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Análise: Batman Arkham Asylum (X360)

Toda a adaptação de um super-herói para os videogames é acompanhada de uma certa descrença por parte de todos. Não é para menos, se os mocin... (por Alberto Canen em 07/08/2012, via Xbox Blast)

Toda a adaptação de um super-herói para os videogames é acompanhada de uma certa descrença por parte de todos. Não é para menos, se os mocinhos fazem muito sucesso em outros campos, como em desenhos animados e histórias em quadrinhos, o mesmo não pode ser dito em relação aos games. Porém, Batman: Arkham Asylum chegou para mudar essa história, tanto que o jogo já entrou para o Guinness Book, o Livro dos Recordes, como o “jogo de super-herói mais aclamado da história”. Nada mal para a Rocksteady Studios, desenvolvedora do game.



As distribuidoras do jogo: Eidos Interactive, Warner Bros. Interactive Entertainment, DC Entertainment e Square Enix (no Japão) também não tem do que reclamar, pois o jogo com pouco mais de um mês já havia vendido mais de 2 milhões de cópias. E foi merecido.

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O roteiro do game é uma adaptação da graphic novel (uma espécie de livro em quadrinhos) homônima "Batman: Arkham Asylum". Mas é apenas baseado na história, tomando outro curso, e não segue os acontecimentos da excelente revista, que é assinada por Grant Morrison e Dave McKean.

O jogo já começa com Batman entregando o Coringa ao Asilo Arkham, após capturar o bandido. Contudo, o Homem-Morcego está muito desconfiado, pois o “palhaço” criminoso claramente facilitou essa prisão; praticamente se entregou. Claro que o “Morcegão” iria acompanhar de perto até que o seu arqui-inimigo estivesse “bem acomodado” em sua devida cela.

Paul DiniComo era de se esperar, o Coringa tinha armado mais uma armadilha e escapa, com a ajuda da Arlequina, para dentro do asilo, assumindo controle do local e dos perigosos detentos que ali estão encarcerados. Na verdade, ele tem um plano para destruir a cidade e, naturalmente, o vigilante noturno, Batman. Não precisa nem dizer que vamos ter que adentrar esse covil dos mais perigosos bandidos para acabar com os planos do Coringa.

O responsável pela empolgante história é Paul Dini, que, para quem não sabe, trata-se de um dos maiores roteiristas das histórias em quadrinhos, vencedor de 5 Emmys, tendo feito diversas obras conhecidas da DC Comics, e também é produtor de diversos desenhos animados da própria DC, como Batman: The Animated Series e Batman Beyond.

Preso, mas não por muito tempoHarley Quinn

Além do roteiro


Nem só de um bom roteiro se faz um bom jogo, também é necessário caprichar na jogabilidade, no visual, no som e fazer isso tudo encaixar adequadamente. Esse jogo do Batman não deixou a desejar em qualquer um dos quesitos citados. Foi o melhor jogo de super-heróis já lançado até então e, até a estreia da sua sequência (Arkham City), era o melhor game do próprio Homem-Morcego.

CorredorMansão ArkhamMansIntensive TreatmentDScaler still Taken with DScaler Version 4.1.15 Input was Adaptec GameBridge Video Capture Deinterlace mode was Video (TomsMoComp)

Os gráficos, apesar de conterem pequenos serrilhados, foram feitos com muito capricho aos detalhes, até mesmo quando o Batman é atingido. Em certos momentos do jogo aparecem na indumentária do herói, pequenos rasgos e marcas de golpes que foram desferidos contra ele. A movimentação e mecânica de lutas ficaram bem realísticas, e o jogador tem mesmo a impressão que está na pele do sombrio herói mascarado, o que só ajuda na imersão no game.

O visual sombrio e escuro dá um clima perfeito para a trama, afinal, o jogo não se passa num parque e também não estamos ali para passear, mas sim para acabar com os planos do Coringa e arrebentar muitos de seus capangas e famosos inimigos de alta periculosidade, tais como Bane, Espantalho, Hera Venenosa e o Crocodilo.

BaneEspantalhoHera Venenosa

Vai ser facinho, facinho

Dublagens de desenho animado


kevin-conroyO jogo contra com dubladores de peso do próprio desenho animado, como Kevin Conroy, que empresta a sua voz ao Batman desde de 1992. Além do jogo, ele também faz a voz do personagem em Batman: The Animated Series, Batman do Futuro, Liga da Justiça e todos os longas animados do Homem-Morcego.

E o Coringa é interpretado pelo conhecido ator americano Mark Richard Hamill, que é o ator do personagem Luke Skywalker na trilogia original da série de cinema Star Wars. Hamill já havia emprestado a sua voz ao vilão no período de 1992 a 2004, no desenho Batman: The Animated Series. Ele foi, certamente, uma ótima aquisição para Batman: Arkham Asylum, pois o Coringa aparece mais insano do que nunca e vale muito a pena parar para escutar as falas dele e dos demais personagens.

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Além das dublagens perfeitas, o jogo ainda conta com sons ambientes muito bem trabalhados que mantém o clima perfeito e a tensão no ar o tempo inteiro. O jogador se sente, realmente, num lugar inóspito.

Pow! Chash! Whamm!!


PowOs controles são bem fáceis de lidar e os golpes saem bem naturais. A forma como o personagem desfere as porradas para cima dos inimigos é muito plástica e bonita de se ver, e nem foi necessário se valer dos “grandes efeitos sonoros de outrora” (!). Mas essa facilidade pode deixar o jogador relaxado, o que não é interessante, pois conforme se avança no jogo as dificuldades aumentam, como com a introdução de armas de fogo aos bandidos, que podem matar o seu personagem, pois a armadura usada não é completamente imune a balas – lembre-se que é um jogo do Batman, não do Superman. Além do mais, aplicando melhores combos e golpes mais certeiros, o personagem também recebe mais experiência, que serve para garantir upgrades de equipamentos.

VoadoraVai ser na caraMais porradaBat-rangue

Mesmo com várias oportunidades de arrebentar malfeitores com os punhos, golpes especiais e bat-rangues, não se trata de um beat'em up, então não se deve esperar que seja simples porrada o tempo todo. O Batman tem um estilo bem mais furtivo e opera silenciosamente de forma stealth, muitas vezes chegando por trás dos inimigos, abatendo um por um. Para isso, o herói deve fazer bom uso do ambiente, subindo em gárgulas e outras partes do cenário para, além de ter uma visão melhor, passar despercebido e atacar no momento certo. E ainda existe, para facilitar, e muito, o Detective Mode (Modo Detetive), que permite ao herói saber a localização dos inimigos, se estão usando armas e quais, além de encontrar locais estratégicos para se posicionar ainda melhor e agir.

Só no modo stealthFurtivoModo DetetiveModo Detetive 2

Batman – O maior detetive do mundo em ação


Batman – O maior detetive do mundo em açãoNão é sobre a revista de mesmo nome que se trata esse tópico, mas sim das habilidades de CSI do Batman no jogo. Graças ao Detective Mode, o Batman pode explorar de forma minuciosa o ambiente, descobrir passagens, como tubos de ar, mas também descobrir pistas importantes para desvendar as tarefas que vão aparecendo pelo caminho. Um bom exemplo é quando o herói deve encontrar o comissário Gordon, fazendo uso de um cachimbo seu largado pelo caminho. Após uma breve análise, o Cavaleiro das Trevas é capaz de seguir o aroma da fumaça até o seu dono.

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De vez em quando, o Charada solta um desafio ao ouvido do Morcegão, que deve desvendá-la e passar o scan nela. São 240 desafios no total que dão uma vida mais longa ao jogo e até funciona como "fator replay", pois o jogador irá querer descobrir cada uma dessas charadas, mesmo depois de ter zerado o jogo.

Prós



  • Dublagem: conta com a participação de dubladores dos desenhos animados e do próprio Luke Skywalker Mark Richard Hamill;

  • Visual: muito caprichado e sombrio, como deve ser;

  • Jogabilidade: mecânica de golpes fácil e plasticamente bonitos;

  • Fator replay: várias charadas para desvendar e extras exclusivos.


Contras



  • Gráficos com pequenos serrilhados.



Batman: Arkham Asylum – Xbox 360 – Nota Final: 9.0


Gráficos: 8.5 | Som: 9.5 | Jogabilidade: 9.0 | Diversão: 9.0



Revisão: Ramon Oliveira de Souza

Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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