast from the Trash

4 8 15 16 23 42... São muitos os motivos para não jogar Lost: Via Domus (X360)

Vamos deixar algo bem claro já de cara: eu amo Lost. Sempre me lembro da série e nunca me soltarei dela. Ao longo de seis anos muito feliz... (por Thomas Schulze em 13/08/2013, via Xbox Blast)

Vamos deixar algo bem claro já de cara: eu amo Lost. Sempre me lembro da série e nunca me soltarei dela. Ao longo de seis anos muito felizes pude acompanhar as aventuras de Jack, Locke e companhia com devoção quase religiosa. Tenho um pôster do elenco na sala da minha casa, a enciclopédia oficial da série, todas as temporadas em DVD e Blu-ray, adoro tocar You All Everybody no violão, enfim, acho que deu pra entender que estou a um passo de importar um macacão da Dharma, certo? E esse vício, é claro, me fez comprar também o jogo oficial da série, Via Domus. Ah, se arrependimento matasse...

Mais perdido que cego em tiroteio

Antes de falar sobre minha profunda decepção com o jogo, aqui vai uma ideia de como seria um game ideal baseado no universo de Lost: Primeiramente a Ilha deveria ser um mundo aberto no melhor estilo Far Cry 3, onde você precisaria se aventurar pela mata em busca de mantimentos para os sobreviventes. Obviamente existiria um monstro de fumaça e centenas de mistérios e perigos o aguardando dentro da selva. Tão simples desenvolver algo assim, não é? Não daria tanto trabalho fazer um jogo nessa linha, e ele provavelmente seria bem legal.

Como Via Domus deveria ser...


Seria o mascotinho da coluna a
real identidade do monstro de
fumaça?
E o que nós recebemos ao invés disso? Um jogo em que você precisa trilhar caminhos lineares colhendo cocos (cocos mesmo, mas bem poderia ser o nosso cocôzinho mascote da coluna) do chão, enquanto os utiliza como moeda de troca em micro transações patéticas com os outros sobreviventes. Precisa de um pedaço de pau para usar como tocha para iluminar uma caverna? Ora bolas, basta juntar cocos, procurar o Sawyer e trocar por madeira. Divertidíssimo, para não dizer o contrário. Engraçado como o jogo de uma série voltada à sobrevivência em cenários extremos acabou virando um Animal Crossing sem carisma, cheio de micro transações inúteis.

Bem quando você achava que as coisas não poderiam ficar piores que isso surgem os primeiros mistérios e puzzles do jogo. Se você assiste o seriado, deve imaginar que a jogabilidade se concentraria em solucionar mistérios sobre as origens da Dharma, a abertura da escotilha ou até mesmo as origens no monstro de fumaça, mas isso seria coerente e divertido demais. Via Domus preferiu inovar e teve a “brilhante” ideia de centrar todos os enigmas do jogo em um minigame surrealmente frequente sobre a conexão de fusíveis em painéis. Pois é, lembra disso no seriado? Eu também não...

...e como Via Domus realmente é.

Um personagem mais mala que o Paulo

Comparado com Elliot, até o
Paulo é carismático
Se você fica confuso com o seriado e gostaria de obter mais respostas sobre a trama no jogo, pode ir tirando seu cavalinho preto da chuva, porque a história aqui é pior que uma maratona de episódios centrados na Kate. O personagem central do jogo é o fotógrafo Elliot. Não estranhe se nunca tiver ouvido falar no coitado, pois ele apareceu assim do nada mesmo na trama, igualzinho ao Paulo, aquele mala interpretado pelo Rodrigo Santoro.

Ou seja, Elliot também pegou o voo Oceanic 815 e esteve esse tempo todo na ilha, mas convenientemente só agora nos foi revelada sua existência. Como de praxe no seriado há flashbacks no meio da narrativa nos contando mais sobre o passado do personagem, mas é realmente difícil se empolgar com Elliot quando há tantas coisas mais importantes acontecendo na ilha. Não dá para ligar para sua patética história quando poderíamos estar assistindo um flashback do Jack ou do Locke.
Sabe o que seria melhor do que jogar com o Elliot? Qualquer coisa.

A pior dublagem da história

O aspecto sonoro é possivelmente a parte mais agridoce de Via Domus. Se por um lado a trilha sonora é composta por algumas faixas do brilhante Michael Giacchino, por outro elas apenas servem para embalar o que seguramente é o pior trabalho de dublagem já feito na história da humanidade. As vozes não oficias (ou seja, a esmagadora maioria delas) são simplesmente risíveis. No melhor cenário, como ocorre com o dublador do Jack, você apenas pensa “ah, está na cara que não é o Matthew Fox falando”, enquanto nos casos mais graves, como quando Charlie fala algo, você pensa “que piada de mal gosto, por que ele está imitando alguém com retardo mental?”.

Ué, isso é jogo de Lost ou de House MD?


Para quem é fã do seriado como eu, foi realmente empolgante saber que os atores responsáveis por interpretar Ben, Sun, Desmond e Claire cederam suas vozes ao game. Mas quantas falas eles possuem ao todo? Somando a participação desse elenco, acredito que eles devem ter trabalho em cerca de vinte linhas de diálogo no máximo. Patético. Todo fã que se preza adoraria poder ouvir as vozes de Jack, Sawyer, Locke, Hurley e tantos outros personagens legais, mas o que recebemos? Os atores que interpretam Mikhail e Tom. Obrigado pelo empenho, Ubisoft!

Temos que voltar!

Até o episódio do aviãozinho da
Kate é menos pior que esse jogo
Desnecessário dizer que Lost Via Domus é mais um clássico exemplo de produto licenciado feito às pressas apenas para capitalizar em cima da série quando ela estava no auge da popularidade. O pessoal da equipe de desenvolvimento bem que podia lançar uma bomba no centro de magnetismo da Ilha, causar um incidente e voltar no tempo para impedir que essa atrocidade fosse lançada...


Revisão: Alan Murilo
Capa: Vitor Nascimento
Thomas Schulze escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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