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Análise: Gears of War: Ultimate Edition chega redesenhado para uma nova geração

Mais do que belos visuais, a versão definitiva de Gears of War celebra a história da franquia, preparando velhos e novos jogadores para o retorno da série

Lançado em 2006, no início da vida do Xbox 360, Gears of War definiu padrões para toda uma geração. Com visuais inimagináveis até então, jogabilidade original, trilha sonora competente, ação monstruosa, cooperativo divertido e modo online viciante, o título rapidamente tornou-se um dos melhores e mais conceituados da época, dando origem a uma série cultuada e ajudando a Microsoft na dura batalha pelo mercado contra a Sony. Quase 10 anos após o sucesso estrondoso, Gears of War está de volta, redesenhado e modernizado para a nova geração. Mas será que temos apenas mais uma dispensável remasterização se aproveitando do retorna da franquia? Ou essa versão faz jus ao legado da série e merece nosso suado dinheirinho? Acompanhe.

Nasce a lenda

Inspirado em Resident Evil 4 e kill.switch, a Epic Games não poupou esforços e dinheiro para produzir Gears of War. O jogo, apresentado pela primeira vez na E3 2005, unia ação explosiva em terceira pessoa, sistema de camuflagem original, tiros em primeira pessoa, exploração, ficção científica, visuais HD nunca antes vistos e modos cooperativos e competitivos extremamente viciantes. Não deu outra, foi sucesso imediato, tornando-se, em seguida, uma das marcas mais fortes do console da Microsoft, gerando uma saga apaixonante com os outros três títulos: Gears of War 2, Gears of War 3 e Gears of War: Judgement.
Lançado em 2006, o primeiro Gears of War chegou ao Xbox 360 e PC.
Em seu capítulo inicial, Gears of War nos apresenta a uma simples, mas interessante, história sobre a colonização humana do planeta Sera. Após exaurirem todos os recursos da Terra, a humanidade se viu forçada a fugir para outro planeta. Contudo, para variar, em pouco tempo os recursos naturais de Sera começaram a se esgotar, forçando a busca por novos meios de sobrevivência. Essa nova exploração acarretou na descoberta acidental de uma nova fonte de energia, o Imulsion.

Não é difícil de imaginar que seria instaurada um corrida pelo Imulsion — o ser humano é tão previsível. Algumas nações passaram a explorar as reservas do material de forma desenfreada, causando desigualdade na distribuição e acumulo de riquezas. Consequentemente, uma guerra chamada Pendulum Wars foi instaurada pelo domínio do material. 
A Pendulum Wars quase arrasou o resto da raça humana.
Após 75 anos de conflitos entre o COG e o UIR — terminados com a vitória do Coalition of Ordered Governments — o povo de Sera começava a se recuperar, contudo, em um ataque surpresa conhecido como o Emergence Day, milhares de criaturas chamadas Locust surgem do subsolo e arrasam a superfície do planeta, devastando 90% da população nas primeiras 24 horas. Essa tragédia é o marco de mais um grande conflito que duraria mais 10 anos, dessa vez entre o COG e os Locust.
O Emergence Day foi o dia da invasão dos Locust ao planeta Sera, então nova habitação dos humanos.
Durante este período, um jovem soldado ganhava notoriedade entre os combates devido a seus grandes feitos. Seu nome era Marcus Fenix, então protagonista do jogo. Mas, as coisas mudariam de direção quando, em meio a uma importante missão, Marcus recebe o aviso que seu pai, Adam Fenix, estava em apuros em outro campo de batalha. Desesperado, Marcus abandona seu posto de comando, indo ao encontro do seu pai. Infelizmente, chagando lá, já era tarde demais. 
Marcus Fenix, protagonista de Gears of War: Ultimate Edition.
Além de perder seu último familiar, Marcus é condenado a 14 anos de prisão por abandonar seu posto enquanto tentava resgatar seu pai. Porém, desesperados com a situação crítica da guerra contra os Locust, o COG, liderado por Dominc Santiago, resolve libertar Marcus após anos de cárcere e utilizá-lo como última esperança de derrotar os monstros com a Operação LigthMass. E é aí que a nossa aventura começa, mas dessa vez ainda mais brilhante do que há nove anos.

Familiaridade soberba 

Os primeiros minutos de jogo já são suficientes para impressionar qualquer jogador, seja ele novato ou veterano de guerra, causando quase o mesmo espanto de quem viu o jogo pela primeira vez em 2006. É simplesmente belíssimo. Cada textura, sombreamento, efeito de luz e partícula foram cuidadosamente trabalhadas, atingindo aspectos muito convincentes, superando, e muito, o original.

O que já era muito bonito, agora é espetacular. A ambientação variada e gigantesca ganha contornos épicos, tamanho capricho do estúdio The Coalition —  responsável pelo futuro Gears of War 4. Os desenvolvedores foram além do que se esperava, retransformando os aspectos do jogo e recriando praticamente tudo do zero. Da textura da pele e do brilho das armaduras até os aspecto concreto e profundo dos metais e rochas, tudo foi refeito com primor técnico incrível.

Na verdade, Ultimate Edition mais parece um título novo, tamanha as modificações feitas pela The Coalition. Além de embelezar o título — trazendo uma paleta de cores menos acinzentada, e mais real —, rodando agora a suaves 1080p e 30 quadros por segundo (60 quadros no modo online), a jogabilidade foi readaptada às exigências da novo geração, contribuindo para uma ótima fluidez durante a jornada.

Embora a movimentação do personagem ainda pareça dura e pesada — ou você queria controlar um cara de 100 kg coberto de armaduras saltitando na ponta dos dedos? —, em Ultimate quase tudo é mais ágil. Corrida, carregamento, mira, deslocamento e a tão característica camuflagem foram aprimoradas, facilitando um pouco mais a vida dos novos jogadores. Contudo, os menos criteriosos talvez nem sintam esses ajustes finos.

Infelizmente, alguns problemas do sistema de camuflagem ainda permanecem, como os momentos em que tentamos correr e o personagem para em determinado obstáculo, deixando o jogador exposto ou, pelo menos, irritado por não conseguir fazer o que quer. Em outros momentos, tentar sair de trás de um pilar e tentar seguir em frente é um desafio, pois o personagem insiste em saltar para outro esconderijo, quando o que queremos é apenas ir para frente. Mas, essas falhas não são constantes, passando despercebidas em meio a instigante jornada.

Outra falha que poderia ter sido corrigida, ou pelo menos melhorada, é o aspecto desossado dos inimigos quando morrem. De pé, enquanto nos enfrentam, eles parecem máquinas pesadas de músculo. Mas, quando morrem, parecem mamulengos, leves e vazios. Inclusive, você consegue arrastá-los pelo cenário como se estivesse manuseando uma balão de ar com os pés. Todavia, outra vez, passa despercebido pela maioria. O andamento do jogo é tão dinâmico que você dificilmente se apegará a algo que não seja o combate frenético.

Ação brutal

Gears of War é brutal, e nessa remasterização é ainda mais animal. A premissa é bastante simples, mas recompensadora. Basta correr, proteger-se, mirar e estourar tudo que se move pelo caminho — um acorde de guitarra ecoa quando você limpa a área. Esse processo segue em todas as fases, alternando em trechos que controlamos veículos e outros de leve exploração. Tudo isso sem cansar.

Os momentos de confronto são incessáveis, mantendo um ritmo frenético durante toda a campanha principal. Completando o sentimento de frenesi, temos confrontos contra chefes monstruosos, exigindo ainda mais destreza do jogador e criando o clima perfeito de guerra alienígena.

O combate é intuitivo e muito divertido. É só escolher uma das várias armas do jogo e estourar criaturas, com destaque para a Lancer Rifle, que tem uma motosserra no lugar da baioneta — serrar um Locust com a Lancer é obrigatório em Gears of War. Os inimigos, por sua vez, possuem um nível de dificuldade aceitável, variando entre diferentes dificuldades — no início eles são inofensivos, mas no final, principalmente o maldito último chefe, as coisas complicam de verdade. 

O mesmo pode ser dito dos nossos companheiros. Em vários momentos eles ficaram como louco, correndo perdidos e atrapalhando. Em outros, raros eu sei, eles realmente ajudam. Mas, acredito que não alterar esses aspectos foi uma decisão certa, mantendo o jogo fiel, assim como acertaram em cheio nas mudanças. 

Novo brilho

Ultimate Edition ainda é o jogo original em sua essência, mas engana-se quem pensa que o título ganhou apenas visual de nova geração, como tem sido feito com muitos jogos recentemente. A The Coalition foi além, modernizando o jogo e trazendo diversas novidades.

Entre as adições da versão definitiva estão: cinco novos capítulos (lançados apenas para PC), acrescentando cerca de 90 minutos extras de jogo; novo sistema de save automático, tornando a experiência menos frustante; série de histórias em quadrinhos explicando a história; e praticamente todas as custcenes refeitas. 
Coletando as 33 placas dos CGO é possível desbloquear as histórias em quadrinho. Ainda estou na minha busca.
Quando digo que as cenas entre fases foram refeitas, não me refiro apenas graficamente, mas sim às tomadas, posicionamento de personagens e edição. Mais parecem novas cenas do que existentes. Não estou exagerando, em alguns momentos você pensará que está jogando um jogo inédito da série.

Outra mudança muito bem-vinda é a dublagem em português. Diferente de experiências anteriores, aqui temos dubladores profissionais atuando, trazendo nova dinâmica e vida para as missões. Você vai se divertir com os palavrões e se envolver com a angústia e a dor dos personagens durante o jogo ao longo das cerca de 10 horas — divididas em cinco atos — de campanha principal. Mas não pense que o jogo acaba aí. Muito pelo contrário. O multiplayer mantém o mesmo nível altíssimo da aventura principal. 

Destruição em rede

Se já não bastasse tudo que foi feito no modo campanha, Ultimate Edition traz o tradicional modo online com muitas melhorias e novos modos de jogo, distribuídos entre cooperativo e competitivo. 

No cooperativo, você pode completar o modo história com até três amigos online ou com ajuda de um parceiro em tela divida no modo local. Qualquer uma das opções é bastante divertida, mas jogar em rede com chat de voz e a possibilidade de traçar estratégias com todo o esquadrão é uma experiência obrigatória em Gears of War, elevando o fator replay às alturas. 
Terminar o modo campanha com amigo é muito mais divertido.
No competitivo, somos apresentados a uma rica variedade de opções, agradando todos os tipos jogadores. Para isso, os desenvolvedores disponibilizaram diferentes modos de jogo, como Social, para os mais casuais, e o competitivo, para os aficionados em rakings. Todos eles com uma diversidade de modalidades, como o Mata-mata em grupo — o meu favorito —, Rei do Pedaço, Zona de Guerra, Execução, Assalto, Assassinato e o novo Execução com Gnashers 2x2
No modo competitivo online, o jogo roda a 60 quadros por segundo, deixando tudo ainda mais suave, rápido e intenso
São mais de 19 mapas remodelados, tanto da versão original quanto de outros títulos da franquia. O mesmo pode ser dito dos personagens no modo competitivo. Representantes de outros jogos, como Gears of War 3, podem ser selecionados para os combates online, além de uma imensa variedade de armas e skins. E tudo isso sem maiores lags ou problemas de conexão. Não gastei mais de um minuto para encontrar jogadores. É tudo muito rápido e prático.

Preparação de luxo

É bem verdade que a The Coalition está utilizando o Ultimate Edition como preparação para Gears of War 4. O jogo funciona muito bem como aperitivo de luxo para os fãs da série e grande porta de entrada para novatos. Mas isso não é tudo. Os compradores dessa remasterização receberão todos os outros títulos da franquia Gears of War no momento que a retrocompatibilidade estiver disponível. 
Por R$ 139,00 você tem acesso a franquia completa.
Sim, meus amigos, além de ter acesso a uma das melhores remasterizações dessa geração, você poderá jogar todos os jogos da franquia lançados para o Xbox 360: Gears of War original, Gears of War 2, Gears of War 3 e Gears of War: Judgement. Tudo isso por apenas R$ 139,00 na Xbox Store. 

Definitivamente arrasador 

Muito se discute sobre a relevância das remasterizações, principalmente de jogos da geração passada. Eu sou do time que concorda que elas são necessárias, principalmente quando servem para outros jogadores experimentarem títulos que não tiveram a oportunidade de jogar no passado. E isso por si só já faz de Ultimate Edition um jogo obrigatório para os novos donos de um console da Microsoft. Mas ele vai mais além.

Cuidadosamente refeito, Gears of War Ultimate Edition traz novo brilho para um jogo que ditou regras na sua geração, acrescentando detalhes cruciais e aprimorando uma experiência que já era refinada. Aqui, temos um exemplo claro de bom uso das remasterizações para entreter velhos e novos jogadores e, com muito carinho, celebrar o legado de uma das mais importantes franquias recentes dos videogames.

Com um modo campanha memorável, multiplayer online divertido e diverso, novos extras e a possibilidade de jogar todos os títulos da série lançados até hoje, Gears of War Ultimate Edition entrega para o jogador umas das melhores opções de jogo da atual geração. Está esperando o quê para ajudar Marcus Fenix a derrotar os Locusts e, no final, enfrentar este poderoso redator no mata-mata por equipe na Live?


Prós

  • Visuais belíssimos;
  • Jogabilidade aprimorada;
  • Novos extras;
  • Modo online divertido e variado;
  • Elevado fator replay;
  • Receber todos os outros jogos da série juntos.

Contras

  • Inteligência artificial confusa;
  • Pequenos bugs. 
Gears of War: Ultimate Edition — Xbox One — Nota: 10.00
Revisão: Luigi Santana
Capa: Nívia Costa 

Ítalo Chianca escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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