Analógico

#QuantumBreak1stAnniversary: Quantum Break (XBO/PC) e as teorias de física quântica — o Gato de Schrödinger

Entenda a ciência de Quantum Break.

Após compreendermos o que é o campo da física quântica e sua teoria de viagem no tempo, nesta parte do nosso especial sobre as teses quânticas presentes no jogo de ficção científica de tiro em terceira pessoa Quantum Break (XBO/PC), da Remedy, conheceremos a Teoria do Gato de Schrödinger, hipótese da mecânica quântica utilizada para embasar as escolhas de futuro do vilão Paul Serene.
ALERTA DE SPOILER!
O texto a seguir possui spoilers da história de Quantum Break.

Schrödinger, o primeiro crononauta

No Ato 2: Lugar Perfeito pra Esconder Algo, Parte 3: Piscina do Bradbury de Quantum Break, encontramos a segunda máquina do tempo construída pelo cientista físico William Joyce, irmão mais velho do protagonista Jack Joyce. Em meio aos inúmeros aparelhos eletrônicos, móveis abandonados e anotações empoeiradas, encontramos uma caixa com uma antiga gaiola para hamster. Nela há uma foto do pequeno animal com a inscrição "Schrödinger, first chrononaut" (em português: "Schrödinger, o primeiro crononauta"). A que isto se refere?


Em 1997, William Joyce e seu colega pesquisador da Universidade de Riverport, Elton Meyer, provaram a existência do campo de cronum, também chamado de campo Meyer-Joyce; o equivalente ao o que conhecemos no mundo real como partículas quantum. A partir de 1998, William começou a trabalhar no seu primeiro protótipo de máquina do tempo, utilizando seu hamster de estimação chamado Schrödinger como o possível viajante do tempo. Apesar dos testes iniciais terem fracassado, no ano seguinte William descobriu uma maneira de viajar no tempo.

O nome do hamster de Schrödinger não é por acaso, mas uma referência ao físico teórico austríaco Erwin Schrödinger, criador da Teoria do Gato de Schrödinger. A tese do austríaco também aparece de maneira sucinta e discreta em alguns documentos encontrados durante o jogo. Essas informações não são apenas easter eggs, mas possuem conexão direta com a história de Quantum Break.


A experiência do gato de Schrödinger

Antes de entendermos a aplicabilidade da Teoria do Gato de Schrödinger no jogo, precisamos compreender como funciona esse princípio da física quântica. O Gato de Schrödinger é um experimento mental no qual um gato é colocado dentro de uma caixa lacrada contendo um frasco de gás venenoso que possui 50% de chance de ser acionado, matando o gato; e 50 % de chance de não ser acionado, mantendo o gato vivo. De acordo com Schrödinger, o paradigma da física quântica está no fato do gato estar vivo e morto ao mesmo tempo enquanto a caixa não for aberta. Deixando o gato no estado de superposição quântica.

A superposição quântica são todos os possíveis resultados de um sistema. Em Quantum Break os pontos de bifurcação são superposições quânticas do futuro. Até que se escolha um dos caminhos da história, cada linha do tempo possui 50% de chances de ocorrer. Na Bifurcação 1: RP/Linha Dura, o antagonista Paul Serene explica que ele deve escolher uma das alternativas senão aquele momento jamais acabará, isso significa que se o jogador não tomar uma decisão, os pontos de bifurcação ficarão em estado permanente de superposição quântica.


A Teoria do Gato de Schrödinger consiste na afirmação da existência de um estado de superposição quântica, a coexistência de mais de uma realidade. No caso do gato, existe a realidade na qual ele fica vivo e existe a realidade na qual ele morre. Contudo, essas alternativas são o resultado das escolhas do indivíduo, ou seja, é nossa decisão que desencadeia uma das realidades.

Em Quantum Break, o Princípio da Incerteza de Heisenberg e a Teoria do Gato de Schrödinger caminham lado a lado com Paul Serene. As visões de futuro do antagonista ficam em superposição quântica até que o jogador tome uma decisão. A linha do tempo escolhida desencadeará os eventos com maior chance de ocorrer naquele cenário, ou seja, é o próprio ato da escolha de Paul que leva a um determinado final. Porém, não há como ter certeza de todos os acontecimentos que se sucederão na linha do tempo selecionada, o que leva ao Princípio da Incerteza.


Quando a curiosidade mata o gato

A Teoria do Gato de Schrödinger é a materialização do ditado "a curiosidade matou o gato", pois, de fato, o animal possui metade de chances de morrer devido à curiosidade do ser humano em abrir a caixa. O paradoxal princípio de física quântica é o cerne das atitudes e escolhas do vilão Paul Serene, bem como nos encaminha para outra grande tese científica presente em Quantum Break, a Teoria dos Universos Paralelos.

Revisão: Vitor Tibério
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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