O retorno da Rare ao hall de grandes jogos da Microsoft

O que o lançamento de Sea of Thieves significa para o futuro da produtora britânica.

Parceira da Microsoft desde o Xbox original, a produtora britânica Rare é uma das maiores first-party da multinacional de Bill Gates. Após anos desenvolvendo jogos para o sensor de movimentos Kinect, a companhia quase caiu no esquecimento. Porém com os novos rumos e projetos da Microsoft, a produtora voltou a desempenhar um papel primordial para os fãs do Xbox e este ano a Rare lança sua nova IP, o multiplayer cooperativo Sea of Thieves (XBO/PC).

De Ultimate Play the Game a Rare

Antes de se tornar a Rare, a produtora se chamava Ultimate Play the Game, fundada pelos game designers britânicos Tim e Chris Stamper em 1982. O primeiro trabalho dos irmãos foi o shooter arcade Jetpac, para as plataformas ZX Spectrum e VIC-20. O jogo foi um sucesso de críticas e vendas, vencendo o prêmio Jogo do Ano do Golden Joystick Awards de 1983.

O shooter rendeu mais duas sequências, Lunar Jetman, para ZX Spectrum e BBC Micro; e Solar Jetman: Hunt for the Golden Warpship (NES), ambos igualmente elogiados e bem-recebidos por sua mecânica de jogabilidade fluída, gráficos coloridos para a época e o elevado nível de dificuldade que desafia o jogador.
Com a atenção da indústria de jogos voltada para a Ultimate Play the Game, logo surgiram propostas de compra da produtora, vendida em 1985 para a U.S. Gold. Entretanto os irmãos Stamper compraram de volta a desenvolvedora em 1988, mudando o nome para a qual ficaria mais conhecida: Rare.

Entre Nintendo e Microsoft

Com os direitos autorais de volta às mãos dos game designers Tim e Chris Stamper, a Rare teve uma parcela de sua companhia comprada pela Nintendo em 1994, fazendo da desenvolvedora japonesa a nova sócia do estúdio de jogos eletrônicos. Entre os títulos lançados, se destaca a trilogia Donkey Kong Country (SNES/GBC/GBA), Donkey Kong Country 2: Diddy's Kong Quest (SNES/GBA) e Donkey Kong Country 3: Dixie Kong's Double Trouble! (SNES/GBA) entre 1994 a 1996.

Nos dois anos seguintes, a Rare lançaria seus maiores personagens originais: Conker, o esquilo e Banjo, o urso. Primeiro jogo original da Rare, o game de corrida Diddy Kong Racing (N64) trouxe Conker como um dos personagens, ao lado o gorila Diddy Kong. Em 1998, a produtora lançou Banjo-Kazooie (N64/X360), protagonizado pelo urso Banjo e sua amiga pássara Kazooie. Ambos os títulos foram sucesso absoluto e colocaram a Rare no patamar das grandes desenvolvedoras de jogos eletrônicos.

Porém com o encarecimento gradual da produção de jogos e como second-party da Nintendo, a Rare parou de receber aumentos de investimentos da companhia japonesa, tornando insustentável a situação financeira da produtora britânica. Depois de uma parceria de oito anos, a Rare desejava sua compra pela Nintendo, mas com o corte de verbas, logo os irmãos Stamper perceberam que a desenvolvedora japonesa não estava interessada em adquirir o estúdio.


Neste cenário, a Rare passou a procurar potenciais compradores e em 2002 ela foi comprada pela multinacional estadunidense Microsoft. Nos primeiros anos, a Rare continuou a desenvolver jogos para os consoles da Nintendo, contudo com a entrada da Microsoft no mercado de jogos eletrônicos, a produtora passou a focar em exclusivos para o então novo console.

O primeiro jogo desenvolvido pela Rare para a Microsoft foi a aventura Grabbed by the Ghoulies (XB), de 2003. Recebido com críticas mistas, o título foi considerado o pior jogo da Rare. Então, a produtora lançou o game de plataforma Conker: Live & Reloaded (XB), remake de Conker's Bad Fur Day (N64), apesar de ter sido elogiado pela evolução gráfica e mecânica, assim como o anterior, o título foi um fracasso comercial.

O reconhecimento só veio com a chegada do Xbox 360, em 2005, quando a Rare lançou o jogo de tiro em primeira pessoa Perfect Dark Zero (X360) e a aventura Kameo: Elements of Power (X360), aclamados pela crítica e sucesso entre os jogadores. No ano seguinte, a produtora lançou o inovador jogo de simulação de vida animal Viva Piñata (X360/PC).

Transição para o Kinect e retorno aos AAAs

Apesar dos jogos da Rare da era do Xbox 360 terem alcançado boas críticas e serem muito vendidos, os títulos foram considerados abaixo da expectativa pela Microsoft. Assim, a empresa decidiu reestruturar a Rare e, entre 2009 a 2014, o estúdio britânico passou a trabalhar para a divisão de jogos voltados para o Kinect.

Kinect Sports (X360) de 2010 foi sucesso absoluto de vendas, originando a sequência Kinect Sports: Season Two (X360) no ano seguinte. Em 2013, a Rare, em parceria com a Double Helix Games, Iron Galaxy Studios e a Microsoft Studios colaborou com o jogo de luta Killer Instinct (Multi), um dos primeiros títulos para o recém-chegado Xbox One.

Com a nova geração de consoles, as expectativas para os jogos de Kinect da Rare eram altas. Todavia, o fracasso de Kinect Sports Rivals (XBO), de 2014, fez com que a Microsoft abandonasse a divisão de jogos voltados ao sensor de movimentos. Almejando um retorno a toda criatividade e originalidade dos títulos da Rare, em 2015 a Microsoft Studios publicou a coletânea Rare Replay (XBO), coleção dos melhores títulos da produtora britânica em seus 30 anos de carreira.


No mesmo período, a Rare recebeu o aval da Microsoft para produzir sua nova IP, o multiplayer cooperativo Sea of Thieves. O jogo recebeu atenção total e todo investimento necessário, tornando-o o maior exclusivo do Xbox One para 2018. O jogo de piratas marca não apenas uma nova fase de games da Microsoft, como também é o retorno de uma das melhores e mais icônicas produtoras de games ao cenário dos grandes títulos de jogos eletrônicos.

Revisão: João Paulo Benevides
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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