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Análise: Acompanhe a trajetória de Clementine em All That Remains, a estreia de segunda temporada de The Walking Dead (X360)

Em 2012 a Telltale Games surpreendeu a todos com seus jogos baseados em The Walking Dead . Sucesso nos quadrinhos e, mais recentemente, ... (por Gabriel Vlatkovic em 15/01/2014, via Xbox Blast)


Em 2012 a Telltale Games surpreendeu a todos com seus jogos baseados em The Walking Dead. Sucesso nos quadrinhos e, mais recentemente, na televisão, a obra trata de sobreviventes de um apocalipse zumbi tentando viver em um ambiente hostil e sem recursos. Para quem não sabe, o foco de The Walking Dead nem chega a ser os próprios zumbis, e sim as relações entre os sobreviventes e as decisões morais devem ser realizadas em prol de sua sobrevivência. Capturando sua essência de maneira ímpar, a primeira temporada do jogo da Telltale fez com que jogadores do mundo todo se emocionassem com a trajetória do criminoso Lee e da pequena e adorável Clementine, garota que estava sozinha em casa quando tudo aconteceu. Tamanha qualidade garantiu à desenvolvedora inúmeros prêmios de jogo do ano e trouxe de volta aos holofotes um gênero que vinha sendo cada vez mais esquecido. A segunda temporada do jogo, que teve seu primeiro episódio lançado em dezembro do ano passado, continua de onde a primeira parou e promete momentos ainda mais chocantes que os da primeira temporada.


Sem lenço e sem documento

Atenção: Este trecho contém spoilers da primeira temporada. Se você ainda não jogou, pule para a próxima seção.
Ao final da primeira temporada, Clementine vê seu mundo desmoronar quando descobre que seus pais haviam morrido um pouco antes de descobrir que Lee também fora mordido e se transformaria a qualquer momento. Sem muitas alternativas, a garota que testemunhou a morte de cada pessoa que a rodeava abandonou de uma vez por todas a sua postura de criança inocente e acabou com a vida de Lee com suas próprias mãos para que ele não se transformasse em um zumbi.

Em All That Remains, conhecemos uma Clementine perturbada por suas lembranças
Após estes eventos, vemos uma Clementine mais madura lutando por sua sobrevivência no hostil ambiente criado pelos mortos-vivos. A primeira coisa que notamos é que Clementine se tornou uma pessoa fria e que sua inocência fora deixada junto com a vida de Lee. Muito mais cuidadosa e focada, a menina parece ter aprendido muito sobre como sobreviver com Lee, o que é facilmente evidenciado em certos diálogos em que ela cita algumas passagens da primeira temporada. Como sempre, o jogo utiliza o save dos episódios anteriores para moldar a história por meio de suas escolhas durante a aventura, o que acaba tornando tudo mais pessoal e interessante para os jogadores, que vivem a aventura ao seu modo sem ter que se preocupar com telas de Game Over e sim com as consequências de suas escolhas.

A garota logo encontra alguns aliados. Ou não
O primeiro episódio da segunda temporada serve mais como uma reintrodução ao universo de Clementine do que como uma aventura recheada de momentos angustiantes e moralmente complicados. Vendo-se sozinha e perdida, a garota vaga por uma floresta e após uma sucessão de eventos encontra um novo grupo de pessoas que podem ou não servir de companheiros para a garota durante a jornada. Não pense, no entanto, que não há momentos de tensão durante os noventa minutos deste episódio: “Clem” passará por poucas e boas até o fim desta primeira parte da história, e algumas cenas já são tão ou mais fortes que as mais desesperadoras da primeira temporada. Por isso, é recomendável que você tenha estômago e, mais uma vez, não se apegue muito a nenhum personagem, já que a história que a Telltale Games quer contar está longe de ser um conto de fadas, sendo praticamente seu oposto.

Sobrevivendo com estilo

Se a jogabilidade da primeira temporada já era bastante intuitiva, na segunda temporada tudo se torna ainda mais simples e prazeroso para os jogadores. Com indicadores de ação mais claros e maiores, executar ações no jogo se tornou ainda mais simples. Além disso, alguns novos elementos foram implementados, como por exemplo desviar de zumbis ou obstáculos utilizando o analógico direito nos momentos certos.
Como sempre, os diálogos são muito bem escritos e os novos personagens já cativam o jogador em suas primeiras cenas. As decisões morais também marcam seu retorno em grande estilo e, ao final do episódio, você provavelmente se sentirá mal com sua primeira grande decisão da temporada.

Como sempre, a exploração é essencial para o sucesso

Nova temporada, mesmos bugs

Apesar do belíssimo estilo gráfico da série, que foi melhorado nesta nova temporada, os bugs e congelamentos presentes no título de 2012 voltam com força total nas novas aventuras de Clementine. Os problemas de desempenho não tornam o jogo ruim, mas atrapalham bastante em certos momentos, incluindo alguns em que comandos devem ser executados rapidamente mas a tela congelou e você não consegue saber que botão apertar. Mesmo assim, estes problemas não acontecem o tempo todo, e a narrativa é tão bem escrita e envolvente que isso se tornará apenas um detalhe, mesmo sendo um problema não tão pequeno.

Clementine com medo que os bugs atrapalhem sua fuga
Em compensação, como era de se esperar, as interpretações dos personagens está impecável e assustadoramente real, o que fortalece ainda mais os laços que os jogadores criam com os personagens que cruzam seu caminho. Clementine continua adorável, mesmo que o episódio marque uma nova fase em sua vida e que sua inocência tenha sido deixada para trás. Por ser a protagonista da vez, o apego pela garota cresce ainda mais, principalmente quando nos lembramos, compulsoriamente, de todos os traumas que a menina viveu ao lado de Lee e seus outros companheiros.

Belo começo

O início da segunda temporada de The Walking Dead serve mais para apresentar o contexto do novo arco da história do que trazer aos jogadores momentos épicos. Em certos momentos, a história chega a ser vaga, dada a falta de uma meta clara da protagonista, tal como havia na primeira temporada. Mesmo assim, percebemos que a Telltale não perdeu sua habilidade em escrever roteiros cativantes e envolventes e que, dependendo do rumo que a temporada tomar, ela pode até superar o excelente início da franquia. Resta-nos aguardar os próximos episódios para saber o que o futuro reserva para a pobre Clementine.

Prós


  • Personagens cativantes;
  • Situações desesperadoras;
  • Roteiro muito bem escrito;
  • Interpretações impecáveis;
  • Novos elementos de jogabilidade tornam tudo ainda mais divertido.

Contras


  • Bugs e congelamentos de tela fazem seu retorno;
  • Enredo ainda não parece ter uma grande motivação como tinha na primeira temporada.


The Walking Dead: Season 2 – Episode 1: All That Remains – Xbox 360 – Nota: 8.5
Revisão: Vitor Tibério 
Capa: Sybellyus Paiva
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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