Análise: Sonic & All-Stars Racing Transformed (X360)

Confesso que sou a pessoa que mais meteu o pau no primeiro jogo de corrida da série Sonic & All-Stars, que juntou o universo do ouri... (por Fábio Garcia em 11/12/2012, via Xbox Blast)

Confesso que sou a pessoa que mais meteu o pau no primeiro jogo de corrida da série Sonic & All-Stars, que juntou o universo do ouriço azul com o vasto universo da Sega. Na minha opinião, o jogo era uma cópia descarada de Mario Kart e tinha problemas gravíssimos de design e conceito. Passado um tempinho, a Sega providenciou uma continuação, a qual os produtores falaram que a Nintendo deveria aprender algumas coisinhas com este jogo. Será?

Transforme-se!

A mudança que justificou esta continuação foram os tais veículos que se transformam. No primeiro, você usava seu carro e pronto, mas agora seu veículo se adapta ao ambiente, podendo nadar ou voar. Os produtores da Sega estavam orgulhosos deste conceito, mesmo que a adição de fases aquáticas e aéreas já tenha aparecido em um tal de Mario Kart 7 (3DS).

Talvez você não saiba, mas Sonic tem vários jogos de corrida, a maioria frustrante. Tudo começou com Sonic Drift de Game Gear, até o estranho Sonic R de Saturn (no qual os personagens corriam a pé mesmo) até chegar no primeiro jogo da série All-Stars, que era uma cópia de Mario Kart, até mesmo nos itens. Ou você vai me dizer que um projétil verde que segue em linha reta e um projétil vermelho teleguiado são mérito da equipe criativa da Sega?


A presunção a respeito do jogo me deixou com um pé atrás, e a minha primeira experiência em Sonic & All-Stars Racing Transformed foi bem aquém. Joguei os cinco campeonatos principais e fiquei chateado com muitas coisas: as pistas estavam longas demais (entre cinco e seis minutos cada corrida), os itens estavam estranhos e os personagens muito desbalanceados. Ou você escolhia o Sonic ou então não ia conseguir chegar em primeiro nem se o Yuji Naka viesse à sua casa baixando um decreto para isso. Essa experiência com o jogo me faria dar uma nota final seis.

Felizmente, eu fui me aventurar pelo modo World Tour e, agora posso dizer, entendi este jogo. Despido de qualquer preconceito, conheci um jogo empolgante, divertido, lindo, frenético e agora sou obrigado a concordar que esse jogo tem  muito que ensinar para a Nintendo e o seu engessado Mario Kart.

Evoluindo a franquia

Afinal, o que é o World Tour? São cinco “copas” com fases dispostas em um mundinho, e cada fase traz uma missão. Pode ser uma corrida normal, na qual o jogo determina a posição mínima que você deve ficar, ou um modo de sair explodindo seus companheiros de corrida, ou mesmo um campeonato de drift. Vencer as fases garantem estrelas, que abrem novos caminhos e destravam personagens. De certa forma, esse modo contribui para que você experimente todos os personagens.


Se lembra o que eu falei sobre eles serem desbalanceados? Então, eles são um pouco. Mas ganhando níveis de experiência com eles permite que você use MODs, que são novas configurações de carro de acordo com o que você pretende na pista. Em uma pista que você conhece bem e sabe que não vai bater, a preferência é por usar um MOD que diminua a aceleração e aumente a velocidade. E que velocidade! Este jogo é muito rápido e frenético. Em modos mais avançados, você vai sentir uma explosão de cores quando os dez corredores estiverem emparelhados soltando uma chuva de itens destruidores, e quando você manejar bem os drifts e manobras durante saltos, você nem vai notar na longa duração das pistas.

Ao contrário do primeiro jogo, a Sega se lembrou de que esse não é um jogo exclusivo de Sonic. Comemore, temos menos fases  dos jogos do ouriço azul, e só uma de cassino! As pistas estão muito menos genéricas que no primeiro game, e agora exploram novas franquias (Skyes of Arcadia, After Burner, Out Run, Golden Axe, Panzer Dragoon) e todas as formas dos veículos. Muitas vezes, a pista vai mudar entre uma volta e outra, como a de Panzer Dragoon, que por acidentes causados por um dragão se torna marítima na segunda volta e aérea na terceira.


Os itens são completamente diferentes dos que o jogo anterior oferecia, e esse é um ponto que a Nintendo peca em seu Mario Kart. Por ter menos tradição em jogo Party Race, não foi trabalhoso a Sega jogar fora todos os itens do primeiro game e criar coisas novas. Destaco o enxame de abelhas, que coloca um exército desses insetos na pista para que os outros precisem desviar, e o foguete, que te garante um turbo, mas que precisa ser explodido antes que sobreaqueça.

Mesmo com tantos elogios, o jogo tem alguns problemas. A física de colisão tem uns probleminhas, mas nada que atrapalhe muito, e a dificuldade no último modo é cruel (menos que no excelente modo online com chat de voz). E embora tenha resgatado muitas franquias, o jogo tem menos personagens que a versão passada. Cadê os corredores de ChuChu Rocket!, Bonanza Brothers, Virtua Fighter e Shenmue? Aproveitando que estou com a caixinha de sugestões abertas, falta também cenários para todos os personagens do game, afinal é imperdoável a série Space Channel 5 ter duas personagens selecionáveis (Ulala e Pudding) e nenhum cenário temático para correrem... e olha que tem fase até de Burning Rangers! Assim nem dá pra comemorar a presença de personagens fora da Sega, como o Ralph de “Detona Ralph” e Nanica Patrick da série Nascar.

Com um controle bom, visual bonito e inovações que melhoraram o jogo, Sonic & All-Stars Racing Transformed é um excelente jogo de corrida para quem gosta do estilo Mario Kart. Se esse tipo de jogo é do seu agrado, recomendo de verdade jogar este game. E se você já experimentou, por que não comenta aí como foi a sua jogatina com Sonic e seus amigos da Sega?

Prós


  • Itens criativos;
  • Visual muito bonito;
  • Músicas clássicas da Sega;
  • Variedade de cenários.

Contras


  • Personagens pouco balanceados no começo;
  • Salto de dificuldade no último modo;
  • Um pouco entediante se jogar no campeonato nas dificuldades baixas.

Sonic & All-Stars Racing Transformed – Xbox 360 – Nota final: 9.0
Gráficos: 9.0 | Som: 9.0 | Jogabilidade: 9.5 | Diversão: 9.0

Revisão: Ramon Oliveira
Fábio Garcia escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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