Resenha

Dead Rising: Watchtower, Chase Carter é o novo Frank West

Filme para Crackle é um tesouro desconhecido.

Recentemente, os games têm voltado a ter adaptações para o cinema. Seja em trabalhos mal recebidos, como Hitman: Agente 47 (Aleksander Bach, 2015) a obras aclamadas pelos fãs como Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos (Duncan Jones, 2016). O hype de Assassin's Creed (Justin Kurzel, 2016) prova o investimento da indústria do cinema em adaptações de jogos eletrônicos ao trazer um elenco de atores A de Hollywood, como Michael Fassbender, Marion Cotillard e Jeremy Irons. Em meio a esse cenário, há Dead Rising: Watchtower (Zach Lipovsky, 2015), um filme para televisão que entrega um produto final com excelente qualidade técnica e capta a essência da franquia de zumbis da Capcom.

East Mission, a cidade dos infectados

O longa-metragem Dead Rising: Watchtower, produzido pelo estúdio Legendary Digital Media — divisão da Legendary dedicada à filmes digitais — e dirigido pelo canadense Zach Lipovsky, produtor de Infectado (Derek Lee; Clif Prowse, 2013), chegou sem muito alarde à plataforma de vídeos via streaming Crackle. Contudo, alguns minutos de filme são suficientes para nos convencer de que a produção cinematográfica é uma surpresa agradável escondida no catálogo da plataforma de entretenimento.

Dead Rising: Watchtower se passa entre os acontecimentos de Dead Rising 2 (Multi) e Dead Rising 3 (XBO/PC). O filme se localiza territorialmente na cidade de East Mission, no Oregon, onde a maioria da população é composta por indivíduos infectados pelo vírus zumbi e vivem à base da medicação Zombrex. Por conta disso, a cidade é foco de rechaço e medo do restante da população estadunidense, que a vê como ameaça à segurança nacional.


Após a polícia encontrar corpos do que parecem ser vítimas de um ataque zumbi. O repórter Chase Carter e sua câmera Jordan Blair, entram na zona de quarentena para investigar o que está acontecendo com um grupo de civis presos dentro de um estádio da cidade. Porém, eles se deparam com um novo surto zumbi e correm contra o tempo para sair da área de epidemia antes que o exército bombardeie East Mission.

Herança bem-aproveitada e elenco profissional

Zach Lipovsky pega o que teve de melhor em Zombrex: Dead Rising Sun (Keiji Inafune, 2010), a filmagem em primeira pessoa, e insere numa trama envolvente e inteligente. Dead Rising: Watchtower é exibido no formato tradicional em terceira pessoa, tendo algumas intervenções em primeira pessoa em casos isolados de combates. Um estilo de filmagem válido e que traz a sensação de jogo ao filme de forma elegante e divertida.


O elenco de Dead Rising: Watchtower é integrado por bons nomes do cinema B de Hollywood, que fazem um excelente trabalho de atuação, como Jesse Metcalfe, intérprete do protagonista Chase Carter, o ator é conhecido por Acima de Qualquer Suspeita (Peter Hyams, 2009) e Deus Não Está Morto 2 (Harold Cronk, 2016). Keegan Connor Tracy, que dá vida a Jordan Blair é conhecida por seus trabalhos em Premonição 2 (David R. Ellis, 2003) e Descendentes (Kenny Ortega, 2015). A atriz Meghan Ory, que faz o papel de Crystal, é famosa pela série Once Upon a Time (Adam Horowitz; Edward Kitsis, 2011) e o vilão Logan, interpretado por Aleks Paunovic, vem de trabalhos como Sou Espião (Betty Thomas, 2002) e Um Tira no Jardim de Infância 2 (Don Michael Paul, 2016).

O enredo de Dead Rising: Watchtower impressiona por seu alto grau de mistério, investigação e conspirações governamentais. A seriedade da trama é maravilhosamente equilibrada pelo humor negro de Frank West, interpretado perfeitamente pelo ator e comediante Rob Riggle. Enquanto acompanhamos o grupo de sobreviventes presos dentro do cordão de isolamento formado em volta de East Mission, somos agraciados pela hilária entrevista de Frank West ao jornal televisivo UBN News, que rende ótimos momentos de gargalhadas devido à sinceridade e ao sarcasmo de West frente a situação de uma nova epidemia zumbi. O ator brilha na pele de Frank West e faz jus ao repórter anti-herói de Dead Rising.


Drama e humor em uma trama investigativa

Sem dúvida, o que mais me surpreendeu em Dead Rising: Watchtower foi a história, o ponto alto do filme. Depois do desastroso Zombrex: Dead Rising Sun, fiquei reticente quanto a uma nova adaptação da franquia de apocalipse zumbi da Capcom, porém, o filme da Legendary Digital Media me conquistou com tantos pontos positivos em seu enredo que mescla terror e investigação policial.

Dead Rising: Watchtower é simplesmente a cara de Dead Rising. O filme traz todas as características do game para um formato cinematográfico e faz os fãs vibrarem ao reconhecerem os zumbis recém infectados, os maníacos e psicopatas soltos pela cidade, os inocentes em perigo que precisam ser salvos, o exército comandando o cerco ao lugar infectado, entre outras características. Inclusive, as armas de combo são genuinamente recriadas e fazem um trabalho épico numa festa de zumbis fatiados, esmagados e queimados.


Os personagens são igualmente carismáticos e marcantes. O herói Chase Carter é um repórter ambicioso e materialista que segue os passos de Frank West para ser o próximo nome do jornalismo mundial; Jordan é uma profissional mais centrada na realidade e preocupada com as pessoas, não compartilha o desejo de fama e dinheiro de Carter; Crystal, uma cidadã de East Mission e uma moça solitária, durona e cheia de segredos que não gosta da companhia de ninguém; Maggie é uma mãe que teve a filha pequena infectada e precisou matá-la para sobreviver, ela age como a mãe do grupo de sobreviventes e sofre com a perda da filha. Cada personagem possui sua própria personalidade e maneiras distintas de agir, algo que enriquece a trama ao trazer pessoas diferentes, mas vítimas da mesma situação.

Filme digno de Dead Rising

Dead Rising: Watchtower seria o filme perfeito se não tivesse a inclusão de alguns zumbis armados e conscientes em algumas cenas, contudo, a diversão é tão grande e a história tão bem elaborada que nem disso podemos reclamar. A obra cinematográfica é um presente para os fãs da franquia da Capcom e para aqueles que amam histórias de zumbis. A produção fílmica termina com um final intrigante e faz uma ponte para a sequência Dead Rising: Endgame (Pat Williams, 2016). Já estou ansiosa para assistir a continuação.

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no DeviantArt., MGC. ou Twitter. ela aparece.

Comentários

Google+
0
Disqus
Facebook