Blast from the Past

Revisite a cidade do Halloween e salve as terras dos 7 feriados em The Nightmare Before Christmas: Oogie's Revenge (XB)

Ainda não consigo acreditar que não pensei em fazer um Blast From the Past desse jogo durante a semana temática de Dia das Bruxas aqu... (por Hugo H. Pereira em 19/11/2013, via Xbox Blast)


Ainda não consigo acreditar que não pensei em fazer um Blast From the Past desse jogo durante a semana temática de Dia das Bruxas aqui no Blast. Mas, como não adianta chorar pelo leite derramado, decidi não esperar até o natal e reviver as experiências de uma nova história na Cidade do Halloween, em "The Nightmare Before Christmas: Oogie's Revenge"

Desde o primeiro momento, fica claro que o jogo foi feito focado nos fãs da obra de Tim Burton. A introdução conta com uma versão atualizada de "This is Halloween", para colocar os jogadores no clima, e o jogo não perde tempo introduzindo a maioria dos personagens, ele simplesmente assume que você já os conhece. A história se passa cerca de um ano após os eventos do filme. É halloween novamente e, tal qual no filme, apesar do divertimento de todos, Jack se sente descontente com sua performance. Na procura de algo novo, o nosso velho Rei Abóbora vai ao encontro do Dr. Finkelstein, que tem a solução perfeita: o Soul Robber (Ladrão de Almas). Trata-se de um ser verde, gelatinoso e anamórfico com vida própria (leia-se "versão Tim Burton do Flubber") que se gruda aos braços de Jack Skellington dando um sopro de novidade ao pobre esqueleto. Mas, aquilo não era o bastante, então ele sai a procura de coisas novas; um novo halloween. Infelizmente, durante sua ausência, Lock, Shock e Barrel conseguem trazer Oogie Boogie (o Bicho Papão) de volta à vida e tomar o controle da Cidade do Halloween. Graças a Sally, Jack recebe uma carta avisando sobre a calamitosa situação e corre de volta para sua casa na tentativa de salvar seus amigos.
Pequenas referências, como os brinquedos da sequência do natal aterroziante do filme, dão as caras constantemente ao longo do jogo.

Então é um "Jack May Cry"?

O jogo é dividido em 24 capítulos (e mais dois secretos), cada um na maioria das vezes focado em um dos assustadores residentes da cidade do Halloween. É dificil não reparar as similaridades do jogo com os primeiros Devil May Cry - e não é à toa: A Capcom esteve por trás do desenvolvimento de ambos. Focado na ação e na derrota de hordas de inimigos não muito inteligentes, Jack usa o Soul Robber como uma espécie de chicote, podendo criar  combos ou agarrar e jogar inimigos, além de poder se esquivar graciosamente com movimentos de dança. A câmera atrapalha bastante por não termos controle algum sobre ela - o que fica mais frustrante nas seções plataformer do título. Ao final de cada capítulo, o jogador é ranqueado com letras A, B, C ou D (além do raríssimo "S"), baseado no seu maior combo, tempo levado pra completar o capítulo, dano recebido e quantos inimigos você surpreendeu. Essa foi uma das mecânicas melhor implementadas no jogo, pois adiciona um grande fator replay, não só por fazer você querer aumentar a pontuação, mas porque está atrelada à obtenção de novas roupas para o Jack.

Para adicionar um pouco mais de variedade às batalhas,
Jack pode alternar entre sua forma Espantalho e "Papão Comeu"

Se os combates contra inimigos normais são simplórios, os puzzles são óbvios e as seções de plataforma são frustrantes, é nos confrontos contra os chefes que o jogo brilha ao seu máximo. Além de interessantes e criativas, as batalhas contam com uma trilha sonora inspirada em alguma música do filme original, mas com a letra completamente reescrita para se adaptar à situação. Além disso, elas são espertamente divididas em duas partes: um confronto normal, no qual é preciso atacar o vilão com o Soul Robber em seu ponto fraco ou momento de vulnerabilidade para conseguir encher uma barra de energia musical. Quando a barra está cheia, o estilo do jogo muda completamente: de ação para musical! Com movimentos pré-programados, começa uma animação; um dueto entre Jack e o chefe em questão, onde o jogador precisa apertar o botão certo na hora certa pra dar uma boa dose de dano ao inimigo. Dentre todas as batalhas, destaque especial ao Dr. Finkelstein, que teve seu cérebro trocado por um podre. Foi criada uma música completamente nova para a batalha e que se encaixa perfeitamente com as demais criadas há mais de dez anos.

Danças bem coreografadas e músicas nostálgicas mas com um quê de novidade trazem o melhor do jogo à tona durante as lutas contra os chefes
Conforme se desenvolve a história, descobrimos que o Bicho-Papão deseja se tornar o "Rei dos Sete Feriados", roubando a essência - e a porta de entrada - para cada uma das cidades dos outros feriados. Infelizmente, o jogo se passa exclusivamente nas cidades do Halloween e do Natal, o que foi uma grande decepção para os fãs que gostariam de saber como seriam as outras cidades aos olhos de Tim Burton. Para compensar, as cidades que podemos explorar são 
muito extensas e minuciosamente trabalhadas (dando 10 a zero nos mapas de Kingdom Hearts que se passam no mesmo local), e as interações com os personagens que, no filme, só balançavam ao fundo, acaba sendo bastante cativante por dar-lhes uma maior identidade e personalidade.

Explorar locais como Spiral Hills e Pumpkin Path é uma ótima sensação, mas e os outros 5 feriados além de Halloween e natal? Cadê as suas cidades?

Fãs irão adorar, já os demais jogadores...

É com uma dor no coração que assumo que, o jogo, definitivamente, não é um dos melhores da biblioteca do Xbox: é repetitivo, a história é manjada e a dificuldade é baixíssima (exceto nos chefes e áreas secretas). Mas, em compensação, trata-se de um prato cheio para os fãs dessa trupe fantasmagórica e do trágico conto de como quase não aconteceu um natal. Com inúmeras referências, excelente trilha sonora e com alguns momentos de brilhantismo, é uma boa opção para quando não tiver o que jogar no dia 31 de Outubro ou 25 de Dezembro e celebrar as travessuras do Halloween ou sentir como é salvar um natal.
Independente das falhas, o carisma e a excelente dublagem do nosso querido Rei Abóbora consegue fazer os fãs jogarem no mínimo até o final do modo história

Revisão: Bruno Nominato
Capa: Diego Migueis 
Hugo H. Pereira cursa artes conceituais nos EUA e atua como ilustrador e redator no Blast. Quando não está colocando seus desenhos no Facebook, está gritando "Objection" por ai ou resolvendo enigmas com o Professor Layton.

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