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Análise: The Walking Dead: Episode 2 - Starved for Help (XBLA)

Alguns meses depois do primeiro episódio de The Walking Dead , a Telltale Games liberou o segundo episódio, que dá continuidade à histó... (por Jardeson Barbosa em 09/09/2012, via Xbox Blast)

Alguns meses depois do primeiro episódio de The Walking Dead, a Telltale Games liberou o segundo episódio, que dá continuidade à história de Lee e Clementine. Se você não leu a nossa análise de A New Day, você pode conferi-la aqui. Tecnicamente, pouca coisa mudou, mas Starved for Help nos traz situações impactantes e decisões difíceis que são capazes de chocar. Três meses após os eventos que ocasionaram a fuga dos sobreviventes da farmácia em Macon, o jogo nos entrega personagens mais inteligentes e mais preparados para os momentos difíceis, mas traz junto uma carga emocional cheia de ódio e fúria. Será possível sair de um apocalipse zumbi com as mãos limpas?

Deixando os zumbis de lado

Depois de sobreviverem ao ataque dos zumbis à farmácia onde estavam abrigados, o grupo de Lee e Clementine passou a viver em um hotel abandonado, um local aparentemente seguro.

No entanto, a comida se tornou escassa e, para sobreviverem, o grupo passou a fazer revezamento de comida, deixando alguns deles em jejuns prolongados. O problema é que a falta de comida acabou afetando a união do grupo, criando uma rixa entre dois personagens que querem a liderança para si e gerando uma situação constrangedora para Lee, que deverá escolher um dos dois lados (ou ficar em cima do muro). A iminente quebra do grupo é o foco principal do episódio.


E é nesse momento de tensão que surge uma aparente solução. Um outro grupo de sobreviventes aparece e os oferece comida em troca de gasolina, uma proposta praticamente irrecusável. Só que nem tudo que reluz é ouro e o outro grupo parece esconder um segredo muito obscuro que deixa Lee bastante preocupado.

Como um jogo de ação

Starved for Help é um pouco diferente do primeiro episódio, A New Day. Se A New Day focou nos longos diálogos e reservou a violência apenas para os momentos críticos, Starved for Help abusa de cenas fortes já nos primeiros minutos. São cenas tão pesadas que, mesmo utilizando um visual parecido com o dos quadrinhos, foi difícil manter os olhos grudados na tela.




É incrível a ousadia da Telltale Games. Só neste episódio, o jogador se depara com mutilações, tiros, muito sangue e até miolos espalhados pelo chão. Haja estômago.

Infelizmente, nem mesmo essas grandes cenas de ação foram o suficiente para que houvesse alguma variação no gameplay. Todas as mecânicas são exatamente as mesmas do primeiro episódio, o que é natural, mas não deixa de ser desinteressante.

Sem dúvida, os melhores momentos do episódio são os de tensão e suspense. Em várias ocasiões, você se sentirá angustiado ou amedrontado, simplesmente por não saber o que virá em seguida. Na maior parte do tempo, o enredo será entregue de forma gradual e misteriosa, passando uma falsa sensação de segurança e alimentando uma grande bomba-relógio que explodirá e levará tudo que estiver por perto.



Decisões mais difíceis

O segundo episódio de The Walking Dead reservou as piores decisões até então. E quando eu digo piores, eu quero dizer as mais difíceis. São diversos momentos de saias justíssimas que podem causar um impacto muito forte nos episódios seguintes.

Em determinado momento, por exemplo, o jogador deverá dividir os suprimentos com os sobreviventes. O problema é que o alimento disponível não é suficiente para todos os sobreviventes, fazendo com que alguns fiquem sem ter o que comer. É nessa hora que a coisa pega. Quem deverá ser priorizado? E como ficará as relações com os sobreviventes que não receberem a comida? No entanto, a maioria dos jogadores, aparentemente, escolheu as mesmas pessoas.


No mesmo nível do anterior

The Walking Dead: Episode 2 ainda é o mesmo jogo, com o mesmo visual e os mesmos problemas técnicos. Ainda temos certas inconsistências nos diálogos, principalmente quando não há o que se dizer, e ainda temos cortes de cenas abruptos, que geram efeitos bem desagradáveis.

Os puzzles, que foram abundantes em A New Day, quase não apareceram neste episódio, criando uma sensação de estranheza. Não que isso seja um ponto negativo, longe disso, mas em determinados momentos o jogo perde a essência "adventure" e se torna uma história interativa.




Outro ponto questionável diz respeito às escolhas. Algumas escolhas do primeiro episódio parecem não terem surtido efeito. A escolha entre Carley e Doug, por exemplo, não gerou muito impactos, principalmente por ter sido evitada pela própria equipe da Telltale Games. A sensação que dá é de que estamos sendo enganados (ou enganando as nós mesmos). De que adianta escolher entre A e B se o resultado final será o mesmo? Isso é algo que a Telltale ainda precisa trabalhar mais, mas que não compromete a história  apenas cria uma limitação desnecessária.



De uma forma geral, Starved for Help dá um gás extra a The Walking Dead e é capaz de deixar os jogadores bem mais interessados no universo de Robert Kirkman. A falta de foco nos mortos-vivos foi uma escolha interessante e, graças a isso, pudemos conhecer melhor cada personagem, nos imergindo ainda mais na história. O segundo episódio de The Walking Dead prova que a Telltale Games está conseguindo criar uma história única, capaz de nos passar uma série de sentimentos e de desafiar todas as antigas regras impostas aos videogames. Estamos diante de um jogo com muito potencial, que não deve em nada a um livro ou filme. Infelizmente, The Walking Dead: Episode 2 ainda não está disponível na Live Arcade brasileira, mas, caso você possua uma conta norte-americana, você já pode conferi-lo por 400 MS Points. Para isso, será necessário possuir o primeiro episódio.

Prós

  • Mais imersivo;
  • História bem trabalhada;
  • Muitas situações inéditas nos videogames.

Contras

  • Os bugs do primeiro episódio não foram resolvidos;
  • A ausência de puzzles descaracterizou o gênero adventure;
  • Algumas escolhas do primeiro episódio não surtiram efeito no segundo.
The Walking Dead: Episode 2 - Xbox Live Arcade - Nota: 8.5
Visual: 8.0 | Som: 9.0 | Jogabilidade : 8.0 | Diversão: 10
Revisão: Gabriel Toschi
Jardeson Barbosa escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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