Discussão

#QuantumBreak1stAnniversary: Existem finais bom e ruim em Quantum Break (XBO/PC)?

De que lado você está? Joyce ou Serene?

Com quatro pontos de bifurcação com duas opções nas quais o jogador escolhe o rumo da história, o jogo de ficção científica de tiro em terceira pessoa Quantum Break (XBO/PC), da Remedy, possui quarenta e duas linhas do tempo, mas com dois finais distintos. Contudo, existe um final bom e um final ruim?
ALERTA DE SPOILER!
O texto a seguir possui spoilers da história de Quantum Break.

O mistério dos dois finais

Uma das reclamações dos jogadores quanto ao sistema de escolhas de Quantum Break foi o jogo, aparentemente, não possuir mudanças drásticas na narrativa. Fato que gerou até um certo grau de desconhecimento entre os gamers sobre os dois finais do título. Para os familiarizados com o estilo da Remedy, sabem que a grande aposta do estúdio é sempre na história de seus jogos e em Quantum Break não foi diferente.

Toda bifurcação temporal possui escolhas que alteram o destino de personagens no jogo e na série em live action, algumas vezes mais em um do que em outro. Então, se o jogador tem o costume de pular as cinemáticas e os episódios não notará muita diferença durante a campanha do game. Outro ponto a ser ressaltado é que a documentação encontrada ao longo do jogo também muda de acordo com as decisões tomadas.


Se o jogador optar por uma abordagem mais heroica de Serene, o antagonista será visto como uma pessoa boa pelos funcionários. Os documentos da campanha exibirão mensagens de apoio e comentários que defenderão a posição do fundador da Monarch, bem como demonstrarão a disposição da equipe em auxiliá-lo com o plano do Protocolo Salva Vida. Todavia, se a abordagem de Paul for violenta, os itens encontrados no jogo exibirão mensagens de medo e transmitirão o terror que os funcionários sentem pela insanidade de seu patrão.

Para exemplificar as consequências no jogo e na série, tomemos a Bifurcação 1: RP/Linha Dura. A escolha inicial desencadeará eventos que seguirão o jogador por todo o gameplay com mais notoriedade; porém há escolhas que são mais efetivas na série do que no gameplay, como a Bifurcação 2: Pessoal/Negócios e Bifurcação 3: Sofia Amaral/Martin Hatch, ambas opções geram eventos mais perceptíveis na série do que propriamente na campanha.


Escolhas no jogo e na série

As inúmeras linhas temporais de Quantum Break levam a diferentes finais para determinados personagens, todos exibidos na série com elenco real, com exceção de Paul Serene, o desfecho do principal antagonista se dá no próprio jogo. Dependendo das escolhas do jogador durante o gameplay, personagens que podem morrer na série são Amy Ferrero, Liam Burke, Charlie Wincott e Sofia Amaral.

Mas afinal, quais são os dois finais de Quantum Break? Essencialmente, as circunstâncias da batalha final entre Jack Joyce e Paul Serene são as mesmas, porém a mudança existe no diálogo entre os antigos melhores amigos. Os dois finais são originados a partir da Bifurcação 4: Controle/Rendição, cada escolha gera uma reação de Serene ao Protocolo Salva Vidas e seu plano para salvar o mundo do Fim do Tempo.


Se o jogador optar por Controle, o vilão não se entregará à doença da Síndrome de Cronum e, mesmo enfraquecido pelo tratamento, Paul lutará contra Jack Joyce no intuito de proteger o Protocolo Salva Vidas e salvar o mundo. Porém, se o jogador escolher Rendição, o antagonista se entregará completamente à insanidade e à paranoia causada pela doença temporal, então, na batalha contra Jack, Serene deseja apenas morrer e deixar que o Fim do Tempo acabe com a humanidade.

Ajudar ou não ajudar o vilão?

Durante todo o jogo e a série, o vilão Paul Serene sofre com os sintomas da Síndrome de Cronum, porém é apenas no final de Quantum Break que o antagonista precisa tomar uma decisão definitiva sobre sua situação: deixar a doença controlá-lo por completo ou resistir aos seus efeitos. Nesse cenário, será que há um final bom e um final ruim para Quantum Break?


Tudo depende do ponto de vista do jogador. Se você acha válido que o vilão desista de seus planos e se entregue à loucura, seu "final bom" será com Serene completamente insano. Todavia, se você pensa que o vilão não deve se render à doença, mas ir em frente com o Protocolo Salva Vidas, o "final bom" será com Paul lutando até o fim para manter o controle da Síndrome de Cronum.

Jogadores e críticos da área gostam de classificar jogos com finais alternativos com "final bom" e "final ruim" e, de fato, alguns jogos realmente se utilizam dessa mecânica, mas em Quantum Break a situação é diferente devido ao jogo apresentar o ponto de vista do herói e do vilão, que estão essencialmente buscando a mesma coisa: salvar o mundo.


O peso da decisão

Em um quadro no qual ambos os protagonistas possuem um motivo nobre para usar a medida de resposta e a máquina do tempo, é difícil mensurar qual método é o melhor para salvar o mundo do Fim do Tempo. Devemos dar continuidade ao Protocolo Salva Vidas ou impedir o plano de emergência? No fim das contas, o fator de maior decisão na bifurcação final é escolher entre deixar Paul Serene morrer entregue à doença ou morrer lutando até o fim pelo o que acredita.

Através da campanha de Quantum Break, o jogo nos dá todos os motivos para acreditar que o plano de William Joyce para consertar o tempo é o ideal, entretanto é complicado para qualquer pessoa ver alguém desistir de sua vida e enlouquecer completamente. Mesmo Serene sendo um vilão, podemos compreender o lado dele da história e nos solidarizar com seu sofrimento, causado pela Síndrome de Cronum.


Sabemos que Paul Serene irá morrer na luta contra Jack Joyce, indiferentemente se ele vai se render ou controlar a Síndrome de Cronum. O personagem sabe de seu destino, mas o que está em jogo é como ele chegará ao seu final: lutando ou desistindo? Apesar dessa reflexão sobre ambos os finais, todo jogador pode pensar bem diferente. Na minha opinião, Paul tentou fazer o certo, mas do jeito errado. Acredito que o final bom seria não o deixando ser tomado pela doença, mas mantendo-o são para lutar pelo que acredita até o fim. Contudo, cada jogador tem a liberdade de julgar o que é um final bom e um final ruim em Quantum Break.

Revisão: Vitor Tibério
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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