Analógico

#QuantumBreak1stAnniversary: Quantum Break (XBO/PC) e as teorias de física quântica — Teoria das Cordas

Entenda a ciência de Quantum Break.

Diretamente ligada à teoria de física quântica sobre Universos Paralelos, nesta parte do nosso especial sobre as teses quânticas presentes no jogo de ficção científica de tiro em terceira pessoa Quantum Break (XBO/PC), da Remedy, conheceremos a Teoria das Cordas, hipótese da mecânica quântica que é o fundamento da máquina do tempo construída por William Joyce.
ALERTA DE SPOILER!
O texto a seguir possui spoilers da história de Quantum Break.

Buraco negro como máquina do tempo

Construída em 1999, a primeira máquina do tempo funcional foi projetada por William Joyce e funcionava à base de partículas cronum coletadas na área industrial de Riverport. Na ocasião, William tinha a intenção de usar a si próprio como cobaia de teste para viajar no tempo, porém após a ativação da máquina William Joyce foi surpreendido por um tiro do Paul Serene do futuro e salvo por Beth Wilder. 


Depois do incidente com a máquina do tempo, o físico desistiu da ideia de usá-la. Baseado nas informações da Wilder de 17 anos no futuro, no qual ela o avisou sobre a ruptura no tempo, William passou os próximos 11 anos construindo a medida de resposta, um dispositivo à base de partículas cronum capaz de impedir a ruptura temporal e restaurar a linha do tempo original.

O motivo para a falha que causou a ruptura do tempo e o consequente Fim do Tempo no futuro é a máquina ter um núcleo que reproduz os efeitos instáveis de um miniburaco negro. Seguindo os estudos de William Joyce, a máquina do tempo une a teoria das partículas cronum em conjunto com a tese de que um buraco negro pode criar uma deformação do espaço-tempo, possibilitando a viajem temporal.

Deformação do espaço-tempo

De acordo com a Teoria da Relatividade Geral, publicada pelo físico teórico alemão Albert Einstein em 1915, a gravidade é uma propriedade geométrica do espaço e do tempo, no qual é possível modificar a passagem do tempo, bem como noções de espaço, movimento e luz. Tal hipótese leva à existência dos buracos negros, uma região do espaço sideral com deformação do espaço-tempo.

Teoricamente, essa deformação causada pela colisão de uma estrela com uma matéria astronomicamente maciça e compacta possui capacidade para realizar uma dobra de espaço-tempo, o que permitiria a viagem pelo tempo, bem como entre mundos. Em Quantum Break, estamos cientes de que a Teoria dos Universos Paralelos é aplicada às bifurcações temporais comandadas pelo vilão Paul Serene. Nesse cenário, a Teoria das Cordas se faz presente.


Segundo a Teoria das Cordas, existe um multiverso de universos, ou seja, há milhões de universos. Por exemplo, as equações de Einstein sobre a Teoria do Big Bang dizem que nós estamos em um universo em contínua expansão; na Teoria das Cordas, há outros universos lá fora, igualmente se expandindo ou se unindo a outros universos, o que gera inúmeros universos com distintos mundos paralelos. Essa ramificação de universos é comparada com a multiplicidade das cordas, por isso o nome Teoria das Cordas.

Um caminho entre mundos

Em Quantum Break, a maior disputa ideológica entre o herói Jack Joyce e o antagonista Paul Serene é sobre a possibilidade de mudar o passado e alterar o futuro a partir da viagem no tempo. Toda a filosofia de vida de Paul é baseada na ideia de que é impossível alterar o passado, enquanto Jack acredita que há uma maneira de mudar os acontecimentos futuros modificando o passado.


A discussão entre os dois melhores amigos tem origem na Teoria das Cordas. Conforme essa tese, um buraco de minhoca, um atalho através do espaço-tempo, poderia permitir a viagem entre mundos e universos diferentes, ou seja, permitindo também a viagem no tempo. Nesse âmbito, cada universo é representado por uma corda com trançados que simbolizam os infinitos mundos paralelos.

A partir dessa teoria, a percepção de Paul é de que ele viu todos os possíveis futuros desse universo, todos os mundos paralelos aos quais cada escolha dele levaria e nenhuma contempla um mundo no qual o passado tenha mudado, apenas os eventos do futuro. Ao mesmo tempo, Jack acredita que há uma maneira de ultrapassar essa singularidade, ponto infinito do espaço-tempo capaz de viajar entre universos, e alcançar a realidade de outro universo, no qual os acontecimentos originados em Riverport mudem drasticamente.


Tanto Quantum Break quanto o livro Quantum Break: Estado Zero não dão uma resposta definitiva aos enigmas da física quântica, muito menos uma solução para o embate entre os personagens do jogo. Contudo, a ficção científica da Remedy é a escolha certa para aqueles que amam uma boa história e adoram elaborar teorias e possíveis continuações para a história do game.

Revisão: Vitor Tibério
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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