Blast from the Past: ToeJam & Earl (Mega Drive)

Os alienígenas ToeJam e Earl serviram como abre-alas para a geração de mascotes que seriam criados para o Mega Drive (ou Genesis, com... (por Fábio Garcia em 24/11/2012, via Xbox Blast)


Os alienígenas ToeJam e Earl serviram como abre-alas para a geração de mascotes que seriam criados para o Mega Drive (ou Genesis, como preferir), através de um jogo diferente, animado e com muita influência na música. Mais de vinte anos depois, os jogos deles foram relançados em uma coletânea na PSN e na Xbox Live, dando uma excelente desculpa para todos nós entrarmos nesse mundo novamente. Mas a pergunta que fica é a seguinte: será que o jogo envelheceu bem? Será que um jogador mais novo ainda vai se divertir nesse jogo da mesma forma que as pessoas curtiam em seu lançamento? Confira na matéria as respostas.

Lançamento ascendente


ToeJam & Earl foi lançado com exclusividade para o 16 bits da Sega em 1991, abusando dos recursos gráficos e sonoros do novo console da empresa. Nenhum outro console (incluindo o Super Nintendo) conseguiria reproduzir tão bem a fluidez e a explosão de cores daqueles campos verdejantes.Com a queda dos dois alienígenas, ToeJam, o vermelhinho com um formato de corpo meio estranho e três pernas, e Earl ,o amarelo gordinho amante de hambúrgueres como entrega a capa do jogo, precisam explorar diversas fases verticais, cuja subida é realizada por elevadores.

Em cada “andar”, o personagem escolhido (ou os dois, no eficiente modo cooperativo) precisa explorar até encontrar o elevador, coletando presentes (que guardam itens) e escapando de inimigos pouco usuais, que vão de diabinhos a hamsters dentro de bolas. E o cenário pode guardar muitos segredos, ainda mais se o jogador escolher o modo de geração aleatória de fases. Embalando os passos demorados dos personagens, uma trilha sonora inspirada no funk americano. Atenção, eu disse funk “americano”, por favor não espere encontrar a poesia de uma Valesca Popozuda dentro deste cartucho de 8 mbs.


Um jogo como ToeJam & Earl é bem diferente, e nasceu em um contexto no qual a Sega estava atrás de novos mascotes e ideias. O jogo emplacou muito graças às vendas natalinas de Sonic, mas, ao contrário do ouriço, ToeJam & Earl ficaram somente com a fama de Cult.Uma sequência apareceu em 1993 chamada ToeJam & Earl in Panic on Funkotron, mas ela abandonou o estilo de exploração e investiu no gênero plataforma em 2D, que na época era tão famoso quanto um FPS hoje. Quase dez anos depois, em 2002, a Sega lançou ToeJam & Earl III: Mission to Earth para Xbox, mas o jogo é uma tristeza, mesmo trazendo de volta os elementos do primeiro jogo.

Relançamento em queda livre


Como já dito, ToeJam & Earl foi um sucesso Cult na época, e hoje muitos lembram com carinho dos personagens e desejam o retorno. Talvez para testar este público, a Sega relançou um pacote com os dois jogos de Mega Drive para a PSN e Xbox 360, e o resultado não foi dos mais animadores.


Por mais que seu "nostalgismo" negue, ToeJam & Earl envelheceu muito mal. Os gráficos estão abaixo do que se esperava dos primeiros games de Mega Drive, e a tão elogiada música agora soa repetitiva, com poucos instrumentos e composta por batidas pouco inspiradas.

O relançamento para consoles de nova geração funciona apenas para os que tiveram muita diversão com a versão original do jogo, e olhe lá. No caso de ser um jogador novato, apenas curioso com a comoção por trás de ToeJam & Earl, a recomendação é que passe longe deste pacote, que parece mais velho ainda quando aqueles pixels entram em contraste com o fundo de tela em alta definição (aquele que preenche as laterais de uma TV widescreen quando o jogo roda em 4:3).

No fim, ToeJam & Earl é um jogo criativo para a época, mas que envelheceu o bastante para não ser atraente para novos jogadores hoje. Os personagens são lentos demais, o visual dos protagonistas não passa carisma para o jogador (ao contrário dos inimigos, que continuam muito legais) e os controles são bem pouco intuitivos. Talvez esse seja o tipo de jogo que é melhor ficar na sua memória afetiva, e não na memória do seu Xbox 360.
Revisão: Mateus Pampolha 
Fábio Garcia escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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