Blast Log

Alan Wake (X360): Parte 8 - O final já está escrito

No ponto mais baixo e sombrio de sua vida, Alan precisará dar tudo de si no desfecho dessa história, onde precisará superar seu maior inimigo: ele mesmo.

É isso. Após enfrentar tantos oponentes e abater a imemorial Presença Negra, Alan está diante de um inimigo que não poderá vencer apenas com sua lanterna e sua arma: sua própria mente. Quando se é um escritor de thrillers, sua imaginação é o pior inimigo que se pode ter. Agora Wake precisará de tudo que aprendeu até agora e da ajuda de um companheiro escritor se quiser vencer o derradeiro desafio de recuperar o controle nessa última parte do nosso Blast Log de Alan Wake (X360)!
Antes de ler, esteja certo de que já viu as partes anteriores!

Parte 1: Um pesadelo acordado
Parte 2: Tomados pela escuridão

Parte 3: Resgate sem refém

Parte 4: A luz da verdade

Parte 5: Um click para a salvação

Parte 6: A despedida de um escritor

Parte 7: Um sinal da imaginação

Episódio 8: O Escritor (Parte 1/3)

Eu precisava sair dali...
Tudo estava turvo. A voz de Hartman estava bombeando em minha cabeça, era como um martelo insistente contra o prego da insanidade. O doutor insistia que eu estava delirando, e eu mesmo já não sabia o que era real e o que não era naquele poço de escuridão. Estava me rendendo e cerrando os olhos quando o palavreado e a voz que ecoava começou a mudar, me forçando a ter mais foco e perceber que olhava para Barry. Bem, não o Barry que eu conhecia, mas o imaginário que me ajudou até ali.

Eu estava do outro lado de uma grande, um portão. Eu me lembrava dessa cena, foi quando fugi do manicômio de Hartman no mundo real. O Barry Imaginário disse que eu precisava encontrar o caminho para fora dali sozinho, mas que isso iria me ajudar. Adentrei os muros destruídos do labirinto e passei a pensar. Se tudo que estava ali saía da minha mente, uma distorção bizarra feita pela escuridão, então eu estava literalmente enfrentando a mim mesmo. Com essa clarificação, me esforcei para conseguir usar a imaginação ao meu favor, e assim consegui fazer surgir luz ali. Bem, na verdade era uma lanterna, mas você entendeu.

Por um instante, achei que
tinha perdido toda minha
motivação.
Usei a luz para abrir caminho até um armazém com munição e baterias, e assim me equipei antes de começar a escalada pelo muro para uma área que desconhecia do labirinto. Quando eu terminei de escrever Departure, senti que minha vida estava acabada. Eu só queria salvar Alice, então me vi pronto para morrer quando conclui meu objetivo final. Contudo, Zane me alcançou, um amigo escritor que não queria ver eu afundando na escuridão que nós dois enfrentamos. Ele tentava me mostrar o caminho, mas de alguma forma eu continuava afundando mais e mais, conforme Thomas mesmo dizia. Eu só não sabia dizer se estava mergulhando mais nas trevas ou na loucura. Talvez ambos sejam um só.

Recolhi algumas armas no labirinto e consegui achar a saída, onde Barry me recebeu dizendo que eu estava mesmo louco. Eu tentei refutar mas, segundo ele, pessoas loucas não sabem que estão loucas, e por isso são loucas. Eu achava isso loucura, mas discutir com um fragmento da minha imaginação era mais ainda. Numa cabana ali perto, aparentemente a fazenda dos irmãos Anderson, havia uma luz forte. Era Zane. Ele havia me alcançado e essa era a minha chance de não mergulhar ainda mais, então precisava aproveitar.

Os fogos de artifício eram
meus amigos.
Contudo, Dark Place tinha planos diferentes. Perto de chegar na luz, me vi num local familiar. Os fogos de artifício eram iguais aos do palco dos Old Gods of Asgard. A música começou a ressoar e chamou a atenção de diversos Takens. Eu não sabia o que era mais perturbador, a massa de corpos querendo a minha cabeça ou a música macabra que um dia foi “Children of the Elder God’. Ofuscando o som da música com os dos disparos da espingarda, consegui derrubar os possuídos pela escuridão. Agora eu podia ir até Zane.

Entrando lá, Barry avisou para tomar cuidado com as complicações que minha própria imaginação podia criar. Olhei-o curioso, mas ele não me seguia mais. Segundo ele, deixaria Zane e eu falarmos em paz, não queria ser o único imaginário na roda de discussão. Apesar de entender e achar ele irritante, tinha sido bom poder ver um rosto conhecido depois de tudo isso. Assenti e ele desapareceu, me deixando livre para ir de encontro ao homem vestido de mergulhador.

Thomas sempre surgia
nos locais mais estranhos.
Thomas me recebeu e disse que eu estava fazendo um bom trabalho, mas eu teria de encontrar minha outra metade, a que estava perdida na loucura, se quisesse me tornar inteiro e são novamente. Ele iria me ajudar, disse que ainda tinha páginas do meu manuscrito que acabaram não sendo usadas, e que as palavras nela escritas tinham poder naquele território instável e perigoso. A página caiu perto de mim, diante de um abismo. Corri até lá e a tomei, vendo suas palavras voarem para o ar, muitas mergulhando na névoa mais adiante. Com a lanterna, iluminei a primeira, ”limpar”, e isso fez com que o nevoeiro partisse. Foi aí que eu vi, ao longe, uma luz forte.

O farol.
Poético.

Episódio 8: O Escritor (Parte 2/3)

As propriedades daquele mundo me surpreendiam cada vez mais.
Eu tinha de chegar até o farol, porque ele me guiaria até a minha outra metade. Meu pesadelo antes disso tudo começar parecia ter sido um presságio do que seria minha salvação quando as trevas estivessem cobrindo tudo que eu amava. Contudo, o desfecho do sonho envolvia a luz se apagando e o próprio farol afundando nas trevas. O que garantia que a realidade seria diferente? De uma forma ou de outra, eu só podia confiar nos meus instintos e em Zane.

Diversas palavras “pedra” flutuavam diante de mim. Quando as iluminei, elas foram se transformando em rochas suspensas no ar, e era o caminho que eu devia seguir. Após quatro delas, iluminar uma palavra fez com que um barco surgisse. Aquilo estava ficando estranho. Agora eu entendia porque Zane tinha tantos poderes ali, parece que sua luz e ordem refletiam a escuridão e o caos de tudo a sua volta. Eu já nem sabia mais se ele era humano ou não.

Estava tudo indo de
pernas pro ar.
Após fazer surgir uma passagem de madeira, uma cabana se materializou em pleno ar. Eu adentrei o local e uma televisão ligou, comigo na tela narrando de forma maníaca como fizera antes, dizendo que a casa estava com as paredes revirando. Aquilo não podia ser um bom sinal. Foi só eu pensar e toda a cabana começou a girar, fazendo os móveis desabarem e quase me atingindo. Esperei até uma janela se alinhar com outro caminho de madeira e saltei para fora, rolando e parando um pouco para respirar. Aquilo estava louco demais até para os meus padrões.

Uma nova televisão, um novo discurso insano, uma constatação: eu estava suspenso a incontáveis metros da água. Se eu caísse, atingir a superfície molhada seria como cair contra o concreto. Diante de mim, seguindo o caminho, um colossal tornado de trevas planava, fazendo diversas palavras girar ao seu redor. Era estranho ver todo aquele caos de forma tão pacífica, sem tentar me atacar. Talvez a minha imaginação estivesse ficando mais calma? Ou era apenas Dark Place tentando me fazer sentir em casa?

A ambiguidade da palavra
"ponte" era a poesia
daquela cena.
Iluminei a primeira palavra, “ponte”, e um ônibus surgiu. Achei estranho, mas avancei e pulei nele. Vi que todas as palavras que cercavam o tornado eram “ponte”, mas nenhuma delas fazia aparecer uma ponte propriamente dita. Era algo subjetivo, uma indicação de que eu devia subir naqueles objetos e me deixar levar até meu objetivo. Usei o ônibus até chegar em uma plataforma mais alta, onde novamente me vi num caminho de madeira comum – exceto pelo fato de estar flutuando.

Após cruzar uma árvore caída para o que parecia ser uma ilha inteira suspensa no ar, constatei que a ambientação estava cada vez mais sombria e selvagem, como se nem estivesse tentando mais fingir ser algo normal ou real. Aquela colina tinha várias palavras “rolar” espalhadas, algo que eu não entendi a princípio. Takens começaram a surgir pouco depois e, como aquelas palavras vieram da página que Zane me deu, assumi que iriam ajudar. Iluminei uma delas e um barril surgiu, rolando cenário abaixo até atingir o adversário, explodindo nele. Agora eu me sentia dentro de um jogo que costumava jogar nos fliperamas quando criança, com um gorila jogando barris em um homem de macacão.

Ótimo, agora minha mente
me colocou em Silent Hill.
Passando por aquele território, encontrei um poço com a palavra “buraco” no fundo. Minha lanterna não alcançava, mas talvez um dos meus sinalizadores chegasse. Derrubei um deles aceso e a luz acionou a palavra, abrindo caminho em um muro para eu poder avançar em um túnel. Ele era escuro, cada passo ecoava por toda estrutura e a iluminação era escassa. Enquanto eu ouvia apenas a minha respiração, estava tranquilo, mas foi aí que comecei a ouvir o ecoar de uma serra elétrica.

Tentei evitar ao máximo o confronto, me guiando pelo som, mas nenhum caminho que não fosse o que deixava o som pior parecia me guiar para fora. Não vi escolha senão encarar o colossal Taken com uma serra de frente, jogando o sinalizador em sua direção e atirando até vê-lo desaparecer. Assim consegui continuar seguindo pelos túneis, até encontrar uma nova série de televisores. Estes anunciavam que Alan estava preso em um labirinto de memórias, sem conseguir chegar a lugar algum, atropelado por sua própria imaginação. Uma única porta permitia que eu seguisse em frente. Aquilo não parecia ser boa coisa.

Se eu conseguir sair daqui,
vou procurar um psicólogo.
Ao adentrar a porta, ela se fechou e me vi no que parecia ser uma cópia do meu apartamento em New York City. Olhei para cima e vi outros cenários de cabeça para baixo numa estrutura colossal. Ela inteira começou a se mover, girar, era como uma roda de hamster gigante. Conforme vi que o quarto ia ficando cada vez mais para trás, tive de correr pela porta, passando pela réplica de outras partes do apartamento até surgir em uma área que me lembrou a cabana no lago. Claro que nem tudo tentava ser fiel à realidade; pouco depois estava diante de teclas gigantes de uma máquina de escrever. W, A, K e E. Se aquilo era obra da minha imaginação, eu era mais egocentrista do que podia imaginar.

Então, a varanda da cabana, quebrada, e o lago. Eu sabia como a história seguia, eu devia pular na água. Eu mergulhei, mas foi como passar por um véu, uma cachoeira, pois surgi do outro lado quase sem me molhar. A roda deu prosseguimento e tive de avançar pela réplica da delegacia da xerife Breaker. Se eu tentasse ficar parado, o próprio giro da roda me empurraria, então eu não tinha muita escolha senão seguir em frente. Isso parecia ter um significado.

Incrível como a escuridão
simula tão bem algo que
nunca viu.
Eu fui me deixando guiar e segui exatamente os passos que fiz no passado, indo em direção à Sala Iluminada. A roda parecia ser uma maneira de mostrar como eu era refém da minha história, como eu estava fadado desde o princípio a seguir aqueles passos, como tudo me empurrou para seguir aqueles passos. Tomei um elevador após passar pelas mil lâmpadas da Sala Iluminada e torci para que ele não fosse revirar como o resto daquela roda, porque tudo aquilo estava me dando enjoos – as reviravoltas e a constatação de que eu era apenas um hamster na roda do destino.
Próxima parada: inferno.

Episódio 8: O Escritor (Parte 3/3)

Se você ler "inferno" como "loja de conveniência de um posto de gasolina".
O elevador me deixou no posto de gasolina de Carl Stucky. A recepção foi uma televisão me lembrando que todo passo era perigoso. Mal saí dali e já estava cercado de Takens, me forçando a ser estratégico quanto a como gastaria meus recursos, como munição e baterias. Avancei floresta adentro e vi que os cenários começaram a se misturar de forma violenta, com fragmentos da minha memória se embaralhando de modo a tentar me impedir de chegar até o farol, mas Zane estava no meu encalce.

Segundo ele, a metade de mim que estava na cabana era a que estava cansada, com medo, pronta para aceitar a morte e encontrando conforto naqueles devaneios e sonhos. Eu seria a parte racional, que quer sair dali e era por isso que Zane estava comigo. Mas isso queria dizer que eu não era real, era apenas uma projeção. Isso me lembra do tal Mr. Scratch que Zane me mostrou, que iria conhecer meus amigos em minha ausência. Questionei se ele também era parte de mim, e a resposta foi um hesitante não. Eu estava atordoado, mas meu guardião de luz apenas me deixou para seguir o caminho sozinho.

E as televisões sempre
tentando me intimidar.
Uma ponte metálica e torta seguia à minha frente, e nela segui e escalei. A parte superiora parecia um campo minado, onde palavras podiam ser iluminadas para abrir buracos no chão e derrubar inimigos – ou eu – nas profundezas do lago. Tive de ser racional para poupar munição e usar das armadilhas ao meu favor, garantindo máximo proveito das palavras que saíram da minha página. Ainda assim o caminho que se seguia era tortuoso, mas o farol estava cada vez mais próximo.

O caminho distorcido me guiou até novas plataformas suspensas que acabaram em um corredor estranhamente organizado e limpo. Cruzei a porta no fim dele e lá fiquei diante de um par de cadeiras com uma sombra que lembrava a mim e ao doutor Hartman, como se eu estivesse aceitando seu sermão e suas teorias que tentavam me provar que eu criei tudo aquilo na minha mente. Então, um gravador, supostamente com uma mensagem de Alice. Eu sentia tanta falta de sua voz que não me importei, apenas apertei play.

Ainda que fosse mentira,
doeu. Muito.
A voz de Alice dizia o quão revoltada ela era em ter de ser mais que uma esposa, mas uma psicóloga constantemente gerenciando minha crise existencial e nervosa, que sentia raiva por eu tê-la abandonado naquela cabana e que me odiava a ponto de apenas não se matar por saber que nunca mais me veria de novo. Aquilo foi o suficiente para sair daquele cenário maldito. Eu sabia que era mentira, que eu havia salvo Alice, aquilo não ia me derrubar. Na verdade, apenas me motivou ainda mais a sair daquele lugar e ver minha amada novamente.

Segui até encontrar Zane pelo que parecia ser a última vez. Segundo ele, não poderia chegar mais perto porque a Presença Negra o impediu de se aproximar de onde estava meu outro eu, mas iria dar tudo que poderia me ajudar a chegar lá, recomendando que eu não esquecesse que tudo a minha volta estava a mercê da minha imaginação. Uma última página deu origem a mais palavras, dentre elas “memória” e “ligar”. A primeira era a voz de Alice me lembrando que, embora minha mente pudesse ser pessimista as vezes, era apenas minha mente mentindo para mim, e que ela me amava. Senti os olhos marejando, mas não era momento para isso. Eu tinha de sair dali. Foi aí que iluminei a palavra restante.

Como no sonho, o farol
era minha salvação.
Isso fez com que a luz do farol se intensificasse muito, passando várias vezes por onde eu estava andando e teria de andar. Lá, Takens começaram a se agrupar aos montes, me afrontando. Eu não tinha munição para aquela massa incrível e considerei fugir quando a luz bateu e incinerou todos eles. O farol tinha força para exterminar aquele exército de tomados, então resolvi me aproveitar disso, calculando o tempo que a luz demorava para fazer a volta e usar dela para eliminar os oponentes que tentassem me impedir de se aproximar.

Isso foi o suficiente para que eu chegasse para a torre branca e iluminada. Adentrei, ofegante, e olhei em volta. Era seguro. Eu vi a escadaria de onde a Presença Negra me atacou em meu primeiro sonho e avancei hesitante, como esperando que tudo desse errado. Não ocorreu nada. Comecei a escalar meu caminho em direção à luz e um calor acolhedor foi me tomando. Eu estava protegido ali. No topo, eu nunca estive tão perto daquela luz, e mais uma palavra ainda se manifestava. Quando a iluminei, uma escada se ergueu para um buraco no teto do farol, e eu não sabia para onde ia. Eu só sabia que era onde eu deveria ir.

De volta a onde
tudo começou.
Empurrei uma placa de madeira no topo e emergi no buraco, apenas para constatar que saí no poço diante da ilha em Cauldron Lake. Então era ali que meu verdadeiro corpo estava. Engoli seco e iluminei a palavra “ponte”, erguendo o caminho entre a costa do lago e a ilha. Avancei hesitante e então ouvi a voz de Barry ecoando. Olhei em volta e vi sua silhueta em cima de uma rocha. Ele disse que estava depressivo porque eu ia abandoná-lo, o que me deixou inquieto. Ele era imaginário, então como podia ficar assim? Seria a simulação do Barry verdadeiro real demais?

Ele disse que somente conseguiria chegar na cabana se superasse todos meus sonhos e devaneios, e isso incluía ele. Continuei avançando sem me importar, mas ele insistiu que só iria chegar ao meu corpo se passasse por cima dele. Foi nessa hora que um último televisor surgiu, narrando que a escuridão colocaria tudo que eu amava contra mim. Agora tudo estava fazendo sentido, embora eu não quisesse crer. Corri, empunhando a espingarda fortemente e apertando a lanterna. Eu tinha de acabar com isso.

Droga Barry, você não...
Barry surgiu, agora em um invólucro de escuridão. Ele era um Taken. Avançou com um machado, mas foquei a luz nele para que recuasse, e ele teleportou para diante da cabana.  Esta foi envolvida por trevas, e só iria ser liberada se eu derrubasse meu amigo. Embora soubesse que ele era imaginário, como tudo ali, eu não sabia se estava pronto para puxar o gatilho contra ele. Contudo, ele não estava sozinho; Hartman apareceu como outro Taken e veio contra mim. Sorri. Este eu conseguia derrubar.

Atirei repetidas vezes contra ele, ignorando suas provocações. Também, era difícil se focar no que qualquer pessoa dizia com Barry não parando de falar mesmo possuído pelas trevas. Derrubei o doutor e surgiram Tor e Odin Anderson, também tomados pela escuridão. Era difícil atirar neles, mas eu não tinha muita escolha. E eles nem foram as últimas figuras conhecidas que foram jogadas contra mim. Barry estava me irritando ao ponto de que eu não tinha mais receio de encher a cara dele de balas.

Não era fácil
puxar o gatilho.
Por fim, era apenas Barry e eu. Ele foi o Taken mais formidável que já vi, com mais força que todos os outros, mais rápido que tudo que já enfrentei. Eu tive de armar uma armadilha para conseguir impedi-lo, soltando alguns sinalizadores para reduzir seu raio de movimento e, assim, focar a luz no caminho que ele podia tentar usar para me atacar. Usei um tiro de espingarda para fazê-lo recuar e depois puxei a arma sinalizadora, puxando o gatilho e deixando a esfera incandescente envolve-lo completamente com a luz. Era o fim do Barry Imaginário, e eu não podia deixar de me sentir mal.

A barreira sombria em volta da cabana cedeu, e já não era sem tempo. As trevas me fizeram erguer minhas armas até contra rostos que eu amava, nada mais podia me impressionar. Entrei na casa e andei até o escritório, onde encontrei meu corpo catatônico, desesperado, implorando pela morte. Aproximei-me e toquei-o, e imediatamente a perspectiva mudou. Eu estava dentro do meu corpo verdadeiro, com a mente clara. Retomar o controle fez com que Zane pudesse se aproximar novamente, e agora eu voltei a ser completo, pleno, sob controle.

Tinha de haver uma forma
de sair dali.
Contudo, eu sabia que havia feito um milagre. Eu não sei se conseguiria concluir o mesmo feito duas vezes. Eu tinha de sair dali, da forma que Zane não conseguiu. Eu não sabia se isso era sequer possível, mas eu tinha de fazê-lo e voltar para a minha vida. Meus pensamentos não tardariam para se perder nas sombras de novo, era fácil sair da linha em Dark Place. É por isso que ergui a cadeira e me sentei novamente diante daquela escrivaninha.

Antes eu estava pronto para aceitar a morte, aceitar desaparecer, mas agora eu sabia que existia um futuro para mim fora dali. Eu precisava sair e mostrar ao mundo que o oceano de escuridão, as muitas Presenças Negras, podiam afrontar de novo. Eu precisava ver Barry e Alice novamente. É por isso que eu comecei a escrever de novo, uma continuação para o livro Departure. Este se chamaria Return, este seria o meu retorno.


Agora eu sei quem sou. Meu nome é Alan Wake, e eu sou um escritor.

Isso conclui a última parte do nosso Blast Log de Alan Wake, terminando o último DLC do jogo, “The Writer”. Este capítulo final mostra que a trama de Alan pode não ter terminado, porque o seu combate com a escuridão ainda não teve um fim. Será que ele conseguirá emergir das trevas mais uma vez para o mundo real? Ou seu destino é se tornar algo como Thomas Zane? E o que é Mr. Scratch? Acho que isso tudo é uma história para ser contada outro dia…
Revisão: Leonardo Nazareth
Capa: Diego Migueis
Fellipe Camarossi é graduando em Ciências Contábeis e amante de uma boa discussão sobre videogames. Além de escrever para o Xbox Blast, também é redator nas revistas Nintendo World e EGW. Para elogios e críticas, pode encontrá-lo no Facebook ou Twitter.

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