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Análise: O Agente 47 retorna mais versátil e perigoso em Hitman: Absolution

Já faz um bom tempo desde que o aclamado Hitman: Blood Money saiu, desde então o Agente 47 estava sumido do mapa. Depois de um longo te... (por Silvio Carréra em 21/04/2013, via Xbox Blast)



Já faz um bom tempo desde que o aclamado Hitman: Blood Money saiu, desde então o Agente 47 estava sumido do mapa. Depois de um longo tempo em desenvolvimento, ele está de volta em Hitman: Absolution. Mais uma vez sob o controle do mito, agora tendo que lidar com a própria ICA, sua ex-agência.

A matança está de volta, ou quase

O jogo se passa um tempo depois do Blood Money, e tem Diana Burnwood, antes intermediadora entre 47 e a ICA, sabotando a agência e a expondo publicamente. Com a agência agora sob controle de Benjamin Travis, o Agente 47 é oferecido o contrato de por fim a Diana e trazer de volta a menina Victoria, que fora raptada por ela da agência.


Logo de cara os gráficos já são de agradar aos olhos. Tudo bem que não tem muito detalhe a adicionar num careca de terno e gravata vermelha a maior parte do tempo, mas os cenários também estão agradáveis e as animações, muito bem feitas. É de se imaginar que a Square Enix deu uma forcinha, já que as cenas estão em um nível altíssimo. Os jogos de Hitman costumam envolver mais o chamado "stealth social", visto em Assassin's Creed hoje, e que envolve se misturar com o mundo em sua volta. Nos jogos passados consistia mais em: Entre em determinado lugar, cumpra seus objetivos e saia de lá. Mais opções eram dadas para o jogador tomar conhecimento do local antes de tomar suas decisões.

Em Absolution as coisas acontecem um pouco diferente. Logo cedo você percebe que a história dita muito o ritmo do jogo, o que faz com que alguns elementos antigos sejam deixados para trás. Como vem acontecendo com várias franquias, a tendência é tornar o jogo mais acessível, e esse ser o modo padrão, e quem quiser que jogue no difícil, tire o mapa da tela, e deixe como queira. Aqui não é diferente. Na primeira missão, várias dicas são dadas, segurando a mão do jogador nos primeiros minutos. Tudo isso funciona como um grande tutorial para apresentar como o jogo funciona; como usar o ambiente para distrair inimigos, a importância de esconder corpos, o Instinct Mode, e o sistema de disfarces. 


Improvisação é o que mais se destaca em Absolution, já que usar o ambiente ao ser favor é vital para prosseguir no jogo. Pedaço de cano, tijolos, canecas e qualquer outra coisa que, aparentemente, causa bastante barulho para deixar guardas desconfiados, nunca foram tão úteis. Também podem ser usados para derrubar seus inimigos, só não esqueça de esconder os corpos para não ter dor de cabeça mais na frente.

Siga o seu instinto

O Instinct Mode vai lembrar muita gente do Sonar Vision, presente em Splinter Cell: Conviction. O Agente 47 agora possui uma barra de energia para usar o Instinct Mode, que quando ativado é possível ver inimigos através de paredes e também o caminho que o inimigo vai fazer, podendo antecipar seus movimentos. Oi?  Pode isso, produção? Os mais puristas da série, e fãs do gênero em geral, estão jogando pedras agora, mas é como foi dito, isso é o padrão, que pode ser desativado no menu e já é desabilitado nas dificuldades mais altas. A barra diminui quando o Instinct Mode é usado para isso, porém mesmo com ela vazia você ainda pode usar e acompanhar o movimento dos inimigos, diferente de quando usada com os disfarces.


O sistema de disfarces funciona da seguinte forma: pense em cada roupa disponível como sendo uma classe, ao ser dessa determinada classe; os demais inimigos da mesma podem te reconhecer, já os outros, não. Na primeira área, por exemplo, ao se disfarçar de jardineiro, os guardas não irão desconfiar de você, porém os outros jardineiros, sim. Ao ser avistado por outro jardineiro, uma indicação aparece na tela e se você não sair do campo de visão dele, depois de um determinado tempo ele irá vir confirmar quem você é, quebrando seu disfarce na maioria dos casos. Ao usar o Instinct Mode quando avistado por outro inimigo da mesma classe, 47 irá colocar a mão no rosto, ou fingir que fala ao rádio de polícia, e isso impedirá que o inimigo o identifique. Só que nesse caso você precisa ter algo na barra para poder usá-lo, então de certa forma abusar do Instinct Mode para ver o movimento dos inimigos pode acabar complicando depois quando você quiser usar para passar por eles disfarçado.



Contratos, contratos em todos os cantos

Ao invés de um modo multijogador com modos clássicos tirados dos jogos de tiro, Absolution tem o modo Contracts, que pra mim é de longe o ponto mais alto dessa nova entrada na franquia. Quem nunca desafiou aquele seu primo ou amigo chato que vivia dizendo que fazia as missões no Blood Money em menos tempo, da melhor forma, sem ninguém o ver? Bom, agora ele pode provar isso. Nesse modo cada jogador pode criar seus próprios contratos, e especificar quem será assassinado, como (qual disfarce usar e arma), e o tempo. Mas isso não vai gerar contratos impossíveis? Foi o que pensei também, mas os caras da IO Interactive foram espertos. Não basta dizer como vai ser o contrato, você tem que executá-lo. 


Você escolhe uma missão, do modo campanha, só que diferentemente dos objetivos da campanha basta você marcar alguém, executá-lo e sair de lá. Se você matar o cozinheiro fantasiado de galinha, com uma panela, e conseguir chegar no ponto de extração, pronto, está feito. O jogo irá gerar um valor para o seu contrato levando em consideração coisas como tempo, e se você foi visto ou não. E acreditem, tem uns bem complicados. Isso tudo funciona como uma espécie de rede social, em que você pode procurar contratos por dificuldade, dar like em um que você gostou e até concorrer contra outros jogadores em um determinado contrato para ver quem tem o melhor score até determinada data.

O bom e o bonito. E o feio?

Absolution acerta em muitas coisas, mas um dos grandes problemas é que não há tantas missões com lugares abertos e pessoas para assassinar.  Na maior parte do tempo o jogo vai estar preso à narrativa, tendo você indo do ponto A ao ponto B em mapas pequenos e lineares. Os cenários também não chegam a ser tão interessantes uma vez que o jogo todo se passa pelos EUA. Como se não bastasse ser linear, os níveis são divididos em seções pequenas, com uns checkpoints espalhados nelas. Um problema é que os checkpoints, aparentemente, só carregam sua posição. Ao recarregar um, os inimigos derrubados voltam, o que vem a ser irritante em alguns momentos.

"Ninguém vai notar ...se não tiver ninguém para notar"

Em relação ao sistema de disfarces, ele funciona bem na maior parte do tempo, porém poderia ser melhorado. Como diabos todos os policiais se conhecem? Eu entendo que um guarda de uma casa conheça os demais, sendo um grupo pequeno, mas todos os policiais se conhecerem? Isso não chega atrapalhar ao jogar no modo normal, mas em dificuldades maiores o tempo de reação é muito pequeno, o que torna muito mais viável evitar ser visto a todo custo, o que foge um pouco do stealth social que comentei no começo. Outra coisa que também me incomodou foi o fato de você não poder fechar portas. Pode parecer besteira, mas as vezes uma porta aberta é o que vai definir se você é visto ou não. 

De volta para ficar

O gênero stealth está cada vez mais escasso, portanto, para os fãs do mesmo, nada como ter Hitman de volta. É bom ver os desenvolvedores tomando novas direções com a franquia e incluindo modos novos como o modo contrato, que embora limitado, tem bastante potencial para a série. É uma pena que a história tenha ditado a jogabilidade e a amarrado tanto, e que os problemas menores com checkpoints e os disfarces diminuam um pouco a experiência em determinados pontos.

Sua folga não deve durar muito, Agente 47.

Para quem deu uma pausa de seis anos, o Agente 47 não parece estar nem um pouco cansado, e acredito que vamos vê-lo de novo muito em breve. Os pequenos problemas impedem Absolution de se tornar um grande jogo, porém como um todo é uma experiência que vale pena. 


Prós

  • Níveis de dificuldades para todos;
  • Gráficos vibrantes;
  • Jogabilidade sólida e bem resolvida;
  • Várias formas de lidar com as situações. Improvisar é chave;
  • Contracts Mode vai te manter testando suas habilidades por um bom tempo.

Contras

  • Poucas missões com mapas abertos;
  • História linear amarra um pouco a jogabilidade;
  • Checkpoints trazem inimigos derrubados de volta;
  • Não poder fechar portas;
  • Sistema de disfarces em dificuldades mais altas um tanto inviável.
Hitman: Absolution - Xbox 360 - Nota: 8.0

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Diego Migueis     
Silvio Carréra é formado em Ciência da Computação pela UNICAP. Trabalha como Engenheiro de Software em Recife e no seu tempo livre estuda game design e desenvolve jogos em Flash e Unity. Normalmente está pelo Facebook, Twitter e Tumblr.

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