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Análise: The Walking Dead: Episode 1 - A New Day (XBLA)

Os zumbis nunca estiveram tão na moda. A série de TV, The Walking Dead , é uma das atrações de maior audiência da televisão norte-american... (por Jardeson Barbosa em 26/08/2012, via Xbox Blast)

Os zumbis nunca estiveram tão na moda. A série de TV, The Walking Dead, é uma das atrações de maior audiência da televisão norte-americana. Diante de todo esse sucesso, nada mais natural que uma expansão para os videogames, que de vez em quando recebem adaptações de outras mídias. The Walking Dead (o jogo) é a nova adaptação da Telltale, que já trabalhou com "Back to the Future" e "Jurassic Park". O novo jogo, dividido em cinco episódios, tenta fugir dos clichês relacionados aos jogos de zumbi, enquanto se firma como uma boa adaptação, ou uma versão interativa da HQ, uma tarefa muito difícil.

Uma nova forma de enxergar um apocalipse zumbi

The Walking Dead é, na verdade, uma série de HQs escritas por Robert Kirkman. A série ganhou notoriedade por representar um apocalipse zumbi de uma maneira completamente diferente do modelo tradicional. Nos quadrinhos, toda a trama gira em torno da sobrevivência de pessoas comuns durante esse evento e, ao invés de focar nos mortos vivos, ela se foca no relacionamento entre os sobreviventes, fazendo com que os zumbis sejam apenas um pano de fundo.

Como agir durante uma catástrofe? Correr, se esconder ou ficar para atirar? A HQ se baseia principalmente nesses pequenos detalhes. Se um personagem atirar em um zumbi, outros podem ouvir o barulho e a situação pode ficar ainda pior, se ele se esconder, algum zumbi pode sentir seu cheiro.

A objetivo da equipe da Telltale na produção de um jogo baseado nessa obra era criar um título que se esforçasse ao máximo para transmitir ao jogador a sensação de que ele está em um apocalipse zumbi e de que cada passo dado por ele deve ser extremamente calculado. Inclusive nas relações com os demais sobreviventes, que também podem se tornar seus piores inimigos.

Uma história completamente nova

Pelo que o título se propõe, seria um grande erro se o enredo também fosse uma mera adaptação. Logo, não controlaremos personagens como Rick Grimes durante o jogo. A história serve como prequela para os eventos da HQ, e em alguns casos encontraremos personagens dos quadrinhos, como o Glenn. No entanto, a presença de personagens que já estão consagrados em outras mídias se dá apenas como pequenas participações especiais, que não acrescentam muito à trama em si, apesar de acrescentarem bastante ao universo da série.

Em The Walking Dead: A New Day, você é Lee Everett, um cara com um passado obscuro e uma personalidade completamente moldável. Lee é o típico anti-herói que já estamos acostumados a ver na maioria dos jogos: um cara forte e corajoso que nem sempre anda na linha.

Toda a trama se inicia na cidade de Atlanta. Lee foi condenado por ter assassinado um senador que estava "dormindo" com sua esposa, e estava sendo levado para um presídio quando o apocalipse zumbi se iniciou. Enquanto estava sendo transportado, o carro de polícia em que ele estava acabou se chocando contra um zumbi na estrada e, consequentemente, capotando.

Acordando no meio do nada, com uma perna torcida, e encontrando o policial que dirigia o carro já morto, Lee resolve procurar ajuda pela vizinhança e acaba sendo perseguido por diversos mortos-vivos.

Pela vizinhança, ele só encontra uma garotinha, chamada Clementine, que foi deixada em casa enquanto seus pais faziam uma viagem e que estava passando por isso tudo sozinha. Lee então resolve ficar com a garotinha, e juntos eles tentarão entender o que está acontecendo enquanto procuram ajuda.

De fato, a premissa básica do jogo não se distancia muito do que é considerado clichê: o cara que ganha uma segunda chance e a garotinha adorável. Mas à medida que o jogo avança, vamos conhecendo diversos outros personagens e as tramas iniciais dos protagonistas acabam servindo apenas para propostas menores.

Adventure com estilo

O gênero de The Walking Dead é adventure, mais especificamente do tipo point and click, uma especialidade da Telltale.

Para quem não é muito familiar do gênero (que esteve adormecido desde o fim das grandes produções da LucasArts), jogos como Sam and Max, CSI e Talles of Monkey Island são alguns dos sucessos anteriores da produtora. Em jogos desse gênero o foco está na história, e não na ação, como ocorre na maioria dos gêneros.

Isso não quer dizer que falta ação em The Walking Dead, muito pelo contrário, os controles em alguns momentos lembram os jogos de ação em terceira pessoa, mas o jogo não se prende à escolhas óbvias de design como corridas, headshots ou matança desnecessária.

Em "A New Day", boa parte do tempo do jogador será dedicado à exploração, escolhas e puzzles relacionados a essas escolhas. Escolher entre mentir e falar a verdade, escolher entre sair à noite ou de dia, escolher entre ajudar um amigo ou um desconhecido, escolher entre um caminho ou outro, escolher entre ser gentil ou rude, há escolhas para tudo. Muitas dessas escolhas serão executadas de forma subconsciente, mas outras aparecerão na tela e exigirão um raciocínio rápido do jogador, já que há um tempo limitado e caso o jogador não escolha nada, a resposta será um silêncio matador, que pode significar muita coisa. Todas as escolhas feitas afetarão o desfecho da história.


Isso tudo pode parecer uma chatice, mas na verdade é uma das melhores adições à trama de The Walking Dead e disfarça a linearidade do título. Você tem total controle sobre o personagem e o ambiente ao redor e pode mudar o curso da história. A relação entre Lee e Clementine, por exemplo, é completamente moldável por você, que poderá escolher entre ser um bom pai adotivo e cuidar dela da melhor forma possível ou deixá-la de qualquer forma e se importar apenas com você mesmo.


Todos os personagens da história possuem personalidades únicas e será difícil não se apegar a alguns ou detestar outros. Aliada ao clima de tensão, já que nunca se sabe quando os zumbis podem aparecer, e à necessidade de se manter vivo o tempo inteiro, a história cria uma atmosfera perfeita e bem imersiva.

Visual herdado da HQ

O visual de The Walking Dead não tenta ser realista. A Telltale optou por um estilo próximo do visto nas páginas da HQ homônima, com traços que lembram as ilustrações de Charlie Adlard, atual ilustrador da série.

De certa forma, o visual do jogo é muito bem trabalhado. Os traços dos personagens são bem feitos e as expressões bem representadas. Os zumbis também conseguem manter a aparência asquerosa nesse estilo. Os cenários, por outro lado, não ficaram um primor, mas isso tudo é questão de escolhas da direção de arte, não partindo tanto para o lado técnico.




A câmera também pode ser encarada como um problema por muitos. Não é dado ao jogador o total controle sobre ela, e muitas vezes ela não enquadra exatamente aquilo que deveria enquadrar, deixando o jogador um pouco perdido.




E a aparente falta de limites no cenário é outro porém que deve ser levado em consideração. Ao invés de preencher o cenário de limitações, como carros quebrados ou coisas do tipo, a equipe da Telltale optou por criar paredes invisíveis, nas quais você irá esbarrar uma hora ou outra. Nada que seja realmente importante.

Gostinho de "quero mais"

The Walking Dead mais acerta do que erra. A New Day, o primeiro episódio, é recheado de tramas e cenas de ação que conseguem passar ao jogador a imensa vontade de continuar na história.

O primeiro episódio também não economiza nas cenas fortes. São tantos momentos de embrulhar o estômago que farão você agradecer que o visual não é realista. O uso constate de armas brancas, como machados, dá mais ênfase à violência brutal, mas necessária.


No que se refere ao áudio, temos uma trilha interessante, mas que pode passar despercebida. Não que isso seja um grande problema, já que nos momentos de tensão ela ainda funciona muito bem, mas de uma forma geral é possível até que você esqueça que ela existe. No entanto, a dublagem do jogo ficou quase impecável. As vozes escolhidas se encaixam muito bem com os modelos dos personagens e a sincronização ficou muito boa.


Pode-se dizer que The Walking Dead foi uma aposta certeira de Kirkman em parceria com a Telltale. O jogo supera todas as expectativas e demonstra que o gênero adventure ainda está muito vivo. Sem dúvidas essa é uma obra para fã nenhum pôr defeito e é recomendada a todos os amantes de uma boa história, fãs da série e fãs de adventures.

Infelizmente, The Walking não foi feito à prova de bugs. Alguns errinhos, na maioria das vezes relacionados à câmera, são bem insistentes, e, em alguns momentos, certos objetos clicáveis se tornam inacessíveis. No entanto, esses bugs não comprometem o jogo de forma alguma.




O primeiro episódio de The Walking Dead demonstra que a série veio para ficar, também, nos videogames. Com uma transcrição quase perfeita da atmosfera dos quadrinhos, um gameplay consistente e uma história robusta (cheia de personagens interessantes) é difícil não afirmar que este é um dos melhores adventures do ano, e que, com certeza, vale os 400 Microsoft Points cobrados no Marketplace (atualmente disponível apenas se você possuir uma conta americana).

Os novos episódios já estão sendo lançados. Fique ligado para a análise deles, aqui no Xbox Blast.

Prós

  • História bem trabalhada;
  • Personagens carismáticos;
  • Dublagem primorosa;
  • Sistema de escolhas e consequências bem estruturado;
  • Visual estiloso.

Contras

  • Alguns bugs conseguem ser muito irritantes;
  • A movimentação do personagem é um pouco complicada.
The Walking Dead: Episode 1 - Xbox Live Arcade - Nota: 8.5
Visual: 8.0 | Som: 9.0 | Jogabilidade: 8.5 | Diversão: 9.5
Revisão: Vitor Tibério
Jardeson Barbosa escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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