Top 10

Blast Replay: Banjo-Tooie (2000)

Dez razões para Banjo-Tooie ser uma lição de como fazer uma boa sequência

Talvez seja comum hoje em dia as pessoas torcerem o nariz para sequências anunciadas apenas para expandir os lucros de um primeiro jogo de sucesso. No início do século, no entanto, sequências eram a oportunidade de desenvolvedores irem além de seu projeto original, aproveitando um orçamento maior e uma base de consumidores já instalada. Banjo-Tooie foi exatamente aquilo que falta nas sequências da atualidade: a pretensão de superar seu antecessor. Portanto, eu não poderia prestar uma homenagem melhor a esse jogo do que relembrando 10 momentos em que ele elevou a um outro expoente a maravilha que foi Banjo-Kazooie (N64).


10. Continuando de onde paramos

Tutoriais podem ser a parte mais estressante de uma sequência se você já jogou a anterior, ainda mais se eles são conduzidos fazendo parecer que os protagonistas esqueceram de suas habilidades já adquiridas na aventura anterior. Felizmente, Banjo-Tooie já começa de onde Banjo-Kazooie terminou, ou seja, com todas as habilidades da dupla Banjo e Kazooie.

Ainda assim, quem não jogou o primeiro jogo ou quiser dar uma refrescada na memória pode tranquilamente treinar todos os movimentos novamente com Bottles. A partir daí, novos movimentos são ensinados por Jamjars. É genial a maneira como a Rare conseguiu encontrar ainda mais habilidades para Banjo e Kazooie, aproveitando também as novas mecânicas de jogo, como a separação da dupla.

O destaque fica também para a nova variedade de ovos, que passam a poder serem disparados através de um mira em primeira pessoa. Há ovos de fogo, ovos de gelo, ovos granada e até ovos que liberam um pequeno pássaro capaz de explodir após algum tempo de movimento. Esse aspecto aumenta os puzzles a serem realizados, expande as maneiras com as quais o jogador pode interagir com o cenário e amplia as possibilidades de ataque da dupla Banjo e Kazooie.

9. Bem vindo, Mumbo!

Mumbo Jumbo realizou um papel chave em Banjo-Kazooie ao transformar a dupla Banjo e Kazooie nos mais variados animais com seus feitiços. Mas é em Banjo-Tooie que o xamã ganha ainda mais relevância, afinal, é um personagem jogável. Infelizmente, Mumbo não tem metade da versatilidade de movimentos e ataques de Banjo e Kazooie, e sua participação é limitada a objetivos específicos. Ainda assim, é sempre interessante quando o jogo requer trocar o comando de Banjo por Mumbo.
Afinal, quem não queria jogar com esse carinha?

8. Misturando gêneros

A Rare jamais tiraria da franquia sua divertida mecânica de movimentação tridimensional em terceira pessoa. Porém, o aspecto plataforma em muitos momentos coexiste com outros gêneros em Banjo-Tooie. Já no primeiro mundo, Mayahem Temple, somos apresentados a um desafio em mecânica de tiro em primeira pessoa que nos remete diretamente a GoldenEye 007 (N64). Há também uma variedade de mini-games que experimentam estilos de jogo mais esportivos e competitivos. Todos ajudam a dinamizar a experiência de jogo e aumentam a imprevisibilidade de cada momento do título.
Meu nome é Banjo, Banjo & Kazooie

7. Gostinho de "quero mais"

Banjo-Tooie ainda foi ousado a ponto de concluir sua aventura com uma surpresinha: um hype ainda maior pelo terceiro jogo da série. Spoilers à parte, "Banjo-Threeie" é citado pelos personagens ao final do jogo, dando a entender que haveria sim uma nova sequência. Claro que tudo poderia também ser uma mera brincadeira, mas, como a existência de Banjo-Tooie também foi sugerida ao final de Banjo-Kazooie, todo mundo já considerava o lançamento de Threeie como uma questão de tempo. Bom, o problema é que essa questão de tempo dura até hoje. Para alguns, pode até ter se realizado com Banjo-Kazooie: Nuts and Bolts (X360) e Grunty's Revenge (GBA), mas, para muitos, as esperanças ficam nas mãos de Yooka-Laylee (Multi).

Que esse seja o "Banjo-Threeie"!


6. Extras do Stop 'n' Swop

Além de todas as novidades trazidas por Banjo-Tooie, havia ainda funcionalidades extras muito interessantes destravadas através do recurso Stop 'n' Swop. Dentre elas, a mais icônica é a forma Dragon Kazooie do fiel pássaro, obtida após levar um Mega Glowbo para Humba Wumba. Ao receber a gigante criatura mágica, a xamã irá transformar Kazooie num dragão verde capaz de cuspir fogo. Além de Dragon Kazooie, temos o hilário golpe Breegbull Bash, os ovos teleguiados e o Jinjo como personagem jogável nos modos multiplayer.
Kazooie, é você?
Como já sabemos, o Stop 'n' Swop é um dos recursos mais misteriosos da série Banjo-Kazooie. Sua aplicação em Banjo-Tooie não corresponde ao plano inicial de como implementá-lo, porém ainda assim trouxe extras interessantíssimos. A funcionalidade mais curiosa, no entanto, não foi implementada no jogo, porém ainda está nos arquivos do game: um modo cooperativo para a campanha principal!

5. A desunião também faz a força

A dupla de protagonistas Banjo e Kazooie foi não apenas uma escolha para aumentar o carisma em relação ao genérico herói do projeto precursor de Banjo-Kazooie, Project Dream, mas também se provou ser uma excelente opção para o gameplay. O urso e o pássaro permitem ao jogador realizar saltos e ataques em três dimensões ainda mais divertidos que os de Super Mario 64 (N64).

Porém a Rare resolveu tomar medidas drásticas permitindo aos jogadores responderem à pergunta que permeou toda a aventura no primeiro jogo: Kazooie e Banjo podem se separar? Em Banjo-Tooie, o urso pode ficar com sua mochila vazia e o pássaro livre para voar sem carregar o pesado mamífero.

A separação não é permanente, obviamente, mas aumenta o leque de habilidades específicas de cada um e dá diferentes noções de velocidade e peso para o jogador lidar. Embora não percamos a oportunidade de reunificar a dupla quando já não precisamos mais controlá-los em separado, também é sempre interessante desgrudá-los para cumprir determinados objetivos. A Rare precisou construir um equilíbrio entre os momentos de união e separação para não perder o elemento central de sua série, a dupla de protagonistas. E o resultado foi ótimo! 

4. Uma outra atmosfera

Embora ainda seja uma aventura fantástica e vivida por um urso e um pássaro em meio a personagens engraçados e objetos falantes, Banjo-Tooie é muito mais "obscuro" do que Banjo-Kazooie. A começar pelo início do jogo, no qual o fiel companheiro Bottles é morto e a Spiral Mountain, lar de Banjo e Kazooie, é devastado por Gruntilda. A própria música tema desse local em Tooie é praticamente fúnebre em comparação à dançante versão original. Tudo bem que tudo termina bem no final, mas, ainda assim, Banjo-Tooie trouxe uma sensação de perigo muito maior do que no primeiro jogo, afinal, o objetivo agora é salvar o mundo, e não apenas a irmã de Banjo.

3. Multiplayer

Os vários mini-games e desafios que exploram outros gêneros dos videogames são tão divertidos que a Rare não pôde simplesmente deixá-los restritos a momentos específicos de cada mundo. No menu principal de Banjo-Tooie, é possível acessar cada uma dessas experiências para revivê-las a qualquer hora. E o melhor: tudo pode ser jogado com até quatro jogadores. O principal modo multiplayer, obviamente, é o deathmatch em FPS, que, basicamente, é uma versão de GoldenEye 007 (N64) vivida pelo elenco de Banjo-Tooie. Há diversos personagens jogáveis, munições variadas através dos diferentes ovos e mapas bem grandes. Às vezes, grandes até demais!
Dos melhores ao piores mini-games, todos podem ser jogados em grupo

2. Aí vem os chefes!

Depois de Banjo-Tooie, é difícil tentar imaginar um jogo da série sem batalhas contra chefões. Esses confrontos fizeram uma enorme diferença em relação ao primeiro jogo, trazendo uma sensação de ter legitimamente superado um mundo, afinal, cada batalha é única, criativa e conta com sua própria música tema. Algumas, aliás, são bem difíceis!

Chilli Billi & Chilly Willy, Terry e Mr. Patch estão entre os chefes mais memoráveis. Mas no topo das lutas está o confronto com Gruntilda, que consegue ser ainda mais épico e divertido do que o de Banjo-Kazooie. Ficou com saudade de enfrentar esses titãs? Não se preocupe, todos também estão disponíveis para serem confrontados novamente pelo menu principal!

1. Mais mundos? Sim, senhor

A fórmula de Banjo-Kazooie não era nem um pouco imprevisível: uma aventura através de mundos com temáticas diversas. Como poderia então Tooie se sustentar repetindo uma fórmula já bastante previsível? Restou à Rare expandir tudo aquilo que os mundos significavam no primeiro jogo. Primeiramente, temos temáticas totalmente novas nesse segundo jogo. Em Kazooie, os temas eram bem gerais, como praia, Natal, cemitério e pântano, o que nos deixava sempre com a dúvida de como Tooie traria ainda mais mundos sem repetir as mesmas temáticas.
O resultado foi mundos igualmente criativos, como indústria, era dos dinossauros, mina subterrânea, parque de diversões e a dualidade entre fogo e gelo. Muitos deles, aliás, foram planejados originalmente para Banjo-Kazooie. Se não fosse por Banjo-Tooie, não poderíamos ter aproveitado todas as ideias imaginadas pela equipe do primeiro jogo.
Os mundos de Tooie não são apenas tão interessantes quanto os de Kazooie, mas também são duas vezes maiores! O total de Jiggies em cada um continuou sendo dez, mas agora há áreas ainda maiores para explorar, mini-games escondidos, mais colecionáveis e a inédita interconexão entre os mundos. Em Tooie, não é mais possível completar cada mundo em 100% de maneira linear, pois há desafios que dependem de habilidades adquiridas em mundos posteriores e personagens que precisam interagir com mundos diferentes do seu. A teia de objetivos em Tooie é muito mais complexa, requerindo um domínio ainda maior do universo do jogo para galgar os almejados 100%.

O filho de um titã

Banjo-Kazooie foi, sem dúvidas, um marco na história da Rare e um ícone dos jogos de aventura. Seu humor, jogabilidade, trilha sonora e gráficos ganharam um outro nível em Banjo-Tooie. Por todos os motivos acima e alguns outros, é fato que Tooie demonstra como uma continuação pode ser feita de modo a expandir o que já se tem. É difícil imaginar um "Banjo-Threeie" que não siga os passos de Tooie e é ainda imprevisível no que poderia melhorar. Aqui ficam nossas lembranças de Banjo-Tooie, uma vontade imensa de rejogá-lo no Rare Replay (XBO) e a esperança de que Yooka-Laylee seja tudo aquilo que promete ser!
E você, leitor, também acha que Banjo-Tooie é uma excelente sequência? O que lhe fascina mais nesse jogo? Deixe seus comentários!
Revisão: Luigi Santana
Capa: Nívia Costa.
Rafael Neves é estudante de psicologia na UFBA e planeja ingressar no mundo da literatura como escritor. A paixão por videogames e a vontade de escrever unem-se na experiência como jornalista do ramo. Também trabalha em sua HQ virtual. Encontre-o no Facebook.

Comentários

Fórum
Google+
Facebook