Hands-on

ReCore (XBO): experimentamos esse interessante misto de estilos

Saiba o que achamos de ReCore, um dos exclusivos do Xbox One, testados na E3.

ReCore vem consagrando-se como um dos exclusivos mais esperados para o Xbox One desde a E3 2015. O projeto, encabeçado por desenvolvedores de Metroid Prime e o criador de Megaman, Keiji Inafune, vem conquistando diversos tipos de jogadores. Na E3 2016, ReCore finalmente recebeu sua primeira demonstração jogável, o que nos fez logo correr para a fila para poder pôr nossas mãos no título. Confira o que achamos desse curioso jogo!

A máquina é o melhor amigo do homem

Na demonstração de ReCore, nos aventurávamos, no controle da protagonista Joule, por uma dungeon futurista que, num primeiro momento, me lembrou bastante dos momentos iniciais de Metroid Prime. E, de fato, a aventura consistia em adentrar-se na base inimiga sala por sala, enfrentando hordas de inimigos em cada uma. Esse estilo de progressão lembra não apenas Metroid, mas também Megaman, o que pode significar que trata-se da maneira como o jogo irá funcionar em sua versão completa. Por outro lado, pode apenas tratar-se de uma maneira de tornar a demonstração mais palatável para uma jogatina de quinze minutos.

Além de enfrentar inimigos, havia também desafios de plataforma, que consistiam em utilizar os saltos duplos, dashes e outras acrobacias realizadas por Joule. No geral, a mecânica de locomoção funcionava bem nesses momentos, embora tenha sentido uma leva insegurança na hora de pousar a personagem nas plataformas. É um tipo de desconforto que pode significar tanto uma imprecisão dos controles quanto uma não familiaridade com os mesmos, porém o tempo que tivemos para jogar não me permite definir qual era a razão.

Atirando, saltando, comandando

Todas as mecânicas de ReCore funcionavam não apenas através de Joule, mas também com seus parceiros robóticos. Dois deles estavam disponíveis na demo: o cão Mack e a aranha/polvo robótico Seth. Apenas um, no entanto, podia ser usado por vez, porém a troca entre eles é feita rapidamente com o apertar de um botão. Dominar os dois parceiros mostrou-se um fator determinante no jogo, o que pode significar também a construção de um relacionamento íntimo entre o jogador e seus companheiros robóticos.

Nas batalhas, Joule atacava através de disparos laser, que podiam ser feitos de maneira rápida ou carregando um tiro mais forte. Além disso, a personagem também podia usar seu icônico grappling hook, para puxar o núcleo ("core") dos inimigos para fora, destruindo-os instantaneamente. Obviamente, era preciso, primeiramente, atordoar o adversário para finalizá-lo dessa forma. E os parceiros robôs ajudavam muito nesse aspecto, pois cada um conta com um ataque especial, que pode ser acionado a qualquer momento remotamente. Pelo que pude perceber, há um elemento de limitação do número de vezes que se pode ativar os ataques de Seth e Mack, porém trocar entre eles me pareceu uma maneira bem efetiva de evitar essa limitação. Se esse "truque" poderá se tornar um problema para o balanceamento do game, só o lançamento dirá.

Mack tinha uma função especial no quesito plataforma da demo. Através dele, Joule pode acessar áreas elevadas dos cenário, onde estava mais plataformas por onde ela devia saltar. E foi nesse momento da demonstração que percebi a relativa insegurança com os saltos e acrobacias da personagem. Por último, temos a utilização do grappling hook para abrir portas e ajudar Joule nos desafios de plataforma.

Indo ao núcleo

ReCore mostrou-se uma experiência bem divertida na E3 2016. A utilização dos parceiros robôs dinamizavam os combates, embora não tenha ficado claro se eles não acabam facilitando demais o enfrentamento de inimigos. Tudo, por sua vez, rodava em visuais belos, com destaque para a estética futurista muito bem concebida. 

Em alguns momentos, porém, o excesso de efeitos visuais acabou atrapalhando acompanhar as lutas. Porém, o uso de uma cor principal para cada inimigo ajudavam a distingui-los durante o combate. Além disso, a cor também precisava ser levada em questão na hora de escolher qual munição usar contra qual inimigo, já que uma correspondência entre as cores de ambos resultava em maior dano infligido.

Embora ReCore seja indubitavelmente um projeto inédito, é interessante ver como a experiência com Metroid Prime e Mega Man construiram um tom muito singular. Temos um equilíbrio muito bom entre a obscuridade e calmaria de Metroid e a extravagância e ritmo acelerado de Mega Man e outros títulos recentes de Inafune, como Gunvolt e Mighty No. 9. O resultado vale a pena ser conferido por donos de Xbox One, porém, só o lançamento revelará se o jogo é mesmo tudo o que promete ser. Nossas impressões, no entanto, foram bem positivas!

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Capa: Rafael Neves
Rafael Neves é quadrinista e estudante de medicina da UFBA. Jogos fizeram parte dessa vida desde os seus primeiros anos, embalando muitos dos mais fortes laços de amizade e histórias de vida. E esse legado desembocam nas matérias que escreve aqui no Blast e em sua HQ, The Legend of Link.

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