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Análise: Retorne à época dos gladiadores no belíssimo Ryse: Son of Rome (XBO)

Todo novo console possui aquele jogo de lançamento que tem o objetivo de mostrar as capacidades do novo hardware sendo, ao mesmo tempo, u... (por Gabriel Vlatkovic em 22/12/2013, via Xbox Blast)


Todo novo console possui aquele jogo de lançamento que tem o objetivo de mostrar as capacidades do novo hardware sendo, ao mesmo tempo, uma experiência digna e divertida para os jogadores, que estão empolgados para testar seus novíssimos membros da família. No caso do Xbox One, o jogo que carrega este fardo é Ryse: Son of Rome, um jogo de ação criado pela Crytec em que, no controle de um soldado romano, os jogadores devem avançar por lindíssimos cenários enquanto participam de batalhas épicas. No papel isso pode parecer incrível, mas algumas más decisões quanto à jogabilidade tornam o jogo apenas passável.


A (nem tão) longa trajetória de Mario

Em Ryse, você assume o papel de Mario, um centurião romano que tem a missão de proteger o imperador, Nero, de um ataque bárbaro. Logo na primeira missão, o jogador é colocado no meio de uma épica batalha em que o imperador deve ser escoltado até um local seguro. Após o duelo, com explosões, desmembramentos e muito sangue, Mario chega a uma câmara com Nero e lá começa a contar a sua história de vida. Ryse não é um jogo com enredo linear, já que a partir deste momento você reviverá as mais importantes lembranças do centurião até aquele momento.

Mario travará batalhas épicas
Apesar de muito interessante e variada, a campanha dura apenas cerca de seis horas, o que pode desanimar quem esperava que seu provável primeiro jogo de Xbox One fosse render por mais tempo. Mesmo assim, os ambientes são tão belos e distintos e a história tão interessante que acabam tornando o jogo bastante denso, de maneira que passa a impressão de ser um jogo mais longo.

Bate, defende, bate, defende...

Apesar das qualidades que fazem com que o jogo tenha toda a pinta de um título AAA, Ryse peca pela simplicidade excessiva de sua jogabilidade. Contando com comandos básicos que se limitam a atacar e defender, derrotar os inimigos acaba se tornando uma tarefa extremamente repetitiva: para vencê-los, basta apenas dar alguns poucos golpes até que o personagem comece a brilhar e, neste momento, executar uma sequência de comandos de acordo com a cor deste brilho. O problema é que, na verdade, não importa o que é feito para finalizar o inimigo, já que independentemente dos botões apertados (ou não apertados) a finalização acontecerá da mesma forma, o que é bastante frustrante e passa a impressão de que o título está se jogando sozinho.

Apesar de brutal, o sistema de combate é muito repetitivo
Isso não quer dizer que não haja recompensas para os que acertam os comandos. O jogo recompensa os bons reflexos dos jogadores com mais pontos de experiência que podem ser trocados por novas habilidades que, infelizmente, não fazem muita diferença no sistema de combate do título, que se manterá idêntico até o final. Ryse ainda conta com raras batalhas contra chefes, que apesar de um pouco desafiadoras, se tornam simples e previsíveis a partir do momento em que aprendemos o padrão de seus ataques.

Prepare-se para presenciar belos duelos
Para quebrar um pouco as mesmice e aumentar o nível do espetáculo visual do título, a Crytec adicionou ao pacote algumas passagens em que Mario deve comandar pequenos esquadrões e até mesmo catapultas contra os exércitos de inimigos que atacam incessantemente os romanos. Estes momentos demonstram algumas boas ideias que fazem bom uso dos comandos de voz do Kinect, já que é possível comandar os esquadrões e catapultas apenas dizendo o que os soldados devem fazer. O sistema reconhece muito bem cada comando e acaba sendo muito mais prático executá-los dessa forma do que por controles tradicionais.

Batalhando no Coliseu

Para os que gostam de jogos cooperativos, Ryse oferece um modo bastante divertido que se passa em diferentes arenas montadas no tradicional Coliseu, em Roma. Neste modo, os jogadores devem cooperar e criar estratégias para saírem vitoriosos derrotando hordas de bárbaros sedentos por sangue. No início de cada batalha um deus greco-romano deverá ser selecionado por cada participante, e os bônus dados por execução são dados de acordo com essa escolha. Sendo assim, enquanto um jogador tem o poder de recuperar sua energia e de seus aliados com execuções perfeitas, o outro pode aumentar o foco de ambos, facilitando os desmembramentos. Esta adição acaba dando mais variedade às premissas de combate, mas infelizmente a jogabilidade continua crua e repetitiva como no modo para um jogador.

O modo cooperativo diverte, mas é raso como o para um jogador

A mais bela guerra já vista

Se existe um ponto que chama a atenção imediatamente em Ryse é o seu visual. Inaugurando um novo patamar, digno de uma nova geração, o jogo possui uma aparência impressionante e realista, que fará seu queixo cair desde a primeira cena até a finalização da campanha. Muito variados, os belíssimos ambientes apresentam efeitos de iluminação impecáveis e texturas em altíssima definição, além da incrível modelagem e animação dos personagens. Infelizmente o título é bastante linear, sendo muito raro poder caminhar por rotas alternativas. Outro problema é a repetição dos modelos utilizados para os inimigos, sendo estes iguais durante toda a aventura e dando a impressão de que estamos enfrentando um exército de clones. Contudo, o jogo surpreende a todo instante se deixarmos estes detalhes de lado e é o jogo perfeito para sentirmos um gostinho do que o Xbox One conseguirá fazer durante seus anos no mercado. Para acompanhar a qualidade gráfica, os efeitos sonoros, composições e dublagem são excelentes, de maneira que aumentam ainda mais a imersão do título.

Os gráficos de Ryse são de cair o queixo

Uma bela demonstração técnica

Se Ryse: Son of Rome foi lançado para mostrar as capacidades do novo consoles da Microsoft, a Crytec acertou em cheio. Com gráficos espetaculares e uma ambientação de cair o queixo, o título é facilmente o mais bonito de toda a line-up de lançamento do console e nos deixa bastante ansiosos com o que o futuro nos reserva. Contudo, a jogabilidade extremamente simples e repetitiva faz com que o jogo não atinja seu verdadeiro potencial e provavelmente o título será esquecido daqui a pouco tempo.

Prós


  • Gráficos espetaculares;
  • Enredo interessante;
  • Bom uso do Kinect;
  • Modo cooperativo interessante.

Contras


  • Curto;
  • Repetitivo;
  • Jogabilidade quase automática torna o jogo frustrante

Ryse: Son of Rome – Xbox One – Nota: 6.5
Revisão: José Carlos Alves
Capa: Stéfano Genachi 
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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