Jogamos

Análise: South Park: The Stick of Truth é o maior RPG live-action da história

South Park: The Stick of Truth traz à pacata cidadezinha a maior sessão de RPG live-action já vista

Oh meu Deus! Eles mataram o...mentirinha, eles não mataram o Kenny. Na verdade, o encapuzado garoto de fala incompreensível deu lugar à princesa Kenny, a dama mais bela de todo o reino. E ele não foi o único a adotar vestimentas medievais e sair para se aventurar na insanidade que é South Park. Cartman, Stan, Kyle e a molecada da cidade também embarcaram na jornada para conseguir o Stick of Truth.

Depois de seu conturbado desenvolvimento, que começou com seu anúncio pela THQ e quase não viu a luz do sol após a falência da produtora, South Park: The Stick of Truth (X360) caiu nas mãos da Ubisoft, e chega ao Xbox 360 trazendo todo o humor negro gratuito pelo qual a polêmica série é conhecida. Adotando o esquema dos clássicos RPGs por turnos clássicos, você entrará na pele de um novo garoto na cidade, que passará por árduas tarefas para ser considerado popular.

A jornada pela conquista do universo

Durante milênios, os humanos lutaram contra os elfos negros pelo controle do poderoso artefato, o Stick of Truth. Liderando os humanos, temos o Grande Mago, conhecedor dos profundos segredos da magia. Do outro lado, temos os elfos negros, liderados por seu rei, dotado de um poderoso exército e controle dos elementos. E de um certo bebê que ele chuta de vez em quando.

Quem o tem em sua posse, controla todo o universo
Como se já não bastasse o enorme clichê descrito no parágrafo acima, uma profecia anuncia a chegada de um herói desconhecido, que dará fim a guerra milenar. Ao mesmo tempo, um certo “menino novo” chega à cidade e, de repente, se vê incluso no maior RPG ao vivo da história, englobando toda a cidade.

Cuidado para não confundir desenho com jogo

Nunca tivemos um jogo que parecesse exatamente igual ao famigerado desenho, principalmente por limitações técnicas da época. Desta vez, South Park é mostrada em todo seu esplendor. Todos os pontos conhecidos da cidade estão lá: A escola, a loja de armas do Jimbo e o ponto de ônibus escolar, servindo como um ponto de transporte da carruagem de Sir Timmy, entre muitos outros.

Embora seja o palco central da aventura, South Park não será o único local no qual suas aventuras o levarão. Abduções alienígenas, aventuras pelo esgoto e até uma viagem pelas atrasadas terras canadenses farão parte do roteiro que seguirá para conquistar o famigerado Stick of Truth. A verdade é que a todo momento você se sente dentro de um episódio da série.

Sigam a voz da experiência: judeus não lutam como clérigos

Lembre-se: Nunca peide nas bolas de alguém

Tome cuidado, pois a qualquer momento você pode cair na gargalhada com alguma das esdrúxulas habilidades presentes jogo. Cada uma delas é dividida pela respectiva classe de seu personagem, além de golpes especiais como magias e invocações, no qual personagens secundários da série também fazem sua participação com golpes que devastam o inimigo e sua seriedade. Seus inimigos cairão literalmente de joelhos caso adote as tradições judaicas de sua classe.

Os combates do jogo foram inspirados fortemente nos títulos de RPG da série Super Mario, utilizando o esquema de turnos mas o fazendo participar diretamente no ataque e na defesa através de comandos que, se realizados no timing correto, podem evitar danos maiores ou causar grandes estragos nos inimigos. O sistema funciona muito bem e, com a combinação de equipamentos e habilidades corretas, pode dizimar até mesmo os chefes do jogo. Mas lembre-se: nunca peide nas bolas de alguém.
Já que mencionamos os equipamentos, eles entram no mesmo nível de ridicularidade encontrado durante o jogo inteiro. O arsenal disponível dentro do game possui grande diversidade e nele é possível se deparar tanto com inofensivas bolas de quicar a até mesmo armas alienígenas. Porém, em alguns momentos uma simples bola inocente pode se revelar brutal, graças aos poderes concedidos adesivos.


Adesivos são acessórios colocados em armas e armaduras que podem conferir efeitos diversos, que vão desde a danificar quem o atacar corpo-a-corpo ou colocar seus inimigos em chamas caso tenha executado um ataque com perfeição.

Transições demoradas quebram o ritmo

Um problema comum em jogos de mundo aberto, algumas transições de cenário em South Park: The Stick of Truth apresentam lentidão, quebrando o ritmo de jogo, principalmente em passagens simples do mapa, levando cerca de 30 segundos a um minuto para acontecer. Talvez um modelo no qual os cenários já começassem pré-carregados pudesse ser melhor, mas até mesmo esta solução pode desagradar a alguns.

Como existem muitos menus para se interagir, contendo entre eles um mapa completo da cidade assim como seu inventário completo, o tempo de carregamento destes também leva considerável tempo, o que torna a tarefa de tomar uma simples poção ou consultar o mapa demasiado demorada.

South Park: The Stick of Truth cumpre a promessa?

Títulos licenciados sempre carregam o estigma trazido por más adaptações, mas South Park: The Stick of Truth surge como uma exceção à regra das adaptações de programas de TV ou filmes, sendo fiel ao desenho e transportando seus elementos de maneira competente aos videogames. É arriscado dizer que South Park: The Stick of Truth é a melhor adaptação já criada, mas, se não for, chega bem perto disso. A nível pessoal, é seguro dizer que a jornada épica dos moleques desbocados é sim a melhor adaptação já criada. Concorda? Discorda? Deixe sua opinião logo abaixo, mas sem falar m#!*@, ok?

Prós

  • O humor da TV transportado fielmente para os videogames;
  • O sistema de RPG por turnos inspirado em Super Mario RPG funcionou muito bem;
  • Brinca e faz referências com os clichês estabelecidos pelos RPGs de videogame;
  • Ter que pausar para rolar de rir em vários momentos.

Contras

  • Tempo de carregamento em transição de cenários quebra o ritmo do jogo;
  • Mesmo problema acontece ao navegar pelos menus.

South Park: The Stick of Truth (X360) - Nota final: 9,0
Revisão: Jaime Ninice
Capa: Diego Migueis
Filipe Salles é formado em Administração de Empresas pela UNIGRANRIO, joga videogame desde os quatro anos. Nerd assumido, adora falar sobre cultura geek e videogames, o que o levaram à redação do Xbox Blast e da PlayerTwo. Está no Facebook e Twitter.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook