Hands-on

Assassin's Creed Unity traz o melhor contexto histórico e modo multiplayer

Com as mecânicas centrais reformuladas, modo multiplayer e podendo gozar do contexto da Revolução Francesa, Unity volta às origens mas continua inovando.


Um grande risco que ocorre com franquias que se tornam anuais é o seu rápido desgaste, e a Ubisoft vem experimentando isso em primeira mão. Os Rabbids se banalizaram e agora estão em todos os lugares — até na TV —, mas fazendo um terço do sucesso que faziam. Just Dance está mais repetitivo que Call of Duty, e Assassin’s Creed começou a cair no marasmo com sua terceira iteração. Mas, para nossa felicidade, a Ubisoft se aprumou em Black Flag e agora, em Assassin’s Creed Unity (multi), promete voltar às raízes e aproveitar do melhor momento histórico para contar essa sempre-presente guerra dos templários e assassinos: a Revolução Francesa.




“É uma Revolta?” “Não, Majestade, é uma Revolução!”

“13 de Julho de 1789, Versailles

A situação na França está cada vez mais complicada. A crescente crise financeira deixou os camponeses em petição de miséria e a população em geral está muito insatisfeita. Alguns falam até em tomar a Bastilha, um dos principais ícones do Antigo Regime na nossa terra. Mas há algo de errado… Existem pessoas orquestrando isso tudo por trás das sombras… Eu preciso encontrá-las… eu preciso me redimir…
Arno Dorian
O novo protagonista de Assassin's Creed Unity, Arno Dorian, ainda está envolto em muito mistério. Pouco sabemos dele e suas motivações além de que está em uma jornada de redenção e que iremos conhecer e nos aprofundarmos no personagem antes que esse se junte à irmandade dos assassinos. Os produtores fazem questão de frizar que Arno terá uma personalidade forte, equiparável à de Ezio e Altair, no quesito de que ele não vai apenas fazer o que mandarem, e sim o que achar que é certo (como na demo que vimos, aonde ele deixa um nobre que lhe deu informações viver, já que não havia por que o matar). Além da personalidade, um tema recorrente será um Dilema Corneliano pelo qual o protagonista passará. Isso é, ele se verá constantemente deparado com escolhas entre amor e honra ou desejo e dever; opções que, independente da escolha, terá um efeito negativo no personagem.

Além do grande esforço investido para criar um enredo envolvente, a galera da Ubisoft no Canadá se inspirou nas origens francesas da empresa e conseguiu a locação perfeita para o mais recente título. As ruas movimentadas de Paris contam com um ambiente claustrofóbico e vívido, como era de se esperar em uma cidade do século XVIII em pé de revolução. Brigas de rua, assaltos e assassinatos, tudo ocorrendo à sua volta, podendo ou não você se envolver com os mais de dois mil personagens que podem aparecer simultaneamente na tela e seus problemas diários. Um ponto interessante é ver como a cidade e a revolução vão progredindo ao longo da história, e como isso vai afetar o jogador.

O imenso ambiente conta com pelo menos duas estruturas com interiores completos em cada quadra, não precisando de loadings para entrá-las. Isso, sem falar das catacumbas, que percorrem o subsolo de Paris

“Não se pode fazer uma revolução, sem a revolução”

O pessoal de Montreal levou a sério a questão de voltar as raízes e, como consequência, quis revolucionar a experiência ao reformular várias mecânicas e retirar vários elementos que vêm dando as caras nos últimos títulos. Em outras palavras, nada de seções à bordo de navio. Na realidade o representante da Ubisoft até brincou: “o lugar com mais água no jogo é a fonte de uma das praças. Aonde iria caber um navio no centro de Paris?”. Mas mais do que retirar elementos que conhecemos, como foi dito, eles também estão reformulando boa parte das principais mecânicas do jogo: as seções de stealth, de combate e de parkour.


O parkour agora conta com dois modos distintos de acordo com o que o jogador deseja realizar. Utilizando-se dos botões superiores do controle do Xbox One, o usuário pode fazer parkour especificamente para subir ou descer, de acordo com o botão pressionado, o que vai dar um novo ar à mecânica, embora ainda mantenham-se alguns elementos do freestyle já presente nas versões anteriores — além de poder comprar e habilitar novos movimentos no decorrer do jogo. O sistema de combate agora tem um foco maior nas espadas e baseia-se nos conceitos de esgrima. Trata-se de uma natural evolução do sistema de parring e investida com o qual já estamos acostumados. Mas não se preocupem: outras armas além das espadas também estarão presentes.


As seções de espionagem e infiltração na surdina, normalmente denominadas de stealth, foram as que mais sofreram reformulação. Embora atuem de maneira similar, a IA mais inteligente e a maior interação com o cenário (no sentido de objetos interativos nos quais você pode se esconder, e como passar de um para o outro), trazem maior realidade e imersão para esses momentos. A nova arma dos assassinos, a Phantom Blade, permite atirar um projétil silencioso à longa distância, além de atuar como a costumeira Hidden Blade. Dessa forma, o jogador terá ainda mais opções de como realizar seus assassinatos.

"Às armas, irmãos, às armas"

Obviamente, um dos principais atrativos de Assassin’s Creed Unity diz respeito ao modo cooperativo online para até quatro jogadores. O multiplayer, que infelizmente não se fez presente na demo que pudemos assistir, se limita a missões e segmentos específicos do jogo. Embora componham uma grande parte, ainda haverá alguns trechos que serão exclusivamente para jogatinas solo.


O modo cooperativo se dá através das tavernas, que servem como um hub de encontro dos jogadores. Lá, é possível ver outros jogadores onlines e versões “fantasmas” dos mesmos, caso estes se encontrem no meio de missões, e interagir com eles fará que você se junte à missão, partindo do último checkpoint salvo. Apesar das artes conceituais, o jogador sempre será Arno e seus companheiros serão repintados aleatoriamente com os outros três assassinos da irmandade disponíveis. Seria interessante realmente ser outro personagem, cada um com suas habilidades e atributos (quem sabe até uma personagem mulher); isso adicionaria muito ao fator replay, mas o modo já parece suficientemente promissor da forma que se encontra.


"Esse ano tive a oportunidade de assistir ao gameplay com um desenvolvedor do Assassin's Creed Unity. É a primeira versão do Assassin's Creed exclusiva para um console da nova geração, então posso dizer que os gráficos e a suavidade dos movimentos está sensacional. Durante o gameplay novas habilidades de parkour foram reveladas, ao escalar paredes e executar assassinatos. Gostei muito do que vi e , eu como fã da série, mal posso esperar para poder joga-lo.”
Pablo Montenegro, Diretor de Vídeos

“Uma revolução não pode ser feita nem parada”

Alguns acusam a Ubisoft de louca por anualizar suas franquias, mas, como ela mesma explicou em Far Cry 3, loucura é “fazer a mesma coisa várias vezes e esperar diferentes resultados”. Entretanto, com Assassin’s Creed Unity, a empresa não está querendo fazer algo diferente ou repetir os últimos jogos e esperar outro resultado; não, ela sabe muito bem o que está fazendo. A Ubisoft de Montreal está pegando os principais conceitos que fizeram de Assassin’s Creed II o sucesso que foi e os expandindo, os deixando mais interessantes e diversificando-os. Ela quer fazer o que fez com a segunda iteração da franquia e quer exatamente o mesmo resultado: um jogo que vai agradar não só aos fãs, mas também boa parte dos gamers.

Uma curiosidade: os subtítulos desse texto foram frases celebres proclamadas por pensadores, monarcas e envolvidos na Revolução Francesa.

Revisão: Alberto Cannen
Capa: Daniel Silva
Hugo H. Pereira cursa artes conceituais nos EUA e atua como ilustrador e redator no Blast. Quando não está colocando seus desenhos no Facebook, está gritando "Objection" por ai ou resolvendo enigmas com o Professor Layton.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook