Blast from the Past

Relembre o início da carreira de Joanna Dark e do Xbox 360 com Perfect Dark Zero!

No ano 2000, a Rare lançou o jogo que viria a se tornar um dos mais importantes FPS para consoles: Perfect Dark. Sucessor espiritual de G... (por Gabriel Vlatkovic em 19/01/2014, via Xbox Blast)


No ano 2000, a Rare lançou o jogo que viria a se tornar um dos mais importantes FPS para consoles: Perfect Dark. Sucessor espiritual de GoldenEye 007 (N64), o jogo contava a história da agente secreta Joanna Dark que deveria investigar uma grande corporação suspeita de estar tramando alguma coisa diabólica. Com missões inteligentes e cheias de objetivos complexos que não se limitavam a andar e atirar, o jogo tornou-se referência quando o assunto era jogos de tiro para consoles de mesa. Anos depois, a Rare, antes second-party da Nintendo, foi integralmente vendida para a Microsoft e suas franquias mais icônicas como Conker, Banjo-Kazooie e o próprio Perfect Dark viraram propriedade da gigante dos computadores.


Anunciado primeiramente como um título de GameCube, Perfect Dark Zero teve seu projeto transferido para o Xbox, mas foi apenas na estreia do Xbox  360, em 2005, que o jogo foi efetivamente lançado. Com uma Joanna Dark mais jovem e imatura, o jogo contava as aventuras da garota ainda jovem, quando acabara de entrar no mundo da espionagem para ajudar seu pai.

Velhos tempos, mesmos inimigos

Perfect Dark Zero se passa no ano de 2020 e Joanna ainda é uma caçadora de recompensas que ao lado de seu pai, Jack, deve resgatar um pesquisador que foi sequestrado e levado a Honk Kong. Controlado por corporações, o mundo é dominado principalmente pelo Carrington Institute (local onde Joanna trabalharia futuramente) e a conhecidíssima dataDyne, liderada por Zhang Li e, em sua primeira missão, a garota já começa a perceber que há algo muito maior por trás do simples sequestro e que tais corporações tem planos assustadoramente ambiciosos.

Joanna ainda era jovem, mas já contava com um arsenal pesado
Mas os que pensam que Joanna sempre jogou apenas em um time está muito enganado. No decorrer da aventura, a garota, como toda boa mercenária, se juntará a quem lhe der mais dinheiro, estabelecendo a agente como uma pessoa de moral um pouco duvidosa. Contudo, diversos eventos durante a campanha fazem com que Joanna amadureça e compreenda certas coisas sobre o mundo em que vive. Afinal, estamos falando de uma agente que viria se tornar o modelo de perfeição no mundo da espionagem.

A campanha não tão brilhante

Ao contrário do jogo para Nintendo 64, em que a campanha era genialmente bem construída, as missões de Perfect Dark Zero eram, em sua grande maioria, rasas e sem inspiração, salvo alguns momentos chave do enredo e a primeira fase, que chocava os jogadores pelo visual e quantidade absurda de coisas acontecendo ao mesmo tempo. As 14 missões de Zero eram, no entanto, bastante variadas e divertidas, só não profundas e imersivas como estávamos acostumados no jogo de Nintendo 64.

As missões eram variadas, mas ainda assim um pouco sem graça
Em Zero, a Rare introduziu um sistema de cover bastante eficiente em que o jogo passava para a perspectiva em terceira pessoa. Com o sistema, era possível uma abordagem mais stealth às missões, já que nem sempre era necessário (ou possível) sair matando todos os inimigos que cruzassem o caminho de Joanna. Além disso, o jogo contava com algumas batalhas contra chefes que mudavam um pouco a dinâmica de jogabilidade do título, que passava a exigir que o jogador utilizasse sabiamente seus equipamentos se quisesse sair vivo do confronto.

O sistema de cobertura melhorava bastante a jogabilidade do título
Como era de se esperar, já que é típico dos jogos da desenvolvedora britânica, Perfect Dark contava com diferentes modos de dificuldade, que não só tornavam os inimigos mais difíceis de serem derrotados, como também adicionavam novos objetivos às missões, tornando-as mais divertidas e desafiadoras. Se não fossem pelas missões pouco complexas, o jogo seria um sucessor a altura do jogo lançado para Nintendo 64, já que, no papel, possuía todos os elementos necessários para tal.

Multiplayer frenético

Se no Nintendo 64 Perfect Dark já fazia bonito em seus modos multiplayer, em Zero tudo se tornou ainda mais incrível. Com a capacidade de 32 jogadores simultâneos, via Xbox Live, a experiência oferecida pela Rare superava todas as expectativas. Com uma imensa quantidade de modos, personagens e armas, o jogo garantia muitas horas de diversão e se tornou a primeira grande sensação online do console. Além disso, os bots marcavam seu retorno para que os jogadores solitários pudessem se divertir além da campanha para um jogador. Para completar a festa, toda a campanha podia ser jogada em modo cooperativo, o que tornava tudo muito mais divertido e imersivo, mesmo nas missões mais tediosas da aventura que, acredite, não eram poucas.

A geração HD

Como um dos primeiros jogos em alta definição lançados na história dos videogames, a Rare decidiu abusar dos efeitos especiais e texturas em alta definição para tornar o jogo visualmente belo e marcante. Apesar de conseguir isso em boa parte da aventura — que apresentava cenários detalhados, variados e belos — em certos momentos a desenvolvedora errou a mão ao exagerar um pouco no efeito de algumas texturas, que acabavam ficando com a aparência de plástico, de tanto que brilhavam. As pedras eram o maior exemplo, já que mais pareciam papel celofane do que rochas.

O jogo contava com texturas exageradas e belíssimas explosões

Ficam as saudades

Se Perfect Dark Zero não conseguiu se sobressair sobre seu antecessor, ele, pelo menos, ainda era um jogo bastante competente que carregava em todo seu conteúdo a alma de uma das mais importantes desenvolvedora britânicas dos anos 1990. Com uma campanha competente, mas não tão divertida, e modos multiplayer variados e muito divertidos, o jogo foi um dos mais importantes do início da vida do segundo console de mesa da Microsoft. Apesar de a franquia nunca mais ter dado as caras, os fãs ainda aguardam o retorno de Joanna. Quem sabe no Xbox One?

Revisão: Luigi Santana
Capa: Leonardo Correia
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook