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Análise: The Witcher 2 - Assassins of Kings

É cada vez mais difícil definir com absoluta certeza o que é um RPG. O gênero, que antes era algo bem definido e dominado em maior parte... (por Fellipe Mariano em 16/02/2013, via Xbox Blast)

É cada vez mais difícil definir com absoluta certeza o que é um RPG. O gênero, que antes era algo bem definido e dominado em maior parte por títulos orientais, acabou se dividindo em subgêneros classificados tanto por suas mecânicas (turnos, ação em tempo real) como pelo seu enfoque (narrativa, combate, exploração). Há ainda outra denominação que criou um abismo no meio dos games, e ela diz relação ao jogo ser ocidental ou oriental e as implicâncias da cultura do país onde o jogo foi criado. Em meio a tudo isso, entretanto, surgem alguns jogos que não se preocupam com essas classificações e preferem focar seus esforços em entregar uma experiência completa e fechada, sem precisar ressaltar nenhuma característica específica para se vender ao público. The Witcher 2 é um desses jogos.


O lado negro da fantasia

Iorveth, o elfo líder de guerilha
The Witcher 2: Assassins of Kings não é mais um RPG estereotipado. Nele não vemos elfos graciosos correndo pelos bosques, ao invés disso temos elfos ladrões e assassinos se organizando em guerrilhas. Anões não são um povo trabalhador e obstinado, mas sim um bando de beberrões briguentos com um gosto incomum pela vadiagem. O mundo do jogo é negro e mostra relações e cotidianos mais próximos da Idade Média como ela realmente aconteceu. O romantismo é deixado de lado e dá lugar às rebeliões de aldeões, conspirações de assassinatos e atrocidades de guerra, todos mostrando o lado negro das relações diplomáticas que se desenvolveram durante séculos na Europa, mas transportados para dentro de um incrível e coerente universo de fantasia. Mas não se decepcione ainda, por baixo da rede de intrigas que permeia o enredo do jogo, temos uma rica mitologia e um mundo detalhado que faz inveja a qualquer outro grande RPG como Dragon Age ou Fable, com dragões, trolls, harpias e toda sorte de criatura mitológica.

Geralt de Rivia
No jogo encarnamos o papel de Geralt de Rivia, um dos witchers mais famosos do continente de Temeria. Witchers são humanos nascidos com anomalias genéticas, geralmente abandonados por suas famílias ainda crianças. Essas crianças são entregues a uma das diversas escolas de witchers onde aprendem as arte de combate, magia e poções para se tornarem os melhores caçadores de monstros e criaturas fantásticas. Geralt se vê envolvido em uma trama de conspiração de assassinato de vários reis da região. Culpado por um regicídio que não cometeu, ele decide ir atrás do verdadeiro assassino e acaba descobrindo que muitas forças ocultas planejam o destino dos reinos de Temeria.

Sem paragon ou renegade

Uma das maiores diferenças do jogo se encontra exatamente na narrativa, que não permite a criação de um personagem. O enredo se desenvolve de forma sutil e não linear, onde cada pequena decisão pode ter uma consequência imprevista no desenrolar da história. Diferente de séries como Dragon Age ou Mass Effect, The Witcher 2 não mostra ao jogador escolhas baseadas em uma moral fictícia, não existe bom ou mau, certo ou errado. Decidir entregar um ladrão as autoridades pode ser tão impactante quanto matar ou não um dos antagonistas e esse impacto muitas vezes só será sentido em momentos futuros do jogo.

Uma das muitas cenas de nudez do jogo
Outro ponto que deve se destacado é o teor adulto do jogo. Sangue e vísceras são mostrados na tela sem nenhuma cerimônia, e cenas explícitas de sexo e nudez são bastante comuns (e muitas vezes inevitáveis). Palavras de baixo calão, apesar de presentes, são o menor dos tabus que o jogo coloca abaixo. Apesar de denso e muitas vezes forte, esses conteúdos adultos são totalmente justificáveis dentro do contexto do jogo e colaboram para a imersão do jogador.

Onde os fracos não tem vez

The Witcher 2 não seria um bom RPG de fantasia se não tivesse além de um bom enredo uma boa mecânica de combate. Aqui, apertar botões de forma frenética é apenas um jeito rápido e deprimente de morrer em combate. O jogo possui duas mecânicas principais: o combate com espada e o combate com magia, sendo possível combinar e alternar os dois.

Prepare-se para enfrentar hordas de inimigos
Existem dois tipos de espada no jogo, as de aço que são utilizadas contra humanos e as de prata que servem para lidar com seres fantásticos. Além disso, Geralt também possui em seu arsenal uma boa quantidade de armadilhas e bombas, bem como suas magias. O combate se dá em um sistema de atacar, defender e esquivar, tornando o domínio dessas técnicas vital para sobreviver. O jogo é impiedoso nesse sentido e pune os jogadores mais apressados ou impacientes com uma morte rápida.

Criando e recriando

Muitos tipos de itens podem ser criados
Outro sistema bastante interessante que o jogo traz é a criação de itens e poções. Poções dependem de elementos químicos específicos para serem criadas e esses elementos podem ser obtidos em diferentes plantas. Não existe então uma lista de plantas para cada poção, apenas elementos químicos, cabendo ao jogador achar um meio de obtê-los. As poções criadas devem ser consumidas antes de cada combate (não é possível utilizar poções durante ele) e possuem um tempo de duração, além de uma toxidade específica. Tomar muitas poções de uma só vez pode acabar prejudicando o personagem ao invés de ajudá-lo.

Além de poções, também é possível confeccionar armas, armaduras, armadilhas e bombas. O sistema de criação desses itens é um pouco diferente das poções, pois só podem ser criados por mercadores e com a utilização de ingredientes específicos, que muitas vezes só podem ser obtidos ao matar determinados monstros. 

Considerações finais

Yes, nós temos trolls!
The Witcher 2: Assassins of Kings é um dos poucos RPGs de fantasia que realmente adiciona novos elementos ao gênero, e só isso já bastaria para torná-lo em um jogo obrigatório para qualquer fã. Entretanto, ele vai além ao utilizar um bom enredo e é capaz de surpreender com excelentes escolhas de design e roteiro. Aqueles que resolverem dar uma chance podem esperar gratas surpresas no decorrer do jogo e, com toda certeza, não vão se arrepender. Apesar disso, é necessário ressaltar que devido ao teor adulto e a grande dificuldade, The Witcher 2 não é um jogo para qualquer um e sua experiência é melhor aproveitada por aqueles que gostam de dominar as manhas e técnicas do seu combate.

Prós:

- Excelente enredo
- Bons gráficos
- Bom desafio
- Mecânicas e propostas diferenciadas

Contras:

- Curta duração para um RPG
- Desafio pode ser elevado demais para alguns jogadores
- Pequenos bugs e problemas de câmera

The Witcher 2: Assassin of Kings – Xbox 360 - Nota Final: 9,0
Revisão: Leandro Freire 
Fellipe Mariano escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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