Analógico

Blast Replay: Perfect Dark (2000)

Inovação é a palavra chave quando o assunto é Perfect Dark. E no modo Multiplayer foi onde a Rare superou todos os seus limites.

Quando a Nintendo World número 15 trouxe a notícia de que 007: The World Is Not Enough (Multi) seria lançado para Nintendo 64, eu fiquei muito feliz, mas assim que comecei a ler a notícia o sentimento mudou, fiquei muito triste. Isso porque o jogo não seria desenvolvido pela Rare, mas pela desconhecida Eurocom.

O motivo da Rare não pegar o projeto era o fato de ela estar ocupada com muitos outros jogos, entre eles, Perfect Dark. Um jogo que já tinha sido adiado algumas vezes pela Nintendo e que prometia muita coisa, incluindo a possibilidade de colocar o rosto do jogador num dos personagens no modo multiplayer.

Mais do que um novo GoldenEye

No momento em que joguei Perfect Dark percebi que se tratava de um título grandioso, com o selo de qualidade Rare. O jogo foi feito em cima da estrutura do GoldenEye 007 (N64), um mega sucesso da Rare e Nintendo. Mas não se limitava a ser uma versãozinha melhorada. O jogo levava a ideia de GoldenEye aos limites extremos, pois era uma evolução em todos os aspectos do gênero de tiros. O que é muito surpreendente, já que GoldenEye é um dos melhores títulos do Nintendo 64.


A evolução é perceptível só de olhar, os gráficos são tão detalhados que fazem Perfect Dark parecer um jogo de uma nova geração de consoles quando comparado com GoldenEye. Os ambientes são ricos em detalhes. Em GoldenEye era comum você entrar numa sala enorme sem quase nenhum objeto nela. As armas foram redesenhadas e ficaram muito parecidas com armas de verdade. Mas o destaque fica para os personagens. Com gráficos menos poligonais, os personagens não parecem retângulos com uma imagem colada por cima. Em Perfect Dark tudo é mais suave e detalhado.

O jogo tem uma história digna de um filme de ficção científica, com animações no início e fim de cada fase e músicas que levam o jogador a total imersão nos objetivos de cada fase. As músicas vão se alterando de suaves e misteriosas durante as fases de infiltração para agitadas durante a adrenalina da troca de tiros.

Diversos modos de jogo

Assim que o menu principal aparece, com diversas opções de jogo disponíveis, fica evidente que se trata de um jogo grandioso. No modo história são diversas fases, cada uma com os seus objetivos, sempre diferentes e criativos. Os controles são os mesmos já conhecidos e consagrados do GoldenEye, facilitando a vida dos jogadores que já haviam se aventurado no mesmo. Para atingir cada objetivo, a heroína Joanna Dark contará com diversos equipamentos e com um arsenal com 33 armas, todas com duas funções para serem utilizadas. O jogo conta com três níveis de dificuldade, a fim de deixar qualquer jogador confortável para se divertir com o game.


Mas se mesmo assim o jogador estiver com dificuldades para passar de fases, basta chamar um coleguinha e entrar no modo cooperativo. Neste modo a tela fica dividida, e dois jogadores poderão jogar juntos numa mesma campanha. Porém se o seu problema é o contrário,  ou seja, mesmo no nível mais difícil você ainda consegue passar com facilidade, basta entrar no modo contra cooperativo. Nele o segundo jogador irá assumir o papel de adversário, tendo como objetivo impedir o sucesso do primeiro jogador.

Também existe o modo Carrington Institute. Nele é possível explorar a base dos agentes, realizar alguns treinamentos e desbloquear armas para o modo multiplayer. Aliás, o título contém diversos extras para serem desbloqueados, tanto para o modo história quanto para o modo multiplayer. Alguns são desbloqueados através dos treinamentos do Carrington Institute e outros através dos desafios que podem ser encontrados em algumas missões do modo história. Nos desafios era preciso completar uma fase com determinadas condições, como tempo de duração e nível de dificuldade.

Multiplayer, o carro chefe do Perfect Dark

Aqui tudo é novo: poder das armas, os personagens, o visual e o jeito de jogar. O único elemento mantido do GoldenEye foi o controle. Os cenários copiados do GoldenEye — Complex, Temple e Facility — foram sutilmente alterados, mas ficaram completamente diferentes.


A primeira coisa a fazer, antes de começar a jogar, é criar seu personagem. Em Perfect Dark é possível criar um perfil, inserir um nome em seu avatar, escolher o corpo e a cabeça. Uma vez criado, o jogo irá salvar todas as suas estatísticas de combate, como o número de mortes, medalhas obtidas e uma categoria de desempenho.


O game possui dez labirintos inéditos e mais três (já citados) trazidos do jogo GoldenEye. Os labirintos são grandes e podem ser utilizados em todos os modos de jogo do multiplayer, que vão desde o clássico combate até o rouba bandeira. Confira todos os modos abaixo:

Combat - O verdadeiro mata-mata, ganha quem eliminar mais adversários. Cada morte vale um ponto.

Hold the briefcase - Neste modo o jogador deve encontrar a maleta e ficar com ela o maior tempo possível.  A cada trinta segundos com a maleta o jogador soma um ponto e os pontos por morte continuam sendo computados.

Capture the case - É o famoso rouba bandeira, mas com maletas. O objetivo é capturar a maleta da equipe adversária e trazer para sua base.

Hacker central - O objetivo é encontrar o data uplink e em seguida utilizá-lo no terminal de computador. O detalhe é que enquanto o jogador utiliza o data uplink no computador não é possível utilizar armas, deixando o jogador completamente vulnerável.

King of the hill - Um local do mapa ficará com uma cor diferente, e o objetivo é permanecer nesse local e defendê-lo até que outra área seja selecionada.

Pop a cap - Talvez o modo mais divertido do multiplayer. Funciona da mesma forma que o Combat, mas com uma diferença. O jogo irá selecionar um jogador para ser a bola da vez, e quem eliminá-lo irá ganhar dois pontos.

Multiplayer para todos… até os sem amigos

Perfect Dark é um jogo tão bom que pensou até em quem não tem amigos. No modo multiplayer é possível adicionar adversários controlados pelo jogo. Tudo com uma grande variedade de configuração. Além da dificuldade, é possível escolher a personalidade dos adversários. O jogador pode configurar os adversários para serem covardes e só atacar os mais enfraquecidos ou escolher adversários vingativos, que não irão sossegar enquanto não vingar uma morte.

Seja com amigos ou sozinho, o multiplayer é sensacional. Tudo é configurável. As armas espalhadas pelo combate, a música que irá tocar durante a partida. Detalhes que fazem cada partida ser unica.


Perfect Dark foi um jogo que gerou muita desconfiança durante o seu período de desenvolvimento.  A chance de um título  que promete muito decepcionar os jogadores é muito grande. Mas Perfect Dark não decepciona em nada. É um jogo FPS inteligente que apresenta gráficos incríveis, várias opções de jogo, um modo cooperativo, um modo contra-cooperativo, muitos tipos de bots, e um modo multiplayer caprichado. Todos essas grandes características combinadas trabalham para distanciar este jogo de todos os outros jogos de FPS lançados na época.

Revisão: Luigi Santana
Capa: Diego Migueis


Ruan Fernandes conheceu os videogames muito cedo e logo se apaixonou, paixão esta que o levou a montar uma locadora de games, formar-se em Informática na FATEC, desenvolver alguns jogos e escrever para o Xbox Blast. Atualmente pode ser encontrado no Facebook ou surrando outros Players em partidas online de Mario Kart a Mortal Kombat.

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