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Análise: Halo 5: Guardians mostra todo o poder técnico do Xbox One

Profundo, frenético e belo, Halo 5: Guardians é, com esmero técnico, um dos melhores jogos dessa geração.


Um dos títulos mais aguardados desde o lançamento do Xbox One, no final de 2013, Halo 5: Guardians finalmente desembarca na atual geração, trazendo várias novidades e prometendo uma experiência inigualável na franquia. Mas será que a nova aventura de Master Chief, agora dividindo o peso das responsabilidades com Spartan Locke, realmente faz jus ao legado da série? Isso você só vai descobrir depois que acompanhar a nossa análise. Pronto para a caçada?

Preparando a chegada do herói

Símbolo máximo da Microsoft nos videogames, a série Halo marcou a história dos consoles da empresa com títulos grandiosos. Sendo assim, a expectativa para um novo jogo da franquia, agora no Xbox One, era enorme, principalmente depois da ótima demonstração que foi Halo: The Master Chief Collection (XBO).

Tudo começou na E3 2013, em um vídeo mostrando Master Chief vagando por um deserto. Depois, em 2014, vieram mais novidades, como o título e o anúncio do lançamento para 2015. Por fim, após quase dois anos de espera, o jogo chegou às prateleiras — e lojas digitais — do mundo todo, em 27 de novembro de 2015.

Dividindo as responsabilidades

Seguindo os acontecimentos de Halo 4, somos apresentados a um cenário bastante confuso e instigante. O lendário herói Master Chief, após as enormes perdas do jogo anterior, decide encontrar respostas para as dúvidas que o atormentam, questionando as suas próprias crenças e deveres. Para isso, ele segue o seu próprio caminho, longe de ordens e comandos superiores da UNSC. O problema é que, com isso, o protagonista termina sendo considerado um desertor.

É neste momento que entra em ação o novo time de Spartans. Liderados por Locke, o Fireteam Osiris recebe uma missão secreta para resgatar a Doutora Catherine Halsey e é designado para a caça de Master Chief, ao mesmo tempo que precisa resolver o desaparecimento misterioso de colônias humanas inteiras. É neste cenário de guerra, indecisões, provações e conflitos internos que Halo 5: Guardians se sustenta para gerar uma incrível dualidade entre os diferentes motivos — ou não — que levam os dois heróis a entrarem em conflito.

Como as artes de divulgação e a própria capa do jogo sugerem, a aventura é dividida entre Locke e Chief, mas é sob o comando do espartano mais moderno que iniciamos a jornada. E não é um começo qualquer, as cenas iniciais são fantásticas, de tirar o fôlego. É impressionante observar cada mínimo detalhe. A textura das armaduras, o realismo da pele e da movimentação dos personagens, os cenários e as tomadas que fazem Halo 5 são dignos de grandes filmes de ficção científica de Hollywood. E tudo roda a incríveis 1080p e 60 fps.

Se não bastasse o enorme detalhamento gráfico, o jogo é totalmente dublado, com atuações convincentes. Arrisco dizer que Halo 5 tem uma das melhores, senão a melhor, dublagem do Xbox One, trazendo ainda mais emoção para o desenrolar da trama, que somada à estonteante trilha sonora orquestrada — gravada em grande parte no Abbey Road Studios, onde os Beatles gravaram canções memoráveis —, traz uma sensação única de pertencimento àquele ambiente desconhecido e hostil.

Esmero técnico 

O início do jogo é arrassador. Após as cenas em CGI, que nada devem às superproduções do cinema, somos levados para o ápice de um confronto frenético. Mal dobramos a primeira esquina, damos de cara com uma horda de inimigos selvagens, atirando e saltando para todos os lados. Foi preciso descobrir os comandos enquanto era atacado por todas as direções. Mas, é neste instante que vemos que os comandos são muito intuitivos, simples e eficientes.

Este cenário de combates frenéticos será constante ao longo de toda a campanha. São poucos os momentos que você poderá parar para respirar e admirar os belos cenários construídos pela 343 Industries. Os inimigos surgem de todas as direções. Não pense que eles estão lá apenas para atrasar o seu caminho, muito pelo contrário, a IA é bastante convincente e desafiadora, principalmente nos níveis mais elevados de dificuldade. Nessas ocasiões, você precisará da ajuda do seu time.

Diferente da maioria dos outros jogos da franquia, em Halo 5 temos companhia durante a campanha principal, nos dois times. Seja com Locke ou com Chief, somos seguidos por mais três Spartans. Caso prefira jogar sozinho, os ajudantes são controlados pela IA — e não decepcionam. Mas aconselho que chame mais três amigos para jogar, pois o modo campanha online é muito mais divertido.

Embora você consiga dar ordens para os Spartans controlados pela IA, não se comparam às estratégias que podemos traçar com outros amigos, além, claro, de poder conversar com seus companheiros durante a jogatina.

Aprimorando o clássico

Como já disse antes, a campanha é dividida em momentos sob o controle de Locke e outros sob o de Master Chief. Cada um possui diferenças sutis na jogabilidade e na forma de encarar as missões, tornando a jornada bem diversificada. Com Locke, os cenários são mais abertos, claros e vibrantes. Além de que o time é bem comunicativo e descontraído. Já sob o comando de Master Chief, o game assume uma postura mais séria e desafiante. Os cenários costumam ser mais escuros e fechados, as investidas inimigas são mais pesadas e mortais, e a trilha de fundo soa melancólica, assim como as falas contidas e aparentemente tristes do velho herói, deixando tudo mais tenso.

Provavelmente, essas diferenças agradarão a todos os tipos de jogadores, que poderão se identificar com as diferentes propostas. Enquanto os espartanos de primeira viajem poderão curtir Locke e o seu time mais moderno e comunicativo, os fãs de longa data, como eu, ficarão muito mais propícios a se identificar com o velho Spartan 117. De qualquer forma, os dois times são igualmente cativantes, porém, o tempo controlando Locke é bem maior, o que pode frustar um pouco os fãs mais antigos.

Outro ponto que pode deixar os jogadores um pouco furiosos é a curta duração da campanha, principalmente pelas promessas da 343 Industries. A desenvolvedora prometia um modo campanha muito maior do que o do antecessor, contudo, você completa os 15 estágios do jogo em oito ou dez horas. Até que não é pouco tempo, mas o ritmo do jogo é tão intenso e cativante que você chegará ao final sem perceber.

Mas não se preocupe, pois Halo 5 tem muita coisa para ser feita. No próprio modo campanha, é possível procurar por itens colecionáveis escondidos ao longo das fases. Além do mais, terminar o jogo na companhia de novos amigos será algo você fará várias vezes, seja pela diversão do jogo ou até para explorar novos locais na imensidão dos cenários — embora o jogo seja linear, os cenários permitem muitas rotas diferentes na hora dos combates.

Zona de Guerra

Além das 15 fases que completam o emocionante modo principal do jogo, outro grande atrativo do título é o multiplayer competitivo, dividido em dois modos: Arena e Zona de Guerra. No modo Arena, teremos o tradicional 4 x 4, com subdivisões em Arena em Equipe, Assassino, Fuga, Liberado para Todos e SWAT. Já no modo Zona de Guerra, 24 jogadores e mais diversos inimigos controlados pela IA irão se enfrentar em campos enormes. Tive a oportunidade de experimentar os dois modo na companhia do amigo Filipe Salles, ex-redator do GameBlast e agora do GameWorld, e posso garantir que é simplesmente destruidor — tirando o fato de termos perdido todas as partidas.

Esses modos colocarão à prova todas as suas habilidades no comando dos Spartans, que por sinal sofreram inúmeras melhorias em comparação com os títulos anteriores. Toda a jogabilidade de Halo 5 foi modernizada, aproximando-se muito de outros FPS de sucesso, contribuindo para combates mais rápidos, fluidos e frenéticos: mirar, atirar, correr, saltar e usar os propulsores, tudo ao mesmo tempo, enquanto encara dezenas de inimigos, será tão natural quanto nos clássicos dos e-sports atuais.

Para completar a experiência, temos um novo sistema de recompensas, chamado REQ system. Com pontos obtidos durante o jogo — ou comprados com dinheiro real — você pode adquirir packs de cartas que liberam novos equipamentos, armas, veículos e skins para o seu Spartan nos modos competitivos, contribuindo ainda mais para a longevidade do jogo. Com certeza não faltará o que fazer em Halo 5.

A caçada definitiva 

Se você já é fã da série ou acabou de descobrir um dos maiores universos da ficção científica nos videogames, não perca tempo. Halo 5: Guardians é um dos melhores jogos desta geração. Visuais belíssimos em 1080p e 60 quadros por segundo, trilha sonora digna de grandes produções do cinema, dublagem de qualidade, jogabilidade moderna, combates de tirar o fôlego, trama cativante e modos cooperativos e competitivos primorosos são só alguns dos atrativos que te esperam nesse jogo que faz jus ao legado da série, em uma das melhores produções técnicas do Xbox One.

Prós

  • Visuais impressionantes;
  • Trilha sonora soberba;
  • Jogabilidade modernizada;
  • Combates desafiadores e incessantes;
  • Ótima localização para o público brasileiro;
  • Multiplayer divertido e diversificado;
  • Primor técnico inigualável.

Contras

  • Campanha principal curta;
  • Master Chief pouco explorado;
  • Trama confusa.
Halo 5: Guardians — Xbox One — Nota: 9.5
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Daniel Serezane 
Ítalo Chianca escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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