#QuantumBreak1stAnniversary: Quantum Break (XBO/PC), do protótipo à versão final — Parte 3 (Final)

O que mudou e o que ficou na nova IP da Remedy.

Após conhecermos as principais influências e inspirações, bem como os primeiros protótipos para o jogo de ficção científica de tiro em terceira pessoa Quantum Break (XBO/PC), da Remedy, nesta última parte do nosso especial sobre a produção da obra entenderemos como o jogo evoluiu de sua primeira demo pública para a versão final.

Northlight, a engine da Remedy

Quantum Break foi anunciado oficialmente durante a E3 2013. Na ocasião, uma demonstração do jogo com a cena do lapso temporal durante o ataque de drone à cientista Sofia Amaral foi mostrado. O propósito da demo foi demonstrar as capacidades gráficas e de desempenho da nova engine desenvolvida pela Remedy, a Northlight.


Primeiro trailer de Quantum Break

Assim como os jogos anteriores do estúdio, Max Payne (XB/PC) e Alan Wake (X360/PC), Quantum Break também foi criado a partir da engine da própria Remedy. Mas para a nova IP, a produtora finlandesa decidiu criar um novo motor gráfico que ampliasse a forma como a narrativa e o gameplay de seus jogos impactassem o jogador.

Segundo o diretor criativo, Sam Lake, a Northlight é a evolução do processo de narrativa dos jogos da Remedy. A nova engine congrega os principais atributos dos títulos da produtora, como: realismo cinematográfico, a partir de iluminação global e partículas de luz; dublês digitais, combinando animações de captura de movimentos com scanners 4D fotorrealísticos do elenco; destruição em larga escala, através de uma física que interage com o jogador em tempo real; som personalizável e sincronizado, no qual o game designer pode congelar, retroceder e editá-lo para criar sons ambientes ou de efeitos visuais; e sistema de luz que combina os melhores efeitos de Hollywood para criar cada cena com uma arte cinematográfica.

Quantum Break na E3 2013

Alteração de jogabilidade e elenco

No trailer de Quantum Break da E3 2013, o jogador teve contato com rostos conhecidos, como o ator estadunidense Sean Durrie como Jack Joyce; a atriz britânica Jeannie Bolet como Kate Ogawa; e a estadunidense Jacqueline Piñol como Sofia Amaral. Nesta fase, o jogo também foi anunciado como tendo três personagens jogáveis: Jack Joyce, Beth Wilder e Paul Serene.

No ano seguinte, durante a Gamescom 2014, a Remedy lançou um novo trailer do jogo, uma demo de gameplay protagonizada por Jack Joyce nos primeiros minutos do Ato 4, Parte 1: Ponte do Porto Donnelly. Neste trailer, já estava presente a voz da atriz estadunidense Courtney Hope como Beth Wilder, guiando Joyce pelo cenário ao invés de Ogawa como ajudante do herói.


Trailer de Quantum Break na Gamescom 2015

Foi somente em 2015 que Quantum Break apresentou o elenco oficialmente escalado para o jogo e a série em live action, bem como a jogabilidade escolhida pela Remedy, deixando de fora Wilder dos personagens jogáveis. No novo trailer do jogo apresentado na Gamescom 2015, Quantum Break exibiu pela primeira vez o ator canadense Shawn Ashmore como o protagonista Jack Joyce, e a adição do ator irlandês Aidan Gillen e o estadunidense Lance Reddick como os vilões Paul Serene e Martin Hatch, respectivamente.

No ano de lançamento, a Remedy e a Microsoft focaram na divulgação da principal novidade do jogo: um gameplay integrado a uma série em live action. O trailer The Cemetery foi o primeiro a introduzir o conceito cinematográfico de Quantum Break, o vídeo mostra Ashmore combatendo um exército da Monarch Solutions durante um lapso temporal.

Lance Reddick e Aidan Gillen foram os últimos nomes anunciados para Quantum Break

Monarch Solutions, a versão final de Quantum Break

Com o formato final de Quantum Break estabelecido, muito do conceito de enredo e dos personagens foi reformulado. Por exemplo, Sean Durrie que surgiu nas primeiras demos de jogo como Jack Joyce se transformou no taxista Nick Marsters; enquanto a trama, que apresentava o antagonista Paul Serene como um vilão óbvio, mudou para aprofundar as motivações de Serene e a série em live action passou a ser o lado da história contada de acordo com a visão de Paul, no lugar de Jack Joyce.

A Remedy também planejava lançar uma canção tema especial de Quantum Break, como o ocorreu com a música "The Poet and the Muse", de Alan Wake. Porém problemas contratuais impediram a colaboração, contudo Sam Lake revelou que a música para Quantum Break seria "The Labyrinth", da banda finlandesa Poets of the Fall, a mesma que trabalhou com a Remedy em Alan Wake e Alan Wake's American Nightmare (X360/PC).


Após a versão final de Quantum Break estar finalizada, a Remedy lançou no mesmo momento um material adicional: o livro Quantum Break: Estado Zero, do escritor australiano Cam Rogers. A obra literária é o primeiro trabalho da Remedy no campo da novelização de seus jogos, porém em vez de recontar a história do jogo, Quantum Break: Estado Zero aborda uma linha do tempo alternativa à do game e explora o passado de personagens e eventos centrais da trama.

Quantum Break foi lançado pela Remedy com o intuito de se tornar uma das novas franquias da produtora finlandesa. O jogo contempla um gameplay em terceira pessoa que privilegia o uso dos poderes de manipulação do tempo, bem como possui cinemáticas exuberantes, e uma série em live action com conexões importantes à história que leva o jogo à beira de um filme interativo.


Através da tecnologia da Northlight, o elenco de qualidade de Quantum Break e a riqueza de enredos complexos de Sam Lake e sua equipe, a Remedy conseguiu atingir um novo patamar nos jogos eletrônicos: ação cinematográfica em um híbrido entre videogames e cinema.

Revisão: Vitor Tibério
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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