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Análise: Snake retorna, mas deixa gostinho de quero mais em Metal Gear Solid V: Ground Zeroes (XBO)

O prólogo de Phantom Pain dá uma pequena amostra do que nos espera no próximo ano!

Quando a Kojima Productions anunciou a Fox Engine para a nova geração, muitos começaram a imaginar o que o visionário desenvolvedor, Hideo Kojima, faria com uma das mais aclamadas franquias de todos os tempos: Metal Gear Solid. A resposta para esta dúvida — ou pelo menos parte dela — veio com Metal Gear Solid V: Ground Zeroes, que serve de prólogo não apenas para a próxima grande aventura de Snake, The Phantom Pain, como também para uma nova e empolgante era da franquia.


A guerra por Paz

Ground Zeroes se passa em 1975, pouco tempo depois de Peace Walker (PSP) e nove anos antes do coma de Big Boss que foi revelado nos trailers de The Phantom Pain. Desta vez, Snake deve se infiltrar em Camp Omega, uma base fortemente protegida na costa de Cuba, e resgatar dois prisioneiros muito conhecidos por quem acompanha a saga de perto: Paz e Chico. Contudo, conhecer a franquia não significa quase nada desta vez, com apenas duas cutscenes — uma no início e uma no final da missão — o jogo é quase inteiramente focado em momentos de gameplay, o que já é de cara algo bem estranho para quem está acostumado com interrupções a todo momento.

Nem queira saber o que Chico está ouvindo. É um pouco perturbador

Um novo Snake

Após a primeira e belíssima cena, a primeira surpresa: o visual do jogo é extremamente maduro e realista, e dá um tom muito mais sério a toda a aventura, que aparentemente deixou parte do humor tipicamente “kojimiano” de lado. Após ajeitarmos adequadamente os babadores abaixo de nossas bocas, partimos para controlar Snake. E quanta diferença! Os controles agora são mais fluidos e simplificados, sem nunca deixar de lado a complexidade dos movimentos do soldado. Ainda é possível fazer tudo o que fazíamos em outros jogos da série, mas agora com muito mais precisão e agilidade.

Snake pode interrogar guardar para descobrir segredos de Camp Omega
O famoso radar também desapareceu e deu lugar ao iDroid, um aparato estranhamente moderno para sua época, que revela, por meio de um mapa, a posição de itens e inimigos, desde que descobertos. Para marcar os inimigos, basta Snake utilizar um binóculo para encontrar os inimigos pelo caminho, o que é muito simples, já que o level design oferece diversos locais em que o jogador pode relaxar a estudar a base. Para encontrar itens e segredos pela base, o jogador deverá interrogar os guardas do local, de maneira que todas as informações obtidas são automaticamente marcadas no mapa.

Apesar da ausência do radar, agora é possível marcar os inimigos no mapa
Outra excelente adição à mecânica do jogo é uma espécie de bullet time que é ativado quando Snake é descoberto por algum guarda. Adicionando momentos de muita tensão e adrenalina, o jogador deve ser rápido o bastante para neutralizar o inimigo antes que ele coloque toda a base em alerta. Vale colocar o soldado para dormir ou mesmo explodir a sua cabeça, desde que antes do segmento em câmera lenta terminar.

Existem várias formas de concluir cada uma das seis missões de Ground Zeroes
As mecânicas de tiro também foram muito aprimoradas, e Snake é capaz de carregar um poderoso arsenal para derrotar seus inimigos caso stealth não seja muito a praia do jogador. No cenário há metralhadoras, pistolas, lança mísseis, granadas e explosivos à disposição de Snake e a forma com que a missão será realizada deve ser decidida unicamente pelo jogador.

Um parque de diversões stealth

Ao contrário dos outros jogos da série, em que os locais explorados são divididos em pequenos segmentos, Ground Zeroes oferece uma base inteiramente conectada sem nenhuma interrupção para ir de um setor a outro. Funcionando como um sandbox, Camp Omega é amplo e oferece diversas opções de jogabilidade para os jogadores. Para completar Ground Zeroes, o jogador por optar pode sair matando todo mundo que cruzar seu caminho, não matar sequer um soldado, invadir o local dirigindo um jipe, pegando carona na traseira de um caminhão ou o que mais a sua imaginação desejar.

Ground Zeroes proporciona momentos épicos a todo instante
Cada pontinha da base oferece segredos e colecionáveis para serem encontrados, e o jogo recompensa demais a experimentação do jogador, que depois que passa a conhecer bem o local, tende a jogar GZ apenas para brincar naquele enorme parque de diversões. Imaginem só em Phantom Pain, que promete ser nos mesmos moldes, mas com um mapa 200 vezes maior.

A vida depois de Ground Zeroes

Uma das maiores polêmicas quanto ao lançamento de Ground Zeroes é a de que o jogo, inicialmente, seria o prólogo de Phantom Pain e viria junto com o jogo, tal como a missão do Tanker em Metal Gear Solid 2 (PS2) ou a Virtous Mission em Snake Eater (PS2). Infelizmente, a Konami decidiu, sem grande participação dos desenvolvedores, que este segmento fosse lançado e vendido separadamente, o que dá ao jogo a aparência de incompleto em alguns momentos. A missão principal pode ser terminada em menos de duas horas, mesmo que o jogador pene bastante para encontrar Paz e Chico, o que pode frustrar bastante.

Após o fim da missão principal, cinco novas tarefas são destravadas
Contudo, após o chocante final da missão, outras cinco mais simples — mas não menos divertidas — são destravadas, adicionando mais algumas horas ao pacote. As missões variam entre matar determinados alvos em Camp Omega, recuperar documentos e até mesmo resgatar um personagem que arrancará risos de qualquer pessoa que tiver o prazer de salvá-lo. E é isso que salva Ground Zeroes de seu preço abusivo: o conteúdo inserido após o fim da missão principal possui bastante qualidade e faz com que o jogador queira aproveitar cada centímetro do mapa disponível, seja para conquistar Rank S em todas as missões ou mesmo para aprender ainda mais coisas sobre a incrível jogabilidade desenvolvida por Kojima e seu time.

O poder da Fox Engine

Ground Zeroes ainda serve para demonstrar o potencial da nova engine da Konami, a Fox Engine, desenvolvida especialmente para a franquia. O motor gráfico dá um verdadeiro show com seus efeitos de iluminação e texturas extremamente detalhados. Cada missão presente no pacote se passa em um determinado horário do dia, o que demonstra que as transições entre dia e noite prometidas para Phantom Pain serão incríveis e farão total diferença na jogabilidade.

Acredite: Ground Zeroes é lindo assim
Como sempre, as cutscenes estão soberbas e extremamente bem dirigidas, dando ainda mais a aparência de filme ao jogo, que impressiona o tempo todo pelo realismo e seriedade do texto e das imagens mostradas na tela. Minha única reclamação fica por conta da dublagem de Snake, que deixa de ficar a cargo do lendário David Hayter e passa a ser conduzida por Kiefer Sutherland, o Jack Bauer de 24 Horas. O trabalho do ator não é ruim, mas não convence quem está habituado à franquia e chega até a causar estranhamento, tamanha a diferença entre as vozes. É quase como trocar um ator de uma famosa franquia de filmes porque o original morreu. A diferença é que dessa vez nem o próprio Hayter entende o motivo da troca.

Gostinho de quero mais

Por melhor que seja Ground Zeroes, o jogo deixa uma terrível sensação de vazio após ser terminado, seja pelo seu final inconclusivo, que gera ainda mais expectativa no jogador, pelo enredo escasso, que serve apenas de prólogo para algo muito maior, ou mesmo pela curta duração da campanha. Custando 30 dólares nos consoles de nova geração, Zeroes é um investimento pesado em um conteúdo que poderia ter sido oferecido gratuitamente no lançamento de The Phantom Pain ou mesmo vendido por um preço muito menor, como 15 dólares. Mesmo assim, o jogo é uma experiência única que dá o tom do que está por vir na franquia e, se The Phantom Pain conseguir a façanha de possuir uma jogabilidade incrível como esta em um mundo duzentas vezes maior, posso concluir que estaremos diante de um marco na história dos videogames.

Prós

  • Jogabilidade incrível e cheia de possibilidades;
  • Missões extras variadas, épicas e divertidas;
  • Gráficos incríveis;
  • Mundo aberto dá uma nova cara à franquia.

Contras

  • Muito caro pelo conteúdo oferecido;
  • Missão principal muito curta;
  • Dublagem de Kiefer Sutherland não convence.
Metal Gear Solid V: Ground Zeroes – Xbox One – Nota 7.5
Revisão: José Carlos Alves
Capa: André Perez Segato
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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