A história da Rare com a Microsoft

Vamos conhecer um pouco a trajetória da empresa inglesa que inovou em várias áreas.

A Rare é uma empresa inglesa, fundada em 1985 por Tim e Chris Stamper, que ficou muito famosa graças a uma parceria com a Nintendo. No começo dessa parceria, eles trabalharam em jogos como Wizards & Warriors e Battletoads, entre outros. Porém, o ápice aconteceu no Super NES e no Nintendo 64, com o lançamento de jogos como os da trilogia Donkey Kong Country, Golden Eye 007, Banjo-Kazooie e Conker’s Bad Fur Day. Entretanto, alguns fatores fizeram com que a parceria fosse encerrada e o estúdio fosse adquirido pela Microsoft.

O início de uma nova era

Conforme a tecnologia usada nos consoles avançava, os custos de produção dos jogos também cresciam vertiginosamente. A Rare era parceira da Nintendo, mas a gigante japonesa não era dona do estúdio e começou a investir cada vez menos capital na empresa, o que começou a dificultar a produção dos jogos da desenvolvedora

No início dos anos 2000, a empresa começou a procurar por compradores. A Nintendo não se manifestou e com isso a Rare chegou a duas possíveis compradoras, a Activision e a Microsoft. A criadora do Banjo gostou mais da oferta da Activision, mas por algum motivo desconhecido as negociações foram encerradas, o que abriu caminho para a empresa de Bill Gates adquirir a Rare. Tornando-se assim uma subsidiária da Microsoft em 24 de setembro de 2002.

Um fato curioso sobre essa aquisição é que alguns executivos da Microsoft foram visitar o estúdio da empresa e lá viram alguns pôsteres do Donkey Kong, e comemoraram achando que haviam adquirido também o famoso personagem. Mas, como sabemos, o personagem pertence à Nintendo até hoje.

O conturbado trabalho no Xbox

A Rare começou os seus trabalhos no primeiro Xbox e da maneira mais conturbada possível. O seu primeiro jogo publicado na empresa foi Grabbed by the Ghoulies, que acabou sendo massacrado pela crítica e teve baixíssimas vendas. Muitos consideram esse como o pior jogo já produzido pela empresa. Como segundo jogo, a Rare apostou em algo certo, e fez o remake do jogo Conker's Bad Fur Day, que recebeu a alcunha de Live & Reloaded. Porém, o jogo também teve um fraco desempenho comercial.

Em 2005 a Microsoft lançou o sucessor do Xbox, o360. A Rare ficou responsável de lançar dois jogos no lançamento do console, o jogo de ação Kameo: Elements of Power e Perfect Dark Zero, que é um prequel de Perfect Dark, lançado originalmente para o Nintendo 64. Ambos venderam pouco mais de um milhão de cópias e tiveram uma boa aceitação pela crítica.

E como a vida da Rare com a Microsoft sempre teve algum entrevero, um novo ocorreu em 2006. Nesse ano chegou ao mercado um dos jogos que procurou revolucionar a forma como vemos os videogames: Viva Piñata. O jogo foi bem recebido pela crítica e vendeu cerca de 500 mil cópias. Porém o estúdio acusou a Microsoft de ter feito uma fraca campanha de divulgação do jogo e de ter focado os seus esforços em Gears of War. Essa situação fez com que os fundadores do estúdio saíssem da empresa.

Com baixas vendas e diversos problemas para criar jogos que mexessem com a indústria dos games, a Microsoft decidiu modificar o foco da empresa e colocou a Rare para produzir títulos para o recém anunciado Kinect. Foram publicados Kinect Sports e Kinect Sports: Season Two, que juntos venderam aproximadamente oito milhões. Além disso, a empresa ajudou na produção de Killer Instinct, mas agora não como estúdio principal, apenas auxiliando, o que deixou muita gente chateada dentro da Rare.

Em 2013 chegou ao mercado Kinect Sports Rivals para o Xbox One, a Microsoft e a Rare esperavam que as vendas chegassem perto das vendas dos jogos do 360, porém, isso não aconteceu. Isso frustrou imensamente a empresa de Bill Gates e o foco ao Kinect foi deixado de lado, com isso vários funcionários da Rare foram demitidos.

Para celebrar o seu aniversário de trinta anos, a Rare preparou uma coletânea especial que foi chamada de Rare Replay. O pacote possui cerca de trinta jogos, mas infelizmente sem os principais títulos produzidos pela empresa, como 007 Goldeneye e a série Donkey Kong, que pertencem a Nintendo.

Para o futuro, a empresa está preparando uma nova franquia, Sea of Thieves. O jogo será um multiplayer de aventura. Ele foi anunciado na E3 de 2016 e, segundo os anúncios da própria empresa, será o melhor jogo feito até hoje pela Rare. Se isso é verdade ou não, só o futuro poderá nos dizer.

O trabalho nos portáteis

Como a Microsoft nunca trabalhou diretamente no mercado de portáteis, a Rare teve a liberdade de produzir jogos para os portáteis da Nintendo. E graças a isso diversos títulos chegaram para o Game Boy Advance e para o Nintendo DS.

A empresa ficou responsável por trazer para os portáteis a trilogia que a deixou famosa no mundo todo, Donkey Kong Country, e fizeram um trabalho excelente, já que a coletânea não deixa quase nada a desejar aos jogos vistos no Super Nintendo. Vários outros games foram produzidos para o GBA.

Em relação ao Nintendo DS, uma pequena polêmica rondou a produção do primeiro jogo do portátil. Durante a E3 de 2004, Ken Lobb anunciou que a empresa havia adquirido kits de desenvolvimento do DS, o que foi negado posteriormente por porta vozes da empresa. O assunto só voltou a tona em 2005, quando a Rare anunciou que estava a procura de desenvolvedores para o portátil.

O título escolhido para o portátil foi Diddy Kong Racing DS, que saiu em 2007. O jogo na verdade é um remake que já havia sido lançado para o Nintendo 64. A crítica recebeu o game com notas medianas e criticou principalmente os controles na tela portátil por serem muito sensíveis.
O segundo título publicado no portátil foi uma versão de um jogo original da Rare, Viva Piñata: Pocket Paradise, que saiu em 2008. O game fez muito sucesso no DS, tendo recebido diversas indicações para prêmios, entre eles uma nomeação da BAFTA de melhor jogo de estratégia e melhor jogo para crianças no Children’s Awards, ambos em 2009. Mesmo com o sucesso do game, esse foi o último trabalho da empresa com o portátil.

E aqui conhecemos um pouco do trabalho da Rare com a gigante Microsoft. Ela ainda não conseguiu reaver o brilhantismo que teve nos anos 90, e só nos resta esperar para ver se no futuro eles conseguirão reaver esse status de empresa inovadora mais uma vez.
 Revisão: Pedro Vicente
Ailton Bueno escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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