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Análise: Resonance of Fate (X360)

Quando se fala em RPGs japoneses, o principal conceito que surge na mente é de um jovem com poderes especiais e que sai em uma jornada par... (por Farley Santos em 13/08/2012, via Xbox Blast)

Quando se fala em RPGs japoneses, o principal conceito que surge na mente é de um jovem com poderes especiais e que sai em uma jornada para salvar o mundo. Magia, espadas e criaturas mitológicas costumam povoar estes universos. Querendo fugir desse estigma, a tri-Ace desenvolveu Resonance of Fate, um JRPG único e cheio de ideias interessantes, saindo da mesmice das sagas orientais.

A torre das máquinas

Em um futuro distante a Terra passou por várias mudanças no meio ambiente, com efeitos que ameaçaram a vida das pessoas. Um gás tóxico surgiu do centro do planeta, causando câncer e praticamente extinguindo a humanidade. Para tentar resolver este problema, cientistas criaram Basel, uma grande torre com um sistema de purificação de ar chamado de Zenith System, na qual os sobreviventes passaram a viver próximos, por ser o único lugar habitável do planeta. Com o tempo a civilização construiu cidades pela torre, organizando-se de acordo com os níveis sociais, sendo que os mais abastados se estabeleceram no topo, longe de perigos como monstros.

Basel

O jogador acompanha um trio de Hunters, mercenários que realizam tarefas por recompensas. Vashryon é o experiente líder do grupo e é acompanhado pelo irritadiço Zephyr e pela graciosa Leanne. Cada membro do grupo tem um passado nebuloso, que aos poucos é revelado conforme a trama avança, assim como os vários mistérios de Basel. Mas não tente levar tudo muito a sério, já que a história é confusa e fragmentada, com mais perguntas que respostas. Ao menos o trio principal é bem construído e cheio de personalidade, fato complementado pelo excelente trabalho de dublagem e pelas inúmeras cenas de história.

Vashyron, Leanne e Zephyr

Um mundo curioso

Cidades no estilo steampunkEsqueça os vastos campos, majestosos castelos, vulcões e outras locações comuns em JRPGs. O mundo de Resonance of Fate é baseado no estilo steampunk, resultando em estruturas de metal com engrenagens e outros aparatos mecânicos sempre aparentes nas cidades e áreas. O resultado é um visual único e característico, por mais que um pouco repetitivo e sem inspiração em muitos momentos. O estilo combina perfeitamente com a ambientação da história, retratando uma sociedade futurista que parece ter regredido no tempo. Os gráficos são bons, mas em alguns momentos lembram jogos da geração anterior, de tão fracos.

Durante a aventura o grupo explora os vários níveis de Basel para conseguir resolver as missões. Para viajar entre as regiões, o trio tem que se aventurar pelo mapa do jogo. O mapa do jogo, que parece um tabuleiro repleto de hexágonos, sendo que para avançar é necessário restaurar a energia destes espaços com itens chamados de energy hexes, recebidos como recompensa das tarefas e ao derrotar inimigos. Já os calabouços não são nada inspirados e não passam de várias salas com batalhas que devem ser enfrentadas em sequência, sem enigmas ou qualquer outro atrativo. De qualquer maneira, o game tem uma quantidade extensa de conteúdo e nove níveis de dificuldade adicionais, ideal para quem estiver disposto a enfrentar um bom desafio.
Mapa

A ambientação não estaria completa sem uma trilha sonora apropriada. A cargo de Motoi Sakuraba (Valkyrie Profile, Tales of Vesperia) e Kohei Tanaka (Sakura Wars, Alundra), a música combina perfeitamente com as situações e o tema do game. Sakuraba compôs inúmeros temas de batalha, enquanto Tanaka ficou responsável pelas canções das cidades e mapas. O resultado é um contraste excelente entre os momentos de ação e tranquilidade.

Batalhas complexas e estilosas

A característica mais marcante de Resonance of Fate é o seu sistema de batalha, que mistura conceitos de estratégia, ação e turnos. O principal instrumento de ataque são armas de fogo como pistolas e metralhadoras, além de granadas e itens de suporte. O conceito chave está nos dois tipos de dano. Ao usar metralhadoras, os personagens podem causar dano de arranhão nos inimigos, um dano temporário que aos poucos é recuperado automaticamente. Para fazer com que estes danos se tornem permanentes, é necessário usar pistolas, infligindo o chamado dano direto. Ao fazer isso, todo o dano de arranhão acumulado pelo inimigo se torna permanente, mas se usado sozinho o dano direto é praticamente inofensivo. Já as granadas são um misto entre metralhadora e pistolas, com efeitos extras como veneno e maior alcance de dano. Cabe ao jogador saber balancear entre os dois tipos de ataque.

Vashyron ataca

Para deixar as coisas mais interessantes, os protagonistas podem executar um movimento chamado Hero Action. Quando ativado, o personagem corre ou salta por uma distância determinada anteriormente, sendo possível atacar várias vezes durante o movimento. É uma mistura de ataque e defesa, pois é uma maneira segura de tirar os personagens de situações perigosas. Se certos requisitos forem atendidos, o movimento Tri-Attack pode ser ativado. Ele é uma versão mais forte do Hero Action, com os três personagens atacando em conjunto.

Zephyr ataca 

Os confrontos têm várias outras nuances, como jogar inimigos no ar e destruir partes de suas armaduras. Por ter tantos conceitos, a batalha é extremamente confusa no início e pode assustar alguns jogadores. Felizmente, o jogo oferece um tutorial detalhado, mesmo que um pouco longo. É extremamente importante dominar a mecânica de batalha, já que existem momentos que o jogo é bem difícil e qualquer erro é fatal. Destaque para a movimentação dos protagonistas: todas as ações são exageradas e executadas com muito estilo, acentuadas pelos ângulos dramáticos de câmera e sempre desafiando as leis da gravidade.

Poucas armas, mil acessórios

Em um futuro tão complicado, é natural que armamentos sejam escassos. Sendo assim, pouquíssimas armas estão disponíveis no mundo de Resonance of Fate. Para sobreviver, a customização de armas é a resposta. Através das várias lojas espalhadas por Basel, é possível comprar ou montar acessórios para as armas, melhorando seus atributos e habilidades. É um sistema interessante e que oferece inúmeras possibilidades, por mais que seja um pouco confuso e difícil de dominar.

Customizando uma arma

Outra característica altamente customizável é o visual dos protagonistas. Jaquetas, calças, camisetas, saias e outras peças de vestuário podem ser adquiridas e utilizadas. O efeito é somente cosmético, mas não deixa de ser divertido brincar com o visual dos personagens. Curiosamente, várias peças são caríssimas, bem mais que alguns equipamentos poderosos. Estar na moda custa bem caro em Basel!

Vashyron experimenta algumas jaquetas

Desvendando os mistérios de Basel

Com tantas franquias famosas e bem estabelecidas no gênero RPG, é difícil criar algo completamente novo e original. Felizmente, a tri-Ace conseguiu esse feito com Resonance of Fate, um jogo repleto de ideias boas e características únicas. Mesmo com alguns pequenos problemas na parte técnica, principalmente nos sistemas de jogo, o game é uma excelente alternativa para quem procura algo diferente e desafiador.

Basel e os Hunters


Prós

  • Sistema de batalha único e divertido, uma vez dominado;
  • Ambientação interessante, fugindo de vários clichês do gênero;
  • Inúmeras opções de customização de equipamentos e de visual;
  • Grande quantidade de conteúdo, com nove níveis de dificuldade para os corajosos;
  • Ótima trilha sonora, acompanhada de dublagens acima da média.

Contras

  • Gráficos fracos em alguns pontos, principalmente no mapa;
  • Curva de aprendizado acentuada;
  • Calabouços desinteressantes e simples;
  • História confusa e de narrativa fragmentada.
Resonance of Fate - Xbox 360 - Nota Final: 8,5
Visual: 8,0 | Som: 8,5 | Jogabilidade: 8,5 | Diversão: 9,0
Revisão: Alberto Canen
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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