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Análise: Forza Horizon 2 (XBO) oferece uma experiência hipnótica

Jogo de corrida da Microsoft Studios nos leva a um outro mundo, muito parecido com o nosso, onde podemos acelerar sem medo de ser feliz.


É com essa abertura hipnotizante que somos convidados a ir para o sul da Europa participar do novo festival Horizon:


Logo depois, você é apresentado ao festival e, de repente, está correndo com um dos carros mais leves e rápidos de todo o jogo, com seu destino traçado. Nada disso é a toa. O clipe de abertura, com sua música acelerando suavemente te deixa, ao mesmo tempo, em transe e preparado para quando algo for acontecer. A iniciação repentina com um carro rápido e leve tem por finalidade apresentar imediatamente o máximo da sensação de liberdade que podemos desfrutar.

Isso porque Forza Horizon 2 não é um simulador de jogos de corrida. Indo além disso, ele é um simulador da sensação de liberdade que temos ao correr. Sua proposta é diferente de seu irmão, Forza Motosport 5 (XBO), cujo objetivo é, de fato, atingir algo real, assim como é diferente de um jogo de corrida puramente arcade. A proposta de Forza Horizon 2 é ser um simulacro, uma imitação de uma realidade que na verdade nunca existiu.

Dentro do Simulacro

As mecânicas de corrida de Forza Horizon 2 se inserem bem neste contexto. Elas não querem tornar a direção a mais real possível, mas sim dar ao jogador a ideia de que ele é um excelente piloto, sem nunca deixá-lo esquecer que ainda está controlando um ser humano. Da mesma forma que atingimos velocidades incríveis de 350 km/h e fazemos nossos carros planarem por segundos, também temos curvas difíceis de fazer que podem nos levar direto para a parede. Nesses momentos de falhas, podemos utilizar a ferramenta característica da franquia Forza, a capacidade de voltar alguns segundos atrás como em um passe de mágica. Este recurso, bem como abrir mão de certos realismos, compõe a dificuldade geral do jogo.

Este não é o único fator que é fundamental nisso tudo. Estética e gráficos andam lado a lado ao longo do jogo. Carros bastante verossimilhantes com suas versões mundanas mostram o poderio gráfico da nova geração. Somado a isso, o jogo todo roda com um filtro de imagem levemente pálido, para dar a sensação de que estamos em algo próximo a um sonho, como se estivéssemos realmente na Matrix do universo das corridas.


O sistema de pontuação também colabora. Fazendo um paralelo com Driveclub (PS4), um concorrente arcade de menor nível, vemos como o jogo deve ter sensibilidade ao beneficiar ou punir seus jogadores. Enquanto no jogo de PlayStation somos punidos por qualquer falha, limitando nossa liberdade de movimento, aqui pequenos acidentes são motivos para ganhar pontos, sem nunca esquecer que a punição é necessária em erros mais grosseiros. Forza Horizon 2, até pela sua proposta, é mais razoável que seu concorrente.

É claro que um mundo aberto encaixa perfeitamente com isso tudo. Podemos percorrer seis cidades vizinhas europeias com quaisquer carros que obtivermos, com a possibilidade de usar um GPS para selecionar o destino desejado através do comando de voz do Kinect (que, infelizmente, funciona muito mal). Por toda região, podemos eventualmente encontrar celeiros perdidos com carros raros e desafiar as sombras de nossos amigos, notoriamente conhecidos como Drivatars.

Os Drivatars voltaram

O excelente sistema estatístico de Forza marcou presença aqui. Em vez de utilizar uma limitada inteligência artificial, corremos contra a média de dados de nossos amigos na Live ou de outros jogadores. Como forma de incentivar o jogador a divulgar seus dados, diariamente podemos coletar créditos que nossos Drivatars ganharam pelo mundo, e assim comprar mais carros.

Forza Horizon 2 tem um objetivo bem claro de dar prazer no ato de correr, e soube cumpri-lo bem. É realmente um ótimo jogo, com recursos mais do que suficientes para nos fazer investir bastante tempo nele ou apenas jogar naquela meia hora do dia para esquecer um pouco o nosso mundo e abrir as portas de outro, mais livre e afastado dos problemas.

Prós

  • Ótimo simulador de liberdade ao correr
  • Gráficos e estética sinérgicas com o tema
  • Sistema de pontuação que sabe punir e beneficiar nos momentos certos
  • Drivatars

Contras

  • Mal funcionamento do Kinect como GPS


Forza Horizon 2 - XBO - Nota: 8.5


Revisão: Alan Murilo
Capa: Felipe Araujo
Roberto Rezende é engenheiro de computação e brinca de game designer nos tempos vagos. Acha que Mega Man X4 é o melhor jogo já feito e acha Battletoads o jogo mais superestimado da história. No pouco tempo que sobra, faz reflexões no Juiz Cachorro. Está no Facebook, mas fala muito mesmo no Twitter.

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