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Análise: Dead Rising 4 (XBO/PC), o apocalipse zumbi de forma divertida

Quarto título de Dead Rising é uma homenagem aos anteriores e uma amostra do futuro da série.

O protagonista principal da série de survival horror com elementos de ação e aventura Dead Rising está de volta! O repórter investigativo Frank West retorna a Willamette atrás do furo jornalístico da década: um novo surto do vírus zumbi. Em Dead Rising 4 (XBO/PC), da Capcom, jogamos com um Frank West mais velho, mas não menos irônico e piadista. O repórter do primeiro Dead Rising (Multi) em 2006, protagonista do spin-off Dead Rising 2: Off the Record (Multi) em 2011 e personagem principal da DLC Dead Rising 2: Case West (X360) em 2010, agora está acompanhado de sua estudante e aprendiz Vick Chu enquanto tenta salvar o mundo do apocalipse zumbi, mais uma vez.

Retornando a Willamette

Dead Rising 4 se passa 16 anos depois dos eventos do primeiro Dead Rising e um ano depois de Dead Rising 3 (XBO/PC). Frank West, com 52 anos, está vivendo uma vida tranquila como professor de jornalismo. Apesar da aparente paz após a descoberta da cura do vírus zumbi, sua estudante Vick Chu está convencida de que uma base militar secreta em Willamette esconde segredos sombrios e o instiga a ir com ela numa aventura para conseguir uma história de destaque do jornalismo. Então, a dupla de professor e aluna embarca numa viagem ao epicentro do novo surto zumbi.

O enredo de Dead Rising 4 está muito bom, e isso se deve em grande parte ao carisma dos personagens, principais e secundários, que roubam a cena toda vez que aparecem. A aluna de Frank, Vick Chu, é uma jovem descolada, corajosa e que se preocupa com a vida das pessoas. Colocando seus ideais acima da sua profissão, ela almeja eliminar qualquer chance de que um novo surto de vírus zumbi mate milhões de pessoas. Em contrapartida, Frank West é... Frank West. Em busca de fama e dinheiro, o repórter veterano é irônico, sarcástico e sempre tem uma piada nos lábios, mesmo nas piores situações. Para ele, os rumores são a chance de uma nova fase de sua carreira e uma oportunidade para colocar seu nome no mapa do jornalismo mundial.


As personalidades fortes e conflitantes de Frank e Vick causam uma briga entre ambos enquanto invadem a base militar secreta, o que resulta na fuga de Chu, e West transforma-se num fugitivo da polícia. Quatro meses depois, passando-se pelo professor de fotografia Hank East no meio do oeste estadunidense, Frank é encontrado pelo diretor do CDZ, Brad Park — sim, o protagonista do DLC Dead Rising 3: The Last Agent (XBO/PC) —, que o convida a voltar a Willamette e investigar um surto do vírus zumbi que tem sido mantido em segredo pelo Pentágono e o governo dos EUA há seis semanas. West aceita a proposta e volta à cidade para salvar sua aluna e descobrir a verdade sobre o novo vírus.

As melhores canções de Natal nos seus ouvidos

O gráfico de Dead Rising 4 está lindo e apresenta um leve aprimoramento de seu antecessor, trazendo uma introdução bela com arte no estilo cartum acompanhada de uma trilha sonora natalina impecável — a clássica Oh Christmas Tree —, que contrasta com o terror dos zumbis dominando Willamette. O jogo se passa em 2021, durante o período de Natal, sendo que o surto de vírus zumbi aconteceu na Black Friday — muito contemporâneo de seu próprio lançamento, não?

Falando em trilha sonora, não tem como ficar sem comentá-la. A trilha original composta pelo canadense Oleksa Lozowchuk equilibra muito bem o terror e o clima natalino, dando um tom sombrio e bizarro em momentos específicos. As músicas cantadas são majoritariamente clássicos do Natal como Jingle Bells e We Wish You a Merry Christmas ou paródias das mesmas, como Deck the Halls with Sounds of Bollywood e Jingle Jazz. O acréscimo de uma música-tema natalina de Willamette, intitulada Oh Willamette, cantada pelo cantor de jazz estadunidense Douglas Roegiers também é um ponto a mais no primor musical do jogo.


Sobreviva ao apocalipse zumbi com muito estilo

A mecânica de poder pegarmos praticamente tudo que encontramos pelo cenário e usarmos como arma ou comida continua. Dead Rising 4 insere uma infinidade de objetos para usar ou combinar nas armas mais loucas e massacrantes possíveis. O arsenal pessoal de West é dividido em três partes: armas de corpo a corpo, armas de longo alcance e armas de arremesso, então, não faltam opções na hora de esmagar crânios de zumbis.

A comida, que serve para regenerar a vitalidade do personagem, também se encontra em vários lugares e ocasiões, porém, se você não quiser ficar procurando objetos, armas ou comida, basta ir num abrigo de sobreviventes e comprá-las de um vendedor. Falando em sobreviventes, parte das missões secundárias incluem salvar pessoas em perigo, limpar abrigos de zumbis, derrotar maníacos armados soltos por Willamette, entre outras missões divertidas em um mundo aberto empolgante e com mil possibilidades.


As opções de roupas são as mais variadas e inusitadas possíveis. Desfile na passarela do apocalipse zumbi trajando uma armadura medieval ou o uniforme dos heróis de anime ou tokusatsu, fantasia de mascotes de torcida, roupa de hóquei, terno e gravata ou combinações hilárias com os inúmeros itens disponíveis, como máscaras, gorros, óculos, patins, entre outros. Os meios de transporte utilizados são tão loucos quanto as combinações de trajes: karts elétricos, tanques, caminhonetes, carros de tirar neve, triciclo, entre outros.

Aventure-se com seus amigos

O modo multiplayer de Dead Rising 4 oferece quatro personagens jogáveis: Isaac Tremaine, Jesse Yatsuda, Jordan Maxwell e Connor McMann. O quarteto de sobreviventes faz parte do modo campanha e no multiplayer eles têm a chance de aventurarem-se por quatro episódios inéditos com várias hordas de zumbis e objetivos específicos.

O multiplayer dispõe de duas modalidades de jogo, partida rápida e partida por convite. Infelizmente, as partidas online demoram muito tempo para encontrar servidores livres, então, a opção mais viável para aproveitar a história paralela dos personagens é convidar os amigos que têm Dead Rising 4 e juntos encararem o apocalipse zumbi em Willamette.


Que tal uma selfie, sr. zumbi?

Um dos grandes avanços do jogo é a melhor utilização da câmera fotográfica de Frank West, usada nos títulos anteriores para fotografar o cenário, ela exerce um papel mais importante dentro do jogo. Dead Rising 4 apresenta fases com Modo Detetive, no qual sua função é investigar as cenas do crime fotografando as pistas deixadas pelos vilões.

O jogo é composto por sete missões principais, divididas em seis casos investigativos — sete, na verdade, pois há o Caso 0 — que precisam ser concluídos. A câmera também possui três filtros, os modos Normal, Visão Noturna e Análise de Espectro, que servem para diferentes situações. Além de todas estas opções, você pode tirar selfies a hora que quiser, com personagens, zumbis e no cenário que desejar, inclusive com opção de fazer diferentes caretas para a câmera.


Apesar de tantos pontos fortes, Dead Rising 4 possui falhas pontuais que atrapalham o andamento das missões. Há vários bugs de física, em que paredes e objetos sem interação engolem zumbis, armas ou comidas, interferindo diretamente nos objetivos da missão. Afinal, se o objetivo é limpar uma base de uma horda de zumbis, quando um zumbi fica preso numa parede ou pilar, não há como cumprir a missão, obrigando o jogador a reiniciar a jogatina.

O mesmo acontece com armas e comidas. Quando vamos trocar os itens do inventário, muitos objetos desaparecem no cenário e, na maioria das vezes, não conseguimos recuperá-los. Outro fator que incomoda é a inexistência de opção para dublagem no idioma original, o inglês. A interface e dublagem é completamente em português — e está ótima —, porém poderia haver a opção de idioma original para aqueles que apreciam o trabalho com áudio em inglês.


Dead Rising 4, sem dúvida, revive os jogos anteriores da série e deixa pistas do futuro da franquia. Embalado pelo recente lançamento de Dead Rising Remastered (Multi) e Dead Rising 2 Remastered (Multi), o quarto título da série da Capcom mostra que aproveitou todo o potencial da nova geração e traz uma nova história divertida, caótica e aterrorizante de um dos jogos de zumbis mais amados pelos gamers.

Prós

  • História interessante;
  • Missões secundárias divertidas;
  • Mundo aberto com várias possibilidades;
  • Personagens carismáticos;
  • Trilha sonora fabulosa.

Contras

  • Bugs de física que atrapalham o avanço das missões;
  • Difícil de encontrar servidores livres no modo multiplayer;
  • Interface completamente em português, sem opção de áudio em inglês.
Dead Rising 4 — PC/XBO — Nota: 8.5
Versão usada para análise: XBO
 Revisão: Vitor Tibério
Karen K. Kremer escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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