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Análise: Salve seu irmão em apuros no divertido Max: The Curse of Brotherhood (XBO)

Enquanto Brothers: A Tale of Two Sons (Multi) tenta mostrar o amor e a união entre dois irmãos, a Press Play, desenvolvedora de Max and... (por Gabriel Vlatkovic em 16/02/2014, via Xbox Blast)


Enquanto Brothers: A Tale of Two Sons (Multi) tenta mostrar o amor e a união entre dois irmãos, a Press Play, desenvolvedora de Max and the Curse of Brotherhood, decidiu fazer com que seu jogo trilhasse por outro caminho ao mostrar de maneira caricata a relação de tapas e beijos que dois irmãos mantém durante a infância. O título de plataforma, lançado no final do ano passado para o Xbox One, vem para tentar suprir a vontade que alguns têm de jogar algo mais simples e descompromissado no console de última geração da Microsoft. Só que, infelizmente, apesar da clara boa vontade da Press Play, algumas coisas da mecânica deste jogo prejudicam bastante a experiência.


A maldição dos irmãos

Max and the Curse of Brotherhood tem aquele clima de animação da Pixar que todos adoramos. Logo na primeira e lindíssima cena do jogo, vemos o garoto protagonista sendo atrapalhado por Felix, seu irmão mais novo, que brinca inocentemente no quarto compartilhado por eles dois. Muito irritado até com o fato de seu irmão existir, Max decide buscar na internet uma forma de se livrar do menino pentelho e encontra uma série de versos com cara de bruxaria e cheios de rimas esdrúxulas. Max não pensa duas vezes e decide tentar evocar os poderes daquilo, sem imaginar que o feitiço daria certo e que Felix seria levado a um mundo desconhecido pelas garras de um monstro assustador.

A maldição de Max faz com que Felix seja levado a um mundo desconhecido
Desesperado, Max vai atrás de seu irmão e se vê diante de um enorme deserto, enquanto presencia Felix desaparecer ao fundo, nas mãos do monstro. O pequeno bruxo decide então vasculhar o mundo em busca de seu irmão, e acaba conseguindo a ajuda de seres místicos que lhe concedem poderes para o lápis que está em seu bolso. Assim como em clássicos como Okami (PS2), para avançar no jogo o jogador deve utilizar o lápis para desenhar novos elementos no cenário e para resolver quebra-cabeças.

Mal executado

Apesar da história divertida e do conceito de jogabilidade bastante promissor, Max peca em diversos aspectos que prejudicam bastante a jornada. Em primeiro lugar, nem sempre os desenhos saem como esperado, por mais que as formas  possíveis de serem desenhadas sejam muito simples. Isto é algo que obriga o jogador, em um grande número de situações, a refazer o desenho por mais de uma vez, na tentativa de superar certos desafios e avançar. Para agravar ainda mais este problema, alguns momentos exigem rapidez do jogador, e um erro pode significar a morte, o que acaba acontecendo várias vezes durante a aventura. Além disso, não é possível reeditar um desenho já iniciado para construí-lo por etapas,  o que obriga o jogador a destruí-lo para começar tudo de novo, caso algum ajuste seja necessário.

Até a mais simples das formas pode ser bem irritante de desenhar
Logo na primeira hora de jogo já é possível perceber como isso incomoda: o primeiro poder concedido ao lápis é o de desenhar colunas de pedras para que o garoto possa chegar a lugares mais altos e seguir em sua jornada. Por nem sempre o desenho sair da forma esperada, seja por um erro de cálculo ou mesmo por certa imprecisão dos controles, o jogador constantemente se vê obrigado a destruir este tipo de desenho para tentar recriá-lo desenhando-o mais uma vez, e assim sucessivamente. E isso se torna cada vez mais frustrante. Se ainda o jogo suportasse o SmartGlass, ou mesmo o Kinect, com alguma funcionalidade que tornasse os comandos de desenho mais intuitivos e ágeis, o defeito poderia ter sido amenizado, mas este não é o caso.

O jogo possui momentos épicos
No entanto, após algumas horas de jogatina, o advento do aperfeiçoamento através da prática surge e os erros começam a ser menos frequentes, de forma que Max acaba se tornando um jogo deveras competente, divertido e encantador. A partir desse momento, podemos ver todo o potencial do título, que poderia ser um grande jogo de plataforma, mas que é apenas bom.

Max possui passagens bastante desafiadoras
A história, que começa de forma épica, acaba ficando em segundo plano em prol dos quebra-cabeças, sendo que dificilmente o jogador sente no jogo um bom desenvolvimento narrativo, seja através de alguma cutscene ou através do próprio gameplay. Nem mesmo as razões do vilão do título são explicadas decentemente até o final da aventura, que dura cerca de sete horas. Mesmo assim, todo o carisma dos personagens faz com que o jogador se envolva de alguma forma com Max and the Curse of Brotherhood, ainda que ele nunca receba muitas informações a respeito do lugar onde a aventura se passa ou sobre os personagens que aparecem no jogo.

No mundo da imaginação

Se tem uma coisa que chama a atenção logo de cara neste título, muito mais do que qualquer outro de seus elementos de jogo, são seus lindos gráficos. Não espere o realismo de Ryse: Son of Rome (XBO) nem mesmo muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, como o que se vê através das hordas gigantescas de Dead Rising 3 (XBO), mas Max possui um brilho que talvez esses dois jogos não tenham: carisma e identidade. As animações são fluidas e suaves e a direção artística supera a de quase todos os jogos lançados até agora para o novo console da Microsoft. Muito variados, detalhados e coloridos, os cenários do jogo encantam qualquer um que adentrá-los. E os personagens, sejam inimigos ou protagonistas, sempre nos convencem e nos ganham com seu carisma.

Os gráficos do jogo são belíssimos
Apesar de serem poucas, as cenas presentes durante a aventura contribuem ainda mais para criar o clima divertido do jogo, com gráficos que lembram muito as animações da Pixar e têm um toque de humor pastelão característico da DreamWorks. A parte sonora não fica para trás e tanto a dublagem quanto as composições convencem bastante o tempo todo e tornam a aventura mais envolvente.

Boa tentativa

Max and the Curse of Brotherhood poderia ser uma grande adição à crescente biblioteca de jogos lançados para o Xbox One, mas por trás de lindos gráficos, personagens carismáticos e um conceito inovador, se esconde um jogo que se perde por alguns problemas de jogabilidade que atrapalham bastante a aventura. Mesmo assim, o esforço da desenvolvedora não foi em vão e, apesar dos defeitos, o jogo é ideal para quem está sedento por um jogo de plataforma em seu novíssimo console.


Prós

  • Conceito divertido;
  • Personagens carismáticos;
  • Gráficos lindíssimos.

Contras

  • História mal aproveitada;
  • Sérios problemas de jogabilidade;
  • Funcionalidades com o SmartGlass e Kinect não foram implementadas, mesmo com utilidade.


Max and the Curse of Brotherhood – Xbox One – Nota 7.0

Revisão: Samuel Coelho
Capa: Rafael Lam
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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