Blast from the Past

Panzer Dragoon Orta (XB) é épico com gameplay clássico e história cativante

Com uma trilha sonora excepcional e uma porrada de conteúdo extra chamando para serem destravados, título é essencial para donos do primeiro console da Microsoft.

Durante os anos 90, a SEGA se tornou mestre na arte de produzir rail shooters — jogos em que você só precisa se preocupar em controlar a mira e detonar os inimigos —, e com isso títulos como House of the Dead (SS), Virtua Cop (SS) e Space Harrier (Multi) entraram para a história. Mas foi em 1995 que chegou às prateleiras Panzer Dragoon, aquele que viria a ser um dos mais encantadores do gênero e do SEGA Saturn, mostrando as capacidades 3D do sistema.

Pulando oito anos no tempo até 2003, época logo após a queda do Dreamcast, na qual a empresa começou a levar suas franquias aos consoles concorrentes, os fãs de todo o mundo puderam experimentar Panzer Dragoon Orta (XB), desenvolvido pelo estúdio Smilebit, próximo capítulo da série que trouxe de volta o gameplay tradicional. E essa incrível viagem em dragões foi e continua sendo uma das mais bonitas de todas.

Revolta contra um império opressor

A trama do jogo começa várias décadas após o seu antecessor, Panzer Dragoon Saga (SS) - que trouxe à série elementos de exploração dos JRPGs. O império, mais uma vez no poder, voltou a utilizar a tecnologia dos Tempos Antigos para criar dragões geneticamente modificados chamados “Dragonmares” e com isso dominar os povos de todas as nações pelo medo.

Em um dos ataques dos novos dragões conhecemos Orta, uma jovem emprisionada por toda sua vida em uma torre em uma região montanhosa – quase uma Rapunzel, mas sem as tranças -, tudo isso porque é tida pelas pessoas como a destinada a trazer destruição ao mundo. A missão desses Dragonmares era eliminá-la, porém, seus planos foram por água abaixo com a chegada de um misterioso dragão que salva a jovem. E é aí que o jogo começa.

Todos são vítimas nos ataques dos dragões modificados, até mesmo os soldados do império.
É claro que o império não deixaria aquela que é a possível destruidora de todos os seus planos ir embora tão facilmente, logo uma perseguição se inicia, e acaba com a cidade próxima totalmente em ruínas. Mas ela não está só, e ao ser encurralada encontra Abadd, um Drone – criatura humanoide criada por bioengenharia, e serva dos Antigos – que se renegou do comando imperial.

A partir daí começamos uma jornada para descobrir a verdade por trás de Orta, o seu papel na história, pôr um fim aos planos do império e trazer a paz de volta ao mundo. Tudo isso é parte de uma aventura que passa por cenários pós-apocalípticos encantadores, repleta de personagens interessantes, e é contada de forma épica em uma língua ininteligível, assim como os grunhidos de Link e companhia em The Legend of Zelda.

Como controlar (e treinar) o seu dragão

No mesmo padrão dos primeiros títulos da série, Orta permite que o jogador controle o dragão em terceira pessoa por toda a tela, porém sem oferecer qualquer domínio sobre a câmera. Diferente dos dragões tradicionais, o companheiro da heroína derrota os inimigos com raios lasers que devem ser desferidos após selecioná-los por meio de retícula, e ela também pode dar uma força com sua própria pistola de tiro rápido.
Alguns dos estágios acontecem em terra firme.  
Para derrotar as forças do império sem deixar inimigos escaparem, é preciso ficar ligado no radar que marca a posição da criatura perante o player 1 com um ponto vermelho. Durante as lutas com os chefões, — que são enormes — esses pontos mostram os locais no mapa em que o dragão está seguro, enquanto os verdes significam onde é seguro ficar. É informação o bastante para criar estratégias, encontrar seus pontos fracos e triunfar.

Posicionamento pode ser decisivo em batalhas contra chefes, tanto para defesa quanto para ataque.
Nosso amigo alado possui uma capacidade especial de assumir três formas: Base Wing, tipo normal sem nenhuma fraqueza ou vantagem; Heavy Wing, mais ofensivo, porém, menos veloz; e Glide Wing, a mais ágil delas, feita para acabar com projéteis inimigos e evitar ser atingido. Cada uma pode subir de nível a partir dos genes coletados de certos inimigos.

Estas transformações influenciam ainda no uso do Glide Gauge, que dá ao dragão a capacidade de acelerar ou desacelerar e com isso realizar um pequeno ataque de investida. Outra barra é a Berserk Gauge, que quando completamente preenchida habilita um poderoso ataque capaz de infligir alto dano aos inimigos, e no caso do modo Glide Wing ainda rouba energia para preencher seus pontos de vida.

Apesar da história, o jogo segue o bom e velho estilo score attack, em que a meta é ganhar a melhor nota possível no fim da fase. Para chegar ao nível S em uma tela, é necessário ser excelente em tudo: numero de inimigos derrotados, dano recebido, tempo decorrido na batalha com o chefe e a pontuação. É bom já começar a arregaçar as mangas e começar o treino, por que a missão é difícil!

Recompensa que vale a pena o esforço

É claro que toda essa dificuldade tem por trás um belo prêmio chamado conteúdo extra desbloqueável (ainda bem que não existiam DLCs na época). A quantidade, variedade e qualidade desses extras guardados na sessão “Pandora Box” do disco são de cair o queixo de qualquer colecionista maluco. Entre eles, uma versão totalmente jogável do primeiro Panzer Dragoon, lançado também para PC na época.

Ele poderia ter dormido sem essa.
O mais interessante de todos eles são os sete episódios adicionais “Iva’s Story”, nos quais é contada a história de Iva Demilcol, um garoto do império cujo pai acaba falecendo em uma das batalhas travadas por Orta, logo após uma discussão sobre a necessidade da guerra. A história é tocante e mostra o outro lado da moeda: soldados que pegam em armas com o intuito de proteger suas famílias e amigos.

Uma boa notícia para quem não tem muita paciência é que o jogo tem uma função de destrave desses extras baseado também no tempo de jogo. Tudo, incluindo o bestiário, enciclopédia do mundo de Panzer, cutscenes, entre outros, é destravado quando se atinge 20 horas de jogatina. Mas finja que não falei nada sobre isso e tente quebrar seus próprios recordes.

Relaxar, aniquilar e salvar o mundo

Assim como um jogo no estilo musou, Panzer Dragoon Orta é ótimo para os dias de cabeça cheia, nos quais tudo que você quer fazer é acabar com a raça de imperiais cretinos cruéis, borboletas e outros inimigos ou criaturas desenvolvida por manipulação genética. De quebra ainda dá para aproveitar uma bela história, uma trilha sonora excepcional e cativante com toques tribais – cortesia da dupla Saori Kobayashi e Yutaka Minobe. Imperdível para donos do Xbox original ou Xbox 360 (com HD, é claro).


Revisão: Alberto Canen
Capa: Esdras Ferreira
Thiago Caires escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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