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Análise: Monte em seu dragão e salve o mundo em Crimson Dragon (XBO)

Jogos lançados com novos consoles nem sempre são um sucesso. Com um prazo apertado para terminar seu trabalho, as desenvolvedoras acabam ... (por Gabriel Vlatkovic em 26/01/2014, via Xbox Blast)


Jogos lançados com novos consoles nem sempre são um sucesso. Com um prazo apertado para terminar seu trabalho, as desenvolvedoras acabam entregando muito menos do que prometem e, títulos que poderiam ser incríveis acabam ficando no limbo e são esquecidos rapidamente. Anunciado como um projeto a ser lançado para o Xbox 360, Crimson Dragon gerou certa expectativa entre os jogadores. Isso porque o jogo viria a ser um sucessor espiritual da icônica franquia Panzer Dragoon (Sega Saturn/Xbox) ao incorporar não apenas sua temática, como também pelo fato de ser desenvolvido pela mesma equipe responsável pela produção da série clássica, que retornaria para realizar o projeto. Apesar de todos os bons presságios, nem tudo parece ter dado certo.


Ameaça biológica

Crimson Dragon se passa em um mundo em que os humanos são capazes de montar em dragões, seja para diversão, transporte ou até mesmo para lutar. Pouco após a colonização do planeta Draco, os humanos se depararam com a disseminação de um vírus mortal, capaz de exterminar boa parte da raça humana. Conhecido como Crimson Scale, o vírus afeta a grande maioria das pessoas, mas ainda há alguns sortudos que não são prejudicados por ele. Essas pessoas são conhecidas como Seekers e, graças à sua situação privilegiada, são incumbidas da missão de exterminar a ameaça, enquanto também investigam a origem da epidemia.

Apesar de parecer épico, o jogo quase não tem graça nenhuma...
Para derrotar a ameaça, todo o planeta Draco deverá ser explorado, o que seria impossível sem uma boa montaria. Crimson Dragon é um shooter sobre trilhos em que, montado em um de seus dragões, o personagem principal deve destruir praticamente tudo o que aparecer pelo caminho. Apesar dos controles precisos, algumas decisões erradas da desenvolvedora fazem com que o jogo não seja tão bom como aparenta.

Voo raso

Crimson Dragon apresenta certos problemas que prejudicam toda a experiência e impossibilitam o jogo de decolar como deveria. Em primeiro lugar, os tutoriais são bastante confusos, e só servem para deixar o jogador menos seguro com as situações que virá a enfrentar. É possível ter vários dragões, que podem ser obtidos conforme o jogador sobe de nível ao passar pelos repetitivos estágios do jogo. Contudo, todas as montarias são muito parecidas umas com as outras, ainda que elas representem elementos diferentes e tenham ataques distintos entre si. O que acontece é que a mudança é apenas visual, de maneira que o dragão escolhido pelo jogador representa pouquíssima diferença na prática. Além disso, ainda é possível evoluir os dragões, que podem aprender novos golpes e habilidades. Infelizmente, estas também não fazem muita diferença nas primeiras horas de jogo, demorando cerca de seis ou sete horas para algo realmente mudar. Falando em não mudar, os cenários do jogo são, muitas vezes, repetidos à exaustão, o que dá pouca sensação de progresso ao jogador, que se verá por horas voando pelos mesmos ambientes, que apresentarão apenas uma mudança aqui ou ali.

Crimson Dragon possui alguns poucos momentos de glória
As batalhas contra os colossais chefes do jogo também são uma grande decepção. Apesar de parecerem extremamente promissoras, elas se tornam muito frustrantes pelos comandos imprecisos. Nessas passagens, o jogo deixa de ser em trilhos e dá liberdade ao jogador para voar para onde bem entender, o que poderia ser bom, se não fosse pelas limitações dos comandos para controlar os dragões. Para se ter uma ideia, não é possível, por exemplo, frear o dragão, de maneira que, em vários momentos, me vi passando reto diante dos pontos fracos dos inimigos, sem poder fazer nada a respeito. Para piorar a situação, as batalhas possuem tempo para serem concluídas, o que aumenta ainda mais a frustração dos jogadores, que não conseguem cumprir a tarefa graças à jogabilidade ruim do título.

As batalhas contra chefes poderiam ter sido épicas, mas o medidor de tempo atrapalha tudo
Mas nem tudo é tão ruim em Crimson Dragon. Ao nos acostumarmos com os controles em trilhos, o jogo se mostra bastante competente e divertido, trazendo um bom nível de desafio aos jogadores. Cada estágio ainda possui diversas pequenas tarefas que valem medalhas, o que aumenta bastante o fator replay da aventura.

O verdadeiro vírus de Crimson Dragon

Talvez o verdadeiro problema enfrentado pelos jogadores de Crimson Dragon seja o sistema de microtransações do jogo. Durante as fases é possível encontrar joias que servem para comprar novas habilidades ou até mesmo novos dragões, contudo, a quantidade de itens encontrados é muito escassa, o que se justifica pela possibilidade de se comprar joias em quantias abundantes pela Xbox Live. É triste para os jogadores, que já gastam seu dinheiro nos jogos, se ver diante de uma situação onde são forçados a gastar ainda mais caso queiram tornar o jogo mais agradável. É uma pena que a indústria, que já vinha nos frustrando com a quantidade enorme de DLCs que deveriam estar no jogo desde o começo, tenha encontrado mais uma forma de tirar dinheiro dos jogadores tentando criar necessidades em sua mente.

É necessário pagar mais vinte dólares caso você queira inimigos nessa fase :P

Gráficos ultrapassados

Como de costume em jogos que têm seu desenvolvimento transferido de uma geração para outra, os gráficos de Crimson Dragon são bastante simplórios, e contam com texturas em baixa definição e cenários vazios e sem muita variedade. A modelagem dos dragões também deixa um pouco a desejar, e é bastante genérica, algo bastante surpreendente se considerarmos que os desenvolvedores da franquia Panzer Dragoon estavam envolvidos em sua criação. As músicas e efeitos sonoros também são bastante simples e não trazem muito destaque à experiência, que tem duração bastante variada, dependendo da dificuldade selecionada ou mesmo da forma que o jogador decidir trilhar seu caminho.

Vários jogos de Xbox 360 são mais bonitos que Crimson Dragon

Pouso forçado

Crimson Dragon não faz muito pelo Xbox One. Com uma jogabilidade razoável, mas repleta de falhas, história quase nula, repetição excessiva de ambientes e péssimas decisões de design, o título é facilmente o pior exclusivo da line-up de lançamento do console. É uma pena que um projeto tão promissor tenha sido desperdiçado dessa forma, e que as boas ideias dos desenvolvedores tenham sido implementadas de maneira falha. Quem sabe da próxima vez?

Prós


  • Jogabilidade se torna boa com a prática;
  • Proposta divertida.

Contras


  • Enredo superficial;
  • Batalhas contra chefes são frustrantes;
  • Gráficos ruins;
  • Microtransações lesam o jogador.

Crimson Dragon – Xbox One – Nota 4.0
Revisão: Ramon Oliveira de Souza
Capa: Leonardo Correia 
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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