Discussão

A Microsoft poderia apostar em um console portátil?

Por que a multinacional estadunidense nunca lançou o Xboy?

Entre 1989 e 1991, houve o Game Boy (GB), da Nintendo, e o Game Gear (GG), da Sega. Em 2001, veio o aperfeiçoado Game Boy Advance (GBA) e, três anos depois, o inovador Nintendo DS (NDS). Não querendo ficar para trás, a Sony lançou o PlayStation Portable (PSP) no mesmo ano. Assim, 2011 chegou com o Nintendo 3DS (3DS) — posteriormente, também os modelos Nintendo 2DS (2DS) e New Nintendo 3DS (N3DS) com as variações XL e LL —, bem como o sucessor do PSP, o PlayStation Vita (PSVita). E mais recentemente, em 2017, haverá o lançamento do Nintendo Switch, um híbrido de console e portátil, a ser lançado dia 3 de março. Contudo, onde está a Microsoft nesse mercado de consoles portáteis?

Console ou computador?

Tendo em vista que o fundador da Microsoft, o magnata estadunidense Bill Gates, quase fechou a divisão responsável por criar o primeiro console Xbox, lançado em 2001, devido ao fato de o videogame original não utilizar o sistema operacional Windows, pode-se imaginar como o projeto de um console portátil é visto pela empresa: com muita desconfiança.

Almejando uma fusão entre console e computador, a visão de Bill Gates para o Xbox sempre foi a de ser um produto próximo às outras criações da Microsoft. Ou seja, que a tecnologia e a experiência de jogo em um Xbox sejam muito parecidas o que é experimentado nos computadores, fazendo uso das funções e tecnologias da empresa. O recente lançamento do programa Xbox Play Anywhere é justamente essa busca pelo encontro entre as duas plataformas.


Xboy, o portátil cancelado da Microsoft

Ano passado, o ex-chefe da divisão do Xbox da Microsoft, Robert J. Bach, veio a público para esclarecer porque a empresa nunca lançou uma versão portátil do Xbox. Segundo o executivo estadunidense, rascunhos e planos para um console portátil ocorreram poucos anos antes do lançamento do Xbox 360, em 2005. Porém, o projeto que se chamaria Xboy nunca entrou no estágio de protótipo.

De acordo com Robert Bach, o Xbox passava por uma fase de estabilidade no mercado de videogames. O primeiro console foi um sucesso de vendas, porém, com todas as atenções voltadas para o então novo Xbox 360 e como seria sua recepção pelos jogadores, a Microsoft simplesmente não teve tempo e recursos para focar num projeto paralelo de um console portátil.


No mesmo período, os smartphones passaram a dominar o mercado mobile, o que contribuiu com a decisão da multinacional de abandonar o Xboy. Apesar das concorrentes Sony e Nintendo atuarem no cenário de portáteis, o executivo afirmou que a Microsoft continua firme em sua decisão de cancelar o Xboy e focar em jogos para o Xbox One e o Windows 10.

Há esperanças para a portabilidade?

Certamente a Microsoft está com os olhos no futuro e tem um pensamento a longo prazo para seu console. Para isso, integrar o Xbox ao Windows é a melhor maneira de garantir uma vida útil prolongada ao console e tornar ambas plataformas cada vez mais parecidas, assim sendo mais adaptáveis às rápidas mudanças do campo da tecnologia.

A declaração de Robert J. Bach deixa bem distante de nossos sonhos a ideia de uma versão portátil do Xbox. Contudo, com o hype do Nintendo Switch, quem sabe a Microsoft não decide retomar o projeto? Só o tempo nos dirá.

Revisão: Bruno Alves
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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