Blast from the Past

Relembre o divertido Sonic the Fighters (Arcade/XBLA), jogo de luta do mascote da Sega

É possível que quando a Sega anunciou o lançamento de Sonic the Fighters, na segunda metade da década de 1990, muita gente torceu o nariz.... (por Jardeson Barbosa em 03/02/2013, via Xbox Blast)

É possível que quando a Sega anunciou o lançamento de Sonic the Fighters, na segunda metade da década de 1990, muita gente torceu o nariz. Também pudera. Como seria possível converter uma franquia de plataforma em um jogo de luta? Hoje isso é bastante normal, mas, naquela época, esse conceito era pra lá de insano. Quebrando todas as regras a Sega entregou aos jogadores um título diferente, que dividiu opiniões e que recentemente recebeu um relançamento para a Xbox Live Arcade do Xbox 360. Será que as lembranças são boas ou seria melhor fingir que esse jogo nunca existiu?

Pegando carona no sucesso

Durante a década de 1990, Sonic era um dos personagens mais famosos dos videogames. Seu nome era associado a praticamente tudo, de brinquedos a séries de TV, e seus jogos foram grandes responsáveis pelo sucesso do Mega Drive. Aproveitando essa popularidade, a Sega sempre tratou de inserir o ouriço em situações bizarras, que em pouco lembravam os blockbusters que o tornaram famoso. O personagem estrelou jogos de corrida, educativos, pinball, puzzles, entre outros. Mas nada disso chegou perto da proposta de Sonic the Fighters. Nessa época, os jogos de luta se resumiam a títulos sangrentos e violentos – como Tekken, Mortal Kombat, Street Fighter e a série Virtua Fighter, da Sega, então era difícil imaginar os personagens de uma série, até certo ponto infantil, nesse tipo de cenário.


Talvez aí entre a principal característica de Sonic the Fighters. Não se trata de um jogo de luta sério como Virtua Fighter, bem como não se trata de um jogo debochado como a série Super Smash Bros., da Nintendo. Sonic the Fighters é um Virtua Fighter mais leve, mais cômico e, na maior parte do tempo, mais simples. Simples demais, eu diria. E isso pesa muito se você decidir jogá-lo pelo gênero, e não pelo apelo carismático dos personagens.

Falando em personagens, Sonic the Fighters é uma reunião honesta e interessante dos principais deles. Pelo menos daqueles que já existiam em 1996, ano em que o jogo foi originalmente lançado. Sonic the Hedgehog, Miles "Tails" Prower, Knuckles the Echidna, Amy Rose (chamada de Rosy the Rascal neste título), Metal Sonic, Dr. Ivo Robotnik e outros rostos menos conhecidos integram o elenco de lutadores. A versão lançada recentemente para a Live Arcade ainda conta com a personagem Honey the Cat, antes acessível apenas por glitches.


Dá pra levar a sério?

Como já foi dito, é difícil encarar Sonic the Fighters como um jogo de luta sério. Na época de seu lançamento, para o arcade AM2 da Sega, o título sofreu com a competição cruel com outros do mesmo gênero. O problema é que Sonic the Fighters não apresenta grandes combinações de golpes e botões, e possui poucos personagens – apenas dez na versão lançada na XBLA, para ser exato. Apesar de ser um jogo completamente 3D, uma revolução para a época, ele ficou aquém do visto em Tekken 3, lançado alguns meses mais tarde, e Virtua Fighter 2, seu antecessor.

Um outro problema de Sonic the Fighters foi o não lançamento para o console Sega Saturn. Isso não é de fato um problema, mas impediu que muitos fãs do ouriço conhecessem o jogo, que se tornou uma peça underground e esquecida de muita gente.

Pelos controles, muitos jogadores chiaram pela simplicidade exacerbada. Sim, temos um caso em que menos é menos. Deixando de lado os milhões de botões que fogem à vista e favorecem a criação de estratégias mirabolantes, Sonic the Fighters entrega apenas três botões extremamente crus para o jogador, um legado de Virtua Fighter. Chutar, socar e defender com um escudo azul é o máximo que você poderá fazer. Entretanto, algumas boas combinações podem ser extraídas daí. Alguns movimentos muito interessantes, vindos direto dos jogos de plataforma, garantirão a diversão extra até que você descubra tudo o que é possível fazer e enjoe do jogo.



Agora, se você é fã de desafios, bem, não há nenhum aqui para você. Sonic the Fighters, quando jogado por apenas um jogador, é surpreendentemente fácil. Fácil até demais. Para ter uma noção, nas primeiras lutas contra a CPU, o personagem que lutará com você sequer reagirá. Isso mesmo, pode jogar o controle no sofá e despreocupar-se, a máquina não luta a sério. Isso fica evidente quando você percebe que terminou o jogo em 12 minutos, e que conquistou todos os achievements em 20. Bom para os achievement hunters. Se você pensa que a versão original, lançada para os jogadores mais exigentes lá da década de 1990 era mais difícil, não se engane, o jogo sempre foi muito fácil e muito curto.

Divertido e ignorado

Mas nada disso tira o brilho de um jogo interessante e bem divertido. O multiplayer para até seis jogadores (insano, eu sei) dá conta do recado – principalmente na versão online do Xbox 360 – e diverte bastante. O jogo também envelheceu muito bem. Apesar de já estar na faixa dos dezoito anos, o visual não incomoda nos dias atuais, e demonstra que esse aspecto foi muito bem cuidado pela equipe de produção. Dá pra afirmar com certeza que vale aqueles seus 400 Microsoft Points que estão dando sopa.

Talvez tenha sido a falta de divulgação, ou a exigência acima da média, que enterraram Sonic the Fighters em um mar de esquecimento, mas o jogo é realmente divertido e sem dúvida merece voltar aos consoles de todos os fãs do ouriço. Afinal, em que outro jogo os personagens derrubam argolas enquanto apanham?


Revisão:  Ramon Oliveira de Souza
Jardeson Barbosa escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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