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Análise: The Cave (XBLA)

O mercado de jogos distribuídos por download possibilitou a popularização de um gênero que não era tão famoso nos primórdios dos consoles:... (por Fábio Garcia em 20/02/2013, via Xbox Blast)

O mercado de jogos distribuídos por download possibilitou a popularização de um gênero que não era tão famoso nos primórdios dos consoles: os jogos autorais. Mas se engana quem pensa que isso foi algo que surgiu hoje, porque os games com características de um autor já estão aí na estrada há muito tempo. Um dos exemplos é Ron Gilbert, que em seu histórico tem os jogos Monkey Island e Maniac Mansion. Misturando as características desses dois, ele criou The Cave, um aponte e clique no qual você não precisa apontar e nem clicar. Confuso?

Eu sou A Caverna

O jogo começa com uma narração que logo descobrimos que vem de uma caverna (sim, uma caverna falante!), e lá é o palco da grande aventura de The Cave. Somos colocados diante de sete personagens diferentes, que assustam pela diversidade (tem desde um caipira a uma pessoa viajante no tempo) e pelos poderes únicos. O objetivo é escolher um grupo de três heróis e se aventurar na caverna em busca de realizar seus sonhos.

E é aí que o jogo começa a surpreender, porque a jornada será diferente dependendo dos personagens escolhidos. A exploração da caverna tem momentos iguais para todos os personagens, mas os destaques são as partes dedicadas a cada um deles, que aproveitam suas habilidades únicas.


Mas, afinal, o que deve ser feito nessa caverna? Com uma visão em 2D e gráficos tridimensionais muito bonitos, você explora áreas recheadas de itens que devem ser usados em outros locais para que seja possível avançar no jogo. Em um momento logo no começo, você precisa fazer uma máquina funcionar, mas há uma goteira que impede isso. Logo, você precisa pegar um balde e colocar sobre a máquina, fazendo com que a água não dê um curto no aparelho (e no seu personagem que, aliás, não morre). Esse tipo de situação parece comum aos jogos de aponte e clique, mas parece inédita se colocada nessa perspectiva em 2D.

Os poderes únicos dos personagens permitem que cada um chegue a locais que os outros não conseguem, e dominá-los é interessante para criar uma estratégia. O caipira, por exemplo, consegue prender a respiração e nadar longas distâncias embaixo d'água, e a exploradora pode usar um conveniente chicote para brincar de Tarzan em locais específicos.

Os quebra-cabeças

Embora tenha elementos de plataforma, como a questão dos pulos, o que importa neste jogo são os puzzles. Já adianto que não há nada impossível, mas também nada é entregue na mão do jogador de mão beijada. Alternando entre os 3 personagens do seu grupo (é fácil, basta usar o direcional digital) você precisa explorar a região em busca de itens para resolver os quebra-cabeças. Quando empacamos, o melhor a se fazer é desligar o jogo e arejar a cabeça, porque a solução sempre aparece magicamente na sua mente em outro momento, daí você volta ao jogo.


Com o avanço das fases, as áreas vão ficando maiores e isso revela um problema do jogo: é bem chato você andar (muitas vezes a esmo) pelos cenários gigantescos. E sabe algo que é pior que isso? Andar por esses cenários gigantescos TRÊS VEZES, porque você é responsável por controlar todo o grupo. Exceto em alguns momentos de mudança de área, geralmente você é obrigado a fazer o mesmo caminho com cada um dos personagens do seu grupo, e isso é bem chato. Para coroar a chatice, a versão de Xbox 360 engasga sempre que você entra em uma nova área, e em algumas situações isso até atrapalhou um pouco na jogabilidade.

E para incentivar a exploração, diversos sinais luminosos estão espalhados pelas fases com fragmentos da história e motivação de cada personagem, e encontrar todos é necessário para entender decentemente o final de cada um. Se esforce para procurar, porque na minha primeira jogada eu deixei alguns passarem e fiquei boiando no encerramento.


Espera aí, “primeira jogada”? Sim, leitor, The Cave é um jogo que deve ser jogado mais de uma vez. Como você faz um grupo de três personagens, e cada um tem um final e puzzles diferentes, o jogo só será completado em 100% se você jogar pelo menos 3 vezes. Cansa um pouco, mas a experiência é recompensadora.

Um autêntico Ron Gilbert

E o que tem de autoral em The Cave? Bem, ele pega emprestado elementos dos outros jogos de Ron Gilbert. Você pode escolher um grupo de personagens que lembra muito o estilo de Maniac Mansion, e o humor hilariante do jogo inteiro remete à série Monkey Island. Aliás, falando em humor, The Cave é um jogo engraçadíssimo. Várias vezes você se pega rindo bastante dos puzzles surreais ou das narrações da Caverna (a voz de locutor do Discovery Channel ajuda a dar mais graça ao jogo).

As histórias de cada personagem beiram o nonsense e muitos puzzles incentivam você a ser sacana com os personagens, estimulando a trapaça e o egoísmo de uma forma engraçada. Se você jogar com o cavaleiro medieval, terá uma missão na qual você precisa fazer algo não muito bonito com uma princesa só para conseguir pegar uma versão mais “pobrinha” da Excalibur com o pai dela. É bastante engraçado, acredite.

Prós


  • Visual bonito
  • Humor
  • Puzzles inteligentes

Contras


  • As travadinhas quando se entra numa área nova
  • Alguns puzzles forçam a amizade
  • A chatice de se explorar os cenários com 3 personagens


The Cave – Xbox Live Arcade – Nota: 8,0

Revisor: Leonardo Nazareth
Fábio Garcia escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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