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Análise: Aliens: Colonial Marines (X360)

Anunciado em 15 de dezembro de 2006, Aliens: Colonial Marines é fruto de uma parceria entre a Sega , a Gearbox Software e os estúdios 20... (por Jardeson Barbosa em 19/03/2013, via Xbox Blast)

Anunciado em 15 de dezembro de 2006, Aliens: Colonial Marines é fruto de uma parceria entre a Sega, a Gearbox Software e os estúdios 20th Century Fox. Apresentado como a verdadeira sequência para o clássico Aliens, de James Cameron, Colonial Marines passou por um turbulento processo de desenvolvimento até ser lançado no dia 12 de fevereiro deste ano. Infelizmente, o título sofre de alguns males que poderiam ter sido evitados: trata-se de mais um FPS para o Xbox 360, é mais um jogo recheado de problemas técnicos e, por fim, mantém viva uma tradição desagradável, que parece perseguir os jogos licenciados. Mas será que, mesmo assim, a espera foi recompensante? É o que iremos discutir nesta análise.

A serviço dos fãs

Como dito anteriormente, Aliens: Colonial Marines deveria ser a verdadeira sequência do filme Aliens. Para tal, a sequência de eventos do jogo deveria seguir um roteiro que fosse, no mínimo, familiar para os fãs da versão cinematográfica.

Em tese, essa premissa foi cumprida. O enredo de Aliens: Colonial Marines segue diretamente os eventos da adaptação de James Cameron e do terceiro filme da série.



Em Colonial Marines você é Christoper Winter, um membro do 118º Batalhão do USS Sephora que faz parte de um time de buscas e resgates enviado ao sistema Zeta II Reticuli para investigar a nave USS Sulaco à procura de alguns marines desaparecidos. A trama eventualmente chega ao satélite LV-426, onde a maior parte da ação ocorre.

De fato, a história não é tão densa quanto alguns poderiam esperar, mas cumpre bem o papel de fanservice ao entregar situações familiares e instigantes aos fãs. Como não se excitar com o prólogo envolto em suspense até o surgimento do primeiro Alien? Impossível, a menos que você pare para apreciar os ambientes...

E se estivéssemos em 1998?

À primeira vista, fica claro que Aliens: Colonial Marines não é um jogo bonito. Ele não possui uma direção artística bem elaborada e nem mesmo um visual que faz jus às capacidades técnicas do Xbox 360. Na verdade, se não fosse pelo uso de memória RAM, seria possível imaginar esse mesmo jogo sendo reproduzido no primeiro Xbox, tamanha a falta de esmero no polimento gráfico. Mas veja bem, isso não é um problema. Jogos que hoje são feios, podem ser muito divertidos, como GoldenEye 007 do Nintendo 64. Pensando em GoldenEye, e levando em consideração o fracasso visual que Aliens: Colonial Marines é, fica uma questão: e se o jogo tivesse sido lançado em 1998? O que quero dizer é: ignorando os aspectos gráficos, estamos diante de um bom jogo? A resposta mais correta seria: depende das suas expectativas.


Uma das primeiras coisas que você notará é que, mesmo no modo single player, o jogo funciona como uma espécie de cooperativo. Você quase sempre estará acompanhado por um ou mais personagens controlados pelo computador, que chamarei aqui de aliados. Esse recurso é muito interessante porque não faria sentido um marine andando sozinho por aí. Ou faria, dependendo do roteiro.

A parte legal é que os personagens controlados pelo computador não morrem. Os programadores provavelmente inseriram um sistema de recuperação de saúde (o famoso life ou HP) extremamente ágil, como o de Half-Life 2, ou simplesmente disseram que os aliados não podiam morrer, a menos que isso fizesse parte do enredo. A situação seria até aceitável, se algumas coisas bizarras não acontecessem. Atirar uma granada nos pés dos seus aliados não fará com que eles saiam voando, ou explodam, como deveria acontecer. Na verdade, nessa situação, nada acontece. É como se nada tivesse acontecido a eles. E isso seria apenas um errinho, se não existisse mais uma enorme lista.



Outra coisa legal é que os aliados têm superpoderes. Um desses superpoderes é o teletransporte. Confesso que o único susto proporcionado por esse jogo foi quando dois dos meus aliados subitamente apareceram na minha frente. E ainda há um som especial, típico de teletransporte. É ou não é demais?

Corpos atravessando outros? Newton deve estar se revirando no túmulo uma hora dessas. Sim! Dois corpos (ou três, sei lá) podem ocupar o mesmo espaço. Pelo menos é isso que aprendi em Aliens: Colonial Marines quando atravessei o corpo dos meus aliados, ou quando eles atravessaram o meu. Aliás, esse último detalhe é muito divertido. Você está lá, chutando a bunda de alguns Aliens quando, de repente, uma espécie de fantasma surge no meio da tela. O fantasma é, na verdade, algum aliado, que, assim como os inimigos, passeia randomicamente pela tela e, por algum motivo, acaba passando por “dentro” de você.

E falando em passear randomicamente, jogar Alines: Colonial Marines é como caçar baratas. Na verdade, acredito que as baratas sejam mais inteligentes do que a inteligência artificial supostamente programada pela Gearbox Software. Não é incomum um inimigo passar correndo do seu lado ou agir como uma barata tonta sem saber o que fazer. A maioria deles é abatida com apenas alguns tiros não intencionais. Bom para aqueles que querem se sentir imponentes sem muito esforço.



Então, respondendo à questão dada no primeiro parágrafo deste tópico: se você não se importa com o fato de o sistema de colisão do jogo ser um fracasso, da inteligência artificial ser um desastre, da física ter sido assassinada, e de o jogo ser qualquer coisa, menos realista, bem, talvez Aliens: Colonial Marines seja um jogo para você. Afinal, para que o realismo? Já basta a vida real, não é mesmo?

Dividindo as tristezas e alegrias

Os amigos de verdade são para todos os momentos, e a equipe de produção de Aliens: Colonial Marines sabe bem disso. O título vem cheio de opções para a jogatina multiplayer.

O óbvio modo cooperativo para até quatro jogadores reproduz o modo single player com, claro, quatro personagens controlados por humanos. Se por um lado temos inteligência de verdade, por outro, a maioria dos problemas previamente citados também se aplica aqui. Entretanto, jogar com amigos torna o jogo até interessante. É possível extrair diversas horas de risos e constrangimento.



Ainda há os divertidos modos Team Deathmatch, Extremination, Escape e Survival. Nada muito criativo, mas é uma opção para aqueles que não suportarem o surrealismo do modo campanha.

Imersão é a palavra chave

À primeira vista, Colonial Marines me lembrou outro shooter que me divertiu bastante no X360. Estou falando de Dead Space. O (quase) clássico da Visceral é cheio de problemas técnicos, assim como o título da Gearbox, mas se destaca por um ponto que precisa ser reproduzido em mais jogos: é incrivelmente imersivo.

Assim como Dead Space, Colonial Marines também é pouco iluminado – dependendo do quanto sua mão pesar na escolha do gamma – e possui seus momentos de suspense. Se não fosse por algumas situações curiosas, como um Alien parado na sua frente sem demonstrar intenção de atacar, poderíamos dizer que o título publicado pela Sega também acertou em imersão.


Aliens: Colonial Marines tenta, e até acerta, em alguns detalhes. A ação quase nunca para, por exemplo. Em certos momentos, como cortar um porta, o jogo exibe um contador de tempo, que significa o tempo em que seu personagem está exposto aos inimigos. Essa opção é muito interessante, mas quase nunca funciona. Isso porque não há suspense, mesmo que você tente acreditar que há. Mesmo estando exposto e não podendo se defender de qualquer ataque inimigo, os inimigos simplesmente não atacarão. Uma pena.

O level design tenta recriar diversos ambientes familiares para os fãs de Aliens. Mesmo sem um belo visual, existe uma certa fidelidade nessa recriação. Infelizmente o level design em si é muito confuso. São apenas muitos caminhos que não dão em lugar algum tentando disfarçar o fato de o jogo ser extremamente linear.

Um jogo para ficar na história

Aliens: Colonial Marines é um jogo que veio para dar lições. O título provou mais uma vez que não é fácil lidar com obras licenciadas, que nem sempre os produtores cumprem aquilo que prometem e que comprar algo baseado nessas promessas pode ser um erro.

Não é difícil encontrar na internet dezenas de reclamações em relação ao fato do jogo pouco lembrar as demonstrações que foram apresentadas com euforia pela Gearbox Software e pela Sega.



De fato, Aliens: Colonial Marines possui altos e baixos. O enredo do jogo é completamente decente e é possível ver que, em alguns momentos, os produtores ousaram. O jogo não é um primor, e certamente agradará a poucos, já que não atende aos requisitos básicos dos fãs de FPS e não parece interessante para as outras audiências. Mas se trata de um jogo, até certo ponto, divertido, que, com algumas correções, pode até se tornar recomendável.

Por fim, é uma pena ser completamente redundante ao afirmar que Colonial Marines não é um bom jogo, por mais que, no fundo, eu queira dizer para mim mesmo o contrário.

Prós

  • Fiel à obra original;
  • Genuinamente divertido no modo multiplayer.

Contras

  • Muitos bugs;
  • Problemas na física, inteligência artificial, sistema de colisões e tudo mais que tenta recriar o mundo real;
  • Nada imersivo;
  • Existem dezenas de opções mais interessantes no mercado.

Aliens: Colonial Marines – Xbox 360 – Nota: 5.0
Revisão: Vitor Tibério 
Jardeson Barbosa escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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