Resenha

Dead Rising: Endgame cai em clichês e perda de identidade

Filme é um prólogo de Dead Rising 4, mas entrega um produto longe do humor da franquia da Capcom.

Depois do bem-sucedido Dead Rising: Watchtower (Zach Lipovsky, 2015), minhas expectativas estavam nas alturas com a sequência do longa-metragem para Crackle, intitulado Dead Rising: Endgame (Pat Williams, 2016), produzido novamente pelo estúdio Legendary Digital Media. Contudo, o filme, que perde todo o humor do primeiro com a ausência do icônico Frank West, sofre com situações clichês e personagens que simplesmente mudaram de personalidade de uma hora para outra.

Dead Rising sem Frank West?

O jornalista anti-herói mais famoso da franquia de zumbis da Capcom não é o protagonista em todos os títulos, contudo, é o personagem mais icônico do game e, para um filme que se propõe a adaptar a série Dead Rising, Frank West é indispensável, ainda mais quando se trata de um prólogo aos acontecimentos do novo jogo. A falta do ator e comediante Rob Riggle ocasionou uma extrema ausência de humor nesta sequência, quase criando uma produção fílmica independente do primeiro longa de Zach Lipovsky em 2015.

Dead Rising: Endgame se passa dois anos após os eventos de Dead Rising: Watchtower — cujos fatos ocorrem em 2017 —, localizando-se temporalmente em 2020, próximo ao novo surto do vírus zumbi que ocorre em Dead Rising 4 (XBO/PC), em 2021. O repórter Chase Carter retorna a East Mission com o fim de conseguir provas do envolvimento do exército na trama para matar os cidadãos infectados, além de revelar a verdade por trás do novo chip de dose concentrada de Zombrex, uma forma de rastrear todos os portadores do vírus.


Mudanças de personalidade e furos de roteiro

A maioria dos personagens do primeiro filme está de volta, como Dennis Haysbert no papel do General Lyons; Keegan Connor Tracy como Jordan Blair e Jesse Metcalfe na pele do herói Chase Carter. Porém, infelizmente, a atriz Meghan Ory, que fez o papel de Crystal, foi substituída por uma nova personagem, a namorada hacker de Chase, Sandra Lowe, interpretada pela atriz canadense Marie Avgeropoulos.

A falta de Crystal gerou uma grande ponta solta na história de Dead Rising: Endgame, que gira justamente em torno dos implantes de Zombrex nos infectados. Crystal foi uma das pessoas que recebeu o chip, mas a produção cinematográfica trata a personagem como se ela nunca tivesse existido. Nem mesmo Carter recorda da mulher que salvou sua vida no filme anterior. Ficou muito estranho e desconexo.


Falando em Chase Carter, o repórter deixou para trás toda sua personalidade piadista e materialista de Dead Rising: Watchtower e voltou quase como um melodramático Rick Grimes. O filme joga no lixo o humor que consagrou a franquia Dead Rising e traz uma narrativa à la The Walking Dead: cheia de seriedade, perdas e sofrimentos. Inclusive, a obra cinematográfica inicia com uma cena que faz uma referência ao primeiro episódio da clássica primeira temporada de The Walking Dead. Fanservice muito bem-vindo, porém, não precisava transformar Dead Rising: Endgame em The Walking Dead, não é? Estas são duas propostas muito diferentes e isso mostra que o diretor televisivo canadense Pat Williams, da série Continuum (Simon Barry, 2012), não soube dar continuidade ao trabalho de Zach Lipovsky.

Os vilões de Dead Rising: Endgame são óbvios desde o início, reduzindo os supostos momentos de reviravolta a nada, pois tudo já é esperado pelo espectador. A trama policial também vai por água abaixo nos esgotos de East Mission, pois o filme opta pela facilidade ao criar uma história regada a dramas e clichês do gênero, destruindo todo o aspecto investigativo de Dead Rising.


Antecedendo Dead Rising 4

Dead Rising: Endgame é belo tecnicamente, entrega um filme bem produzido, bem atuado e bem filmado, porém, faltou o mais importante: sua identidade. A obra cinematográfica parece um simples filme de zumbis e quase não se assemelha em nada a um filme de Dead Rising. O único ponto de conexão com o jogo é a trama sobre um novo vírus zumbi, que desemboca na história principal de Dead Rising 4. Contudo, isso é muito pouco para uma produção cuja proposta é adaptar um game para o cinema. Sendo assim, o resultado final deixa muito a desejar aos fãs do survival horror com elementos de ação e aventura da Capcom.

Revisão: Jaime Ninice
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt, Wattpad ou Twitter ela aparece.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook