Discussão

Os indies podem suprir a falta de exclusivos no Xbox One?

Será que iniciativas no cenário indie de games são o bastante para manter os fãs da Microsoft?

O recente anúncio do Xbox Live Creators Program, programa voltado a desenvolvedores indies que desejam publicar seus jogos para o Xbox One e Windows 10, bem como o futuro Project Scorpio, ressalta a intenção da Microsoft em se aproximar do cenário indie de jogos eletrônicos. No entanto, levando em conta os últimos cancelamentos de grandes exclusivos para o console, será que os games indies podem preencher a lacuna deixada pela falta de exclusivos no Xbox One?

Mais ou menos exclusivos?

O chefe da divisão do Xbox, Phil Spencer, afirmou que a Microsoft pretende focar em mais jogos exclusivos com a chegada do Project Scorpio, contudo as últimas ações da multinacional estadunidense demonstram ao contrário. No início do ano, houve o cancelamento do exclusivo mais aguardado pelos donos do console em 2017, o RPG Scalebound (XBO/PC), da Platinum Games, o que gerou preocupação por parte dos fãs quanto ao futuro da exclusividade no console.


A Microsoft continua a desfazer parcerias com third-parties e cancelar games exclusivos. Em 2012, a Microsoft cancelou o RPG Stormlands (X360) em parceria com a Obsidian; em 2015, a empresa paralisou a futura versão remasterizada do jogo de ação e estratégia Phantom Dust (XB), da própria Microsoft Studios; e em 2016, a companhia desistiu de dar continuidade ao RPG de ação cooperativo Fable Legends (XBO/PC), da Lionhead Studios, ocasionando o fechamento da produtora inglesa.

Com esse histórico preocupante é compreensível a apreensão dos jogadores quanto a novos exclusivos na plataforma. Os sucessos recentes da empresa de Bill Gates vieram de títulos consagrados das sagas Halo e Gears of War. É ótimo que a Microsoft zele pelos games que são a cara do console, contudo, já passou da hora da multinacional lançar novas IPs de pesos para o Xbox One e o Windows 10. Entretanto, na falta desses exclusivos, a aposta em jogos indies é suficiente?


ID@Xbox Game Fest e novas IPs

Em 2016, o programa ID@Xbox (Independent Developers @ Xbox) realizou o primeiro ID@Xbox Game Fest, um festival de jogos independentes que durou todo o mês de maio, permitindo aos jogadores conhecerem diversos games lançados através do programa de incentivo da Microsoft. Deste festival de jogos indies, surgiram grandes títulos como o jogo de tiro em primeira pessoa SUPERHOT (PC/XBO), da Pony Island; o novo game da Playdead, o jogo de plataforma 2D com resolução de puzzles Inside (PC/XBO) e o game 2D de aventura sobrenatural Oxenfree (Multi), da Night School Studio.

A intenção da Microsoft em investir em jogos independentes é louvável e, sem dúvida, abre múltiplas oportunidades para game designers que desejam publicar seus títulos através de uma plataforma consagrada e conhecida como a Windows Store. A iniciativa ajuda na visibilidade da indústria indie e facilita o acesso a essa vertente dos games que possui um grande nicho de fãs.


O problema não é a Microsoft investir em indies, mas a empresa usar este investimento como forma de suprir a falta de exclusivos do console. O Xbox deve ser capaz de cuidar de seus games exclusivos e patrocinar jogos indies ao mesmo tempo, pois para um console de porte grande e aclamado como o videogame de Bill Gates é essencial haver estas inúmeras opções ao jogador, principalmente quando se trata de exclusivos.

Indies e AAAs no mesmo caminho

Ano passado trouxe grandes títulos AAA para o console da Microsoft, como Quantum Break (XBO/PC) da Remedy, Forza Horizon 3 (XBO/PC) da Playground Games, Gears of War 4 (XBO/PC) da The Coalition, ReCore (XBO/PC) da Comcept e Dead Rising 4 (XBO/PC) da Capcom. Aliado a isto, o recurso da retrocompatibilidade tem feito a alegria dos gamers trazendo jogos clássicos do Xbox 360 de volta à ativa. Portanto, o cenário de exclusividade no Xbox ainda é forte, porém falta mais investimentos e apoio a estes jogos, gerar o interesse nos jogadores de forma duradoura, não simplesmente passar de forma despercebida entre os donos do console.


Há esperanças para a Microsoft retornar com força a produção e lançamentos de exclusivos para o Project Scorpio, o Xbox One e o Windows 10. Porém, deve haver um maior comprometimento da empresa ao investir nas IPs recém lançadas — como Quantum Break e ReCore —, e dar atenção aos novos exclusivos planejados para o console. Desta forma, a Microsoft cria um forte vínculo entre os jogadores e seus novos títulos AAA, bem como mantém o interesse e a divulgação do cenário indie de games.

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt, Wattpad ou Twitter ela aparece.

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