Xbox Chronicle

Xbox Chronicle #1: O controverso nascimento de uma gigante

Saudações a todos. Estreia hoje, aqui no Xbox Blast, uma nova coluna, chamada Xbox Chronicle . Nesta coluna conheceremos um pouco da hist... (por Jardeson Barbosa em 01/09/2012, via Xbox Blast)

Saudações a todos. Estreia hoje, aqui no Xbox Blast, uma nova coluna, chamada Xbox Chronicle. Nesta coluna conheceremos um pouco da história da Microsoft e, principalmente, do Xbox. O surgimento do interesse e as primeiras investidas em videogames, o desenvolvimento do Xbox, as inovações, as grandes franquias construídas ao longo dos anos. Tudo será contado aqui. Hoje relembraremos o modesto e controverso início da empresa que, outrora, já se chamou Micro-Soft, e conheceremos um pouco da ascensão da computação pessoal. Preparados?

Bill Gates e Paul Allen: os nomes por trás do negócio

Assim como a maioria das empresas, a Microsoft nem sempre foi uma "gigante". Tudo começou, de forma bem simples, com o interesse dos amigos Bill Gates e Paul Allen na área da computação.

Bill Gates era aluno da Universidade Harvard e membro de uma família bem sucedida financeiramente quando se uniu com Paul Allen, um estudante da Universidade de Washington, para montarem, juntos, uma empresa no ramo da computação. Nessa época (década de 1970), os computadores eram muito caros e não faziam parte da realidade da maioria das pessoas.

Antes da Microsoft, os dois acabaram desistindo dos estudos e montando uma empresa juntos, a Traf-O-Data, que trabalhava lendo informações de contadores de tráfego e gerando relatórios para engenheiros de tráfego. O sucesso não foi o esperado, mas a empresa serviu como experiência para aprimorar as habilidades da dupla.

Os primeiros passos da nova empresa ocorreram no ano de 1975, quando os jovens perceberam que podiam programar no microcomputador Altair 8800 (o primeiro microcomputador a ser lançado) utilizando a linguagem BASIC. O Altair 8800 era baseado no microprocessador Intel 8008, o primeiro microprocessador 8-bit do mundo, e toda a adoração sobre ele se deu início com a publicação da revista Popular Electronics de janeiro de 1975, que o estampava na capa. Sem ao menos possuírem o microcomputador em mãos, os dois passaram a desenvolver um interpretador para ele, utilizando apenas um simulador desenvolvido por Paul Allen. De uma forma geral, os interpretadores servem para executar as instruções das linguagens de programação, como tradutores que permitem a comunicação entre o homem e a máquina. A ideia era desenvolver um interpretador que pudesse ser distribuído pela MITS (Micro Instrumentation and Telemetry Systems), uma empresa de Albuquerque que desenvolveu o Altair 8800 e trabalhava com calculadoras eletrônicas e microcomputadores .

Após uma bela apresentação, que demonstrou que o interpretador funcionava, a MITS aceitou participar da distribuição e, de certa forma, serviu como pilar para a fundação da Micro-Soft, que ocorreu no mesmo ano. Segundo um artigo de 1995 da revista Fortune, o nome foi escolhido por Paul Allen e é formado pela aglutinação das palavras microcomputer e software (you don't say?).

A expansão da Microsoft

Com a popularidade do Altair BASIC, interpretador desenvolvido por Gates, a Micro-Soft iniciou um processo de expansão. O primeiro passo foi o registro da marca, que ocorreu em 1976 sob o nome de Microsoft. No ano seguinte, a dupla firmou um acordo com a Apple, licenciando o, agora, Microsoft BASIC para o microcomputador Apple II. Um acordo parecido foi firmado entre a Microsoft e a Commodore International para o computador Commodore 64.

Equipe da Microsoft em 7 de dezembro de 1978.

No entanto, nada disso se compara ao grande acordo firmado entre a pequena Microsoft e a grande IBM em 1980. Nessa época, a IBM era a maior empresa do setor e, graças ao avanço da Apple, se via ameaçada com a expansão da computação pessoal. Para entrar nessa área, eles resolveram desenvolver seu próprio computador pessoal. A IBM precisava da Microsoft para desenvolver o sistema operacional da nova máquina. No entanto, a escolha da empresa não se deu por acaso. A Microsoft já havia desenvolvido um sistema operacional anteriormente, o Xenix (uma versão do Unix), e a IBM já havia tentado um acordo com a Digital Research, a maior empresa do setor, mas os termos do contrato não agradaram ambas as partes e o acordo não foi firmado.

O DOS e a grande controvérsia

A verdadeira ascensão da Microsoft começou com o DOS (Disk Operating System). A história do sistema operacional, que pode ser considerado um passo importante na popularização da computação pessoal, é cercada de controvérsias.

Indo direto ao ponto, a Microsoft nunca desenvolveu o DOS. O sistema operacional licenciado para a IBM foi, na verdade, desenvolvido por Tim Paterson e é uma variação do CP/M-80 da Digital Research que se chamava Q-DOS (Quick and Dirty Operating System).

Um passo arriscado, mas genial, foi a firmação do contrato com a IBM sem que a Microsoft ao menos possuísse o sistema operacional. Com o acordo já firmado, eles compraram os direitos do Q-DOS (que agora se chamava 86-DOS) por menos de 100.000 dólares. Com a compra, o nome foi mudado para MS-DOS e algumas mudanças no código foram feitas para que ele se adequasse aos projetos da IBM.

E a história não ficou só nisso. Em um golpe de mestre, a Microsoft, que já havia saído como espertinha nessa história toda, ainda garantiu os direitos de comercialização do MS-DOS. Na época, a IBM ainda não percebia o poder do software e, pela falta de visão, acabou prejudicada.

No início, tudo funcionou para ambas as partes. O IBM-PC vendia bastante, principalmente graças ao preço, e a Microsoft lucrava muito com isso. Os problemas começaram quando a Microsoft decidiu se beneficiar da situação licenciando o sistema para outras empresas. Como o IBM-PC era constituído de peças comumente encontradas no mercado, várias empresas passaram a clonar o sistema da IBM enquanto firmavam acordos para distribuí-los com o sistema operacional da Microsoft, o que fez com que a empresa de Bill Gates se tornasse a líder do mercado.

 A Apple contra-ataca

Paralelo a isso tudo estava a Apple, empresa de Steve Jobs que lucrava bastante com o seguimento de computadores pessoais. Diferente das demais concorrentes, a Apple produzia o hardware e o software de seus computadores e estava um passo à frente. Enquanto todas as fabricantes de hardware e a própria Microsoft tentavam demonstrar aos consumidores os computadores pessoais, que funcionavam em modo texto no MS-DOS, a Apple apresentou ao mundo o Apple Lisa, o primeiro computador com interface gráfica. O Apple Lisa não apenas foi um grande feito para a computação pessoal, como foi um duro golpe para a liderança da Microsoft no setor de softwares. O velho MS-DOS não podia competir com um sistema como aquele e o momento exigia que a empresa abrisse suas janelas para o mundo.
A primeira parte do nosso Xbox Chronicle chegou ao fim. Por hoje vimos como a Microsoft surgiu e como ela ganhou notoriedade. Certamente as boas ideias e táticas agressivas das mentes por trás da empresa foram importantes para o crescimento da mesma, mas isso não é o suficiente em um ambiente competitivo como o da computação pessoal. No próximo Chronicle veremos como surgiu o Microsoft Windows, os primeiros jogos desenvolvidos pela Microsoft e conheceremos o MSX, a primeira investida da Microsoft no setor de videogames. Até a próxima!


Não deixe de conferir as demais partes desta história:

Xbox Chronicle #2: A Microsoft investe no setor de videogames
Xbox Chronicle #3: Construindo o console dos sonhos
Xbox Chronicle #4: Os jogos demonstram o verdadeiro poder do Xbox
Xbox Chronicle #5: Conectando os jogadores com o Xbox Live
Xbox Chronicle #6: O Xbox chega à nova geração

Revisão:  Mateus Pampolha
Jardeson Barbosa escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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