Blast from the Past

Relembre todo o humor controverso de Conker Live & Reloaded (Xbox)

Quando Conker’s Bad Fur Day foi lançado para o Nintendo 64, no já distante ano de 2001, a indústria tremeu com a ousadia e criatividade ... (por Gabriel Vlatkovic em 28/04/2013, via Xbox Blast)



Quando Conker’s Bad Fur Day foi lançado para o Nintendo 64, no já distante ano de 2001, a indústria tremeu com a ousadia e criatividade da Rare, consagrada desenvolvedora britânica que se encontra um pouco apagada atualmente. E não era para menos, já que não é todos os dias que nos deparamos com um jogo em que um lindo esquilinho solta os mais variados palavrões enquanto tenta conseguir mais uma lata de cerveja. Alguns anos se passaram, e a Rare deixou de ser uma second-party da Nintendo quando foi comprada pela Microsoft. Dentre os frutos desta nova parceria, fomos presenteados, em 2005, com um remake da controversa aventura de Conker para o Xbox: Conker: Live & Reloaded contava não apenas com a excelente campanha para um jogador do título original, mas também com um inteligente e variado modo multiplayer (local ou online).

A ressaca de Conker

Conker contando sua história
Para os que não se lembram ou não conhecem o jogo, a aventura começa com Conker sentado em um trono segurando um copo de leite no melhor estilo Alex, de Laranja Mecânica. O esquilo então começa a contar como chegou até lá. Tudo começou com uma noite de bebedeira: o esquilo foi até um bar, se embriagou e acordou no dia seguinte em cima de seu próprio vomito. O problema é que ele não se lembrava do que tinha acontecido e muito menos de onde estava. O pobre esquilinho então parte em uma jornada em busca de sua casa, sem saber da roubada em que se metera. Durante sua jornada, Conker encontrará os mais diversos e bizarros personagens, como um espantalho boca suja, flores com implantes de silicone e até uma montanha de fezes que canta ópera. Além disso, o jogo faz referências a diversos filmes como Matrix e O Resgate do Soldado Ryan, tudo com o humor britânico característico da desenvolvedora e uma jogabilidade sólida que muitos jogos atuais não conseguem alcançar.

As mil faces de Conker

Um dos pontos mais interessantes do título é sua capacidade de criar as mais diversas situações enquanto varia o estilo da jogabilidade. Existem momentos que o jogo lembra um jogo de plataforma convencional, como Banjo-Kazooie, outros em que o foco é resolver quebra-cabeças chegando até a passagens com jogabilidade de third-person shooters. A mistura de estilos pode confundir alguns jogadores que não estão acostumados com tantos gêneros em uma aventura só, mas a Rare conseguiu conciliar tudo de uma maneira tão perfeita que é muito difícil não se surpreender com a qualidade do título.

"Olá, seu %$#%# $# %$#@!!!"
Uma grande inovação já trazida na época do Nintendo 64 e replicada no Xbox é a utilização de botões sensíveis ao contexto. Funciona assim: ao se aproximar de algum objeto ou elemento do cenário necessário para completar seu objetivo, Conker pode interagir com ele com o simples toque de um botão. Dessa forma, o jogo deixa de possuir milhões de combinações de botões para cada ação que deve ser realizada pelo esquilo e centraliza tudo em apenas um comando (o botão “B”) que executa as mais variadas ações, dependendo do contexto. Hoje, e até na época do Xbox, isso já é recorrente em diversos jogos, mas tal sistema era uma grande novidade quando foi implementado pela Rare no Nintendo 64.

Durante a jornada, o esquilo encontra os mais bizarros personagens
Mas não pense que Conker não possui muitos movimentos além deste. O esquilo possui diversos comandos típicos de jogos de plataforma, como pular, nadar e correr, e outros, provenientes dos vários estilos presentes no título. Como já é de praxe em criações da Rare, os comandos são muito precisos e nunca deixam o jogador na mão. O único problema é a câmera, que nem sempre se posiciona da forma mais correta, o que pode dificultar o avanço em certas passagens da aventura.

Mais acessível, sim. Melhor, não.

Uma das maiores críticas quanto a este remake é quanto ao corte de algumas passagens da aventura original para tornar esta versão mais acessível. Isso mesmo! Algumas passagens da versão de Nintendo 64 eram um inferno na Terra, e a Rare decidiu simplesmente eliminar tais pontos do jogo para torna-lo mais fácil. Essa escolha foi bastante criticada na época, e não é para menos, já que a aventura foi reduzida e seu nível de desafio – que era um dos seus grandes atrativos – foi reduzido. Mesmo assim, a aventura é muito acima da média e é capaz de divertir qualquer pessoa que se considere gamer.

O espantalho é o primeiro aliado de Conker em sua jornada
O modo multiplayer introduzido nesta versão é muito robusto. Com uma enorme quantidade de modos, personagens e habilidades a serem aprendidas, o jogo seguia à risca o forte movimento pró jogatina online promovido pela Microsoft com a sua revolucionária rede online, que ainda era uma novidade no mercado. A maior novidade é um modo baseado em missões: o jogador deveria, em parceria com seus amigos, completar os mais diversos objetivos, utilizando veículos e as mais variadas armas. As missões não eram simples, muito menos genéricas, contando até com cenas muito bonitas e elaboradas. A Rare ainda implementou uma missão extra à campanha, a Chapter X, que nada mais é do que uma introdução ao modo multiplayer em que o jogador pode aprender como funciona o sistema e a estrutura das missões. O capítulo é muito desafiador e compensa parte da acessibilidade excessiva do restante da aventura.

O multiplayer não diverte tanto quanto o modo para um jogador

Colírio para os olhos

A Rare sempre foi muito conhecida por aproveitar ao máximo os consoles em que desenvolve seus títulos, e com o Xbox a história se repetiu mais uma vez. Live & Reloaded é um dos jogos mais bonitos do console e pode surpreender até a jogadores acostumados com os videogames da atual geração. Tudo no game é trabalhado nos mínimos detalhes, desde os lindíssimos e vastos cenários até os pelinhos de Conker, um dos personagens mais adoráveis da história dos games (exceto por quando ele resolve abrir a boca). Um dos momentos mais memoráveis da aventura é a batalha contra The Great Mighty Poo, um monstro formado por fezes, que canta ópera e é derrotado quando lançamos rolos de papel higiênico em sua boca. A luta mostra todo o cuidado e criatividade da aventura criada pela desenvolvedora britânica.


Como se pôde notar, houve também muito esmero na parte sonora do jogo, que vai desde às excelentes músicas até o trabalho de dublagem, que beira à perfeição. Conker já era uma pérola no Nintendo 64, e ficou ainda melhor com o hardware parrudo do primeiro console da Microsoft.

Clássico inesquecível

Conker’s Bad Fur Day é daqueles jogos que marcaram época, e seu remake apresentou a novos jogadores todo o talento e criatividade da Rare, uma das maiores desenvolvedoras de todos os tempos. Infelizmente nunca mais se falou da franquia e a Rare anda um pouco apagada, mas quem sabe ela não está guardando uma grande surpresa para o lançamento do novo Xbox? Só nos resta torcer!

Revisão: José Carlos Alves
Capa: Wellington
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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