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Análise: Eternal Sonata (X360)

Eternal Sonata é um RPG lançado em 2007 pela desenvolvedora japonesa tri-Crescendo. Quem diria que a vida de um compositor Polonês ia ac... (por Silvio Carréra em 08/12/2012, via Xbox Blast)

Eternal Sonata é um RPG lançado em 2007 pela desenvolvedora japonesa tri-Crescendo. Quem diria que a vida de um compositor Polonês ia acabar aparecendo um JRPG? O jogo conta com estória que se passa em mundo no sonho do compositor e conta com um grupo carismático de personagens, uma trilha sonora de tirar o fôlego e um sistema de batalha que vai te manter entretido ao longo dessa divertida jornada.

O mundo dos sonhos

Eternal Sonata não é só um monte de gráficos coloridos, personagens carismáticos e uma dose de música clássica. Embora pareca ser infantil, na verdade contém uma boa dose de maturidade. Você começa com Chopin deitado em sua cama e um relógio mostrando as horas passando, porém a estória mesmo se passa em sua mente, no sonho que eles está tendo.

O encontro de Chopin com Polka.

Nesse mundo, ele acaba conhecendo Polka, uma garota que consegue usar magia e por isso é temida por todos, e algum tempo depois os  irmãos Alegretto e Beat, que costumam roubar pães na cidade que vivem. O grupo cresce ainda mais no decorrer do jogo e eles se unem contra o tirano Conde Waltz, que está transformando toda a população de Forte em escravos com a produção do mineral powder.

Alegretto, na frente, e outros personagens, se preparam para um confronto.

Não espere encontrar a estória mais épica de todas, mas com certeza vai lhe cativar. Chopin busca entender  por que está nesse mundo e qual é o mundo real: o que está agora ou o outro. Cada um de seus aliados possuem seu charme, ideais, e no decorrer do game é possível ver seu laços de amizade se tornando mais fortes. A parte superficial acaba por aí, o jogo também aborda tópicos mais sérios, como preconceito social e pessoas que temem seus próprios governantes, de uma forma sútil mas que pode ser facilmente comparada com situações da vida real.

Equipamentos, itens, dungeons, mestres? Sim, está tudo incluso!

A jogabilidade é a esperada em um JRPG. Para prosseguir na história você deve ir do ponto A ao ponto B, o que normalmente envolve passar por uma dungeon e vencer um mestre. Você tem cidades para fazer compras para seus personagens e durante as suas viagens os inimigos são visíveis nos mapas e podem ser evitados. Ao vencer batalhas os seus personagens ganham experiência, inclusive os que estão fora do combate embora reduzida. Vale ressaltar que a maioria das dungeons não tem nenhum puzzle, ou seja, não espere ter que pegar chaves ou apertar alavancas para abrir caminhos e passagens em boa parte delas. 

Para quem conhece JRPGs os dungeons vão te fazer se sentir em casa.

Além do que foi dito, é possível colecionar pedaços das partituras de Chopin que estão espalhadas pelo jogo, aparentemente em lugares aleatórios. No decorrer da estória, vários NPCs irão propor que você toque junto com eles, e se você escolher uma partitura correta ele irá lhe dar um prêmio que vai desde itens de cura a armas e equipamentos. Embora tenha isso como extras vale ressaltar que o jogo é bem linear, até um pouco mais do que outros JRPGs atualmente, e não há muito o que se fazer a não ser avançar na estória.

O sistema de batalha parece bem tradicional... será?

O jogo  conta com uma enorme e belíssima trilha sonora composta pelo Motoi Sakuraba, com sete das composições de Chopin realizadas por Stanislav Brunin.

Turn Based Action Battle System! Pode ser ou complicou?

Deixando o cotidiano de JRPG de lado, o jogo brilha é no seu sistema de batalha. O mesmo consiste em uma mistura de batalhas em tempo real com batalhas por turno. Complicou? Bom, funciona assim, por batalha, o máximo de inimigos que você vai enfrentar de uma vez são três. Do seu lado do time você escolhe três personagens também. Ao iniciar a batalha cada personagem tem seu turno, e a ordem dos turnos é definida pela velocidade de cada um. 

Inicialmente o tempo do turno é o mesmo para todos os personagens, porém antes do turno ele é procedido pelo Tempo Tático, onde o jogador poder olhar o ambiente para ver as decisões que vai tomar. O tempo só começa a contar depois que a primeira ação (andar, atacar, usar itens, habilidades) é realizada. Atacar funciona como um RPG de ação normal, cada clique no botão será um acerto no inimigo e a qualquer momento do combo você pode soltar uma habilidade.

Muitas opções de personagens para usar nas batalhas.

Não há MP, SP ou PP,  ou o que quiser chamar, para usar habilidades. Cada personagem pode configurar no menu duas habilidade (inicialmente), uma LIGHT e uma DARK. Opa! Como assim? Cade meu fireball? Seguinte, no mapa da batalha é possível perceber partes com sombra e outras sem. Então quando seu personagem estiver em um local escuro e você usar a habilidade, irá sair a habilidade DARK configurada no menu, o mesmo para a habilidade LIGHT. Essas habilidades variam por personagem e vão desde combos simples a magias. 

Além da parte de atacar os inimigos, a fase de defender também é importante. No momento em que os inimigos vão atacar é possível defender se você apertar o botão no tempo correto. À medida que o jogo progride isso se torna vital para aguentar ataques de mestres mais fortes. 

Chega de instruções! Hora de chutar bundas de seus inimigos!

Enquanto se avança na estória e ao passar os capítulos, o sistema de batalha evolui, literalmente, é indicado o level dele. De certa forma, ele vai ficando mais difícil, mas também oferece novas formas de atacar e combar seus oponentes. Por exemplo, o tempo tático que começa como ilimitado vai diminuindo até o ponto de não existir mais e o turno já começar com o tempo correndo. Com a evolução é possível encher o medidor de Echoes, no qual cada a cada golpe certeiro no inimigo o medidor sobe, e quanto mais cheio estiver maior será o efeito dado pela habilidade selecionada. Esse medidor Echoes é do time inteiro, o que permite várias decisões por parte do jogador.  Portanto, é possível atacar com um personagem só para subir o medidor e depois mandar outro personagem usar uma magia de cura, que sairá mais efetiva pelo fato de o medidor estar cheio. 

Então, é um sonho que vale a pena?

Eternal Sonata é um JRPG que mescla uma boa estória, gráficos brilhantes, e personagens carismáticos com um ótimo sistema de batalha. Embora a estória não vá lhe tirar da cadeira e gritar como o garoto do Nintendo 64, com certeza cumpre o seu papel. O sistema de batalha conseguiu se manter interessante e desafiador ao longo das minhas 30 horas de jogo e os personagens também tem os seus momentos.

Certamente, o jogo irá agrandar fãs de JRPG interessados em algo conhecido com uma dose de inovação por parte do sistema de batalha, porém para adversos ao gênero vai ser difícil curtir a experiência uma vez que não foge muito do padrão.

Prós

  • Design magnífico, dos personagens às cidades, você irá se sentir perdido com tantas cores.
  • Personagens carismáticos
  • Sistema de Batalha envolvente
  • Trilha sonora impecável
  • Opção de áudio em japonês

Contras

  • Estória linear demais
  • Alguns personagens acabam não se desenvolvendo o suficiente

Eternal Sonata - Xbox 360 - Nota Final: 8.5
Visual: 9.0 | Som: 9.0 | Jogabilidade: 8.0 | Diversão: 8.0

Revisão: Alberto Canen
Silvio Carréra é formado em Ciência da Computação pela UNICAP. Trabalha como Engenheiro de Software em Recife e no seu tempo livre estuda game design e desenvolve jogos em Flash e Unity. Normalmente está pelo Facebook, Twitter e Tumblr.

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