Hands-on

Alien: Isolation (XBO) promete reviver a franquia e o survival horror

O que seria um pedido de desculpas da SEGA por Alien: Colonial Marines virou um forte candidato a jogo do ano.

Como fã da franquia eu estava muito ansioso pelo lançamento de Aliens: Colonial Marines (X360). A SEGA já tinha demonstrado a importância da franquia no excelente Alien: Infestation (DS), então uma versão para os consoles deveria seguir o nível e ser um jogo de ponta. Deveria. Como todos sabem, o jogo foi um fiasco tão grande que nem saiu pra todas as plataformas planejadas. Mas parece que a SEGA, tendo em vista que pisou na bola, resolveu se redimir pelo erro e preparou outro jogo para os consoles. O que acredito é que eles não esperavam que o jogo ficasse tão bom (e olha que estamos falando de algo em desenvolvimento) a ponto de ganhar vários prêmios na E3 e ser um forte candidato a jogo do ano.


No jogo controlamos Amanda, filha de Ellen Riplay, que 15 anos após o desaparecimento de sua mãe vai até a estação espacial Sevastapol em busca dos registros de voo da Nostromo, com esperanças de saber o que houve com sua mãe. Infelizmente, ao chegar lá, descobre que um Alien (isso mesmo, apenas um) dominou o lugar. Agora Amanda, sem preparo algum pra isso, deve lutar por sua sobrevivência.

Uma demo (quase) impossível de ser completada

Na E3 pudemos testar uma demo do jogo, que ainda está em desenvolvimento, o que indica que o jogo deve receber melhorias significantes, mesmo já estando visual e tecnicamente incrível. Começamos em uma sala, apenas com uma lanterna e um detector de movimentos, e nossa missão é ir até uma determinada sala para iniciar o processo de evacuação da estação, a fim de sair daquele lugar. Isso, claro, se ficarmos vivos. Já nessa sala escura encontramos alguns itens que podem ser recolhidos e usados para cura ou ainda para montarmos equipamentos, armas e munições. Achamos ainda um lança-chamas, pra dar aquele gosto mais de nostalgia aos fãs da série. Mas nada disso vai nos ajudar, já que o Alien presente na estação não pode ser morto. No máximo, podemos afugentá-lo por um tempo. Ao sairmos da zona segura, encontramos uma nave quase morta, com luzes apagadas, coisas fora do lugar, material danificado…
O mapa não é nada linear, já que temos várias entradas e saídas pro mesmo ambiente, o que é bom e ruim ao mesmo tempo, já que favorece tanto a caça quanto o caçador. Muita coisa do cenário serve como esconderijo. Ao perceber a aproximação do Alien, seja pelo detector de movimentos ou pelos ruídos, podemos nos esconder debaixo ou atrás de móveis, aparelhos e outras coisas e ainda dentre de armários. Se fugirmos ao alcance da visão, audição e olfato do alienígena, ele vai embora e podemos prosseguir. Se ele nos achar, é morte quase certa. Até nos acostumarmos com a agilidade requerida pelo jogo morreremos inúmeras vezes. Mas, após esse período de penação, saímo-nos bem com o lança-chamas e conseguimos espantá-lo. Pena que sua munição seja tão escassa.
Será que vai dar pra escapar?
Assim, depois de se acostumar com o jogo, conseguimos, seguindo as indicações na própria estação, chegar ao nosso destino. Claro, foram muitos sustos no caminho, como as várias mortes, sendo as mais assustadoras aquelas em que o Alien nos encontra dentro dos armários ao escutar nossa respiração. E conversando com os responsáveis pelo estande descobrimos que poucos conseguiram completar o desafio.

Outros perigos nos aguardam

Como se um Alien não fosse o suficiente, ainda temos que nos preocupar com outras “coisas”. Alguns humanos e até androides estão na nave, mas como Amanda saberá se pode confiar neles? Por via das dúvidas, é melhor não ser vista por eles também, mesmo que em alguns momentos isso seja impossível (novamente temos um androide malvado). O interessante nisso tudo é que podemos ficar nas sombras ouvindo esses personagens e descobrindo mais sobre a história do jogo, assim como ao analizarmos documentos, relatórios e computadores. Outro perigo presente é o vício. Mesmo morrendo inúmeras vezes, não perdi por um momento sequer a vontade de continuar. Imagina quando estiver com o jogo completo em mãos...
Ao hackear o sistema da estação, um andróide aparece para nos punir

O primor dos anos 1970

O jogo é muito bem ambientado. Toda a estação espacial, os computadores, incluindo seu sistema operacional, é condizente com o que vimos no primeiro filme. Claro que está tudo em um lindo visual HD, mas nos sentimos realmente no ano 2137 do universo criado por Ridley Scott. Cada canto do cenário, sejam as salas, bancadas, móveis e aparelhos ou até mesmo os armários (onde passamos boa parte do tempo) são exatamente como deveriam ser. Até mesmo o sistema operacional dos computadores que temos que hackear se parecem muito com os vistos na série, monocromáticos e com linhas de comando. Uma mistura de nostalgia com modernidade na medida certa.
Exatamente como 2137 seria no universo de Ridley Scott
Mas tudo isso não é à toa. A Fox cedeu todo tipo de material que tinha do primeiro filme para a Creative Assembly, para que o jogo fosse extremamente fidedigno. A trilha sonora não foi diretamente aproveitada, mas a regravaram com alguns dos membros da orquestra que gravou a versão original. Todo o visual do jogo, personagens e ambiente, foram baseados nas artes concentuais e no resultado do primeiro filme, tudo sem grandes alterações. Até os DLCs que terão a equipe da Nostromo terão os atores originais na dublagem. Os esforços pra apagar o fiasco de Colonial Marines são muitos.

A ansiedade para morrer novamente

O jogo surpreendeu tanto, mesmo incompleto, que ganhou diversos prêmios nessa E3. Eu também não vejo a hora de por minha mãos na versão final. Além de recuperar a reputação de bons jogos da franquia, com possibilidades reais de emplacar um jogo do ano, Alien: Isolation vai ressuscitar o gênero survival horror, hoje abandonado até mesmo por Resident Evil. Poder andar por um cenário tão bem trabalhado, numa história tão envolvente e contextualizada e com uma jogabilidade tão fluida fará qualquer jogador mais feliz. Aguardemos com ansiedade o dia 7 de outubro, quando o jogo estará disponível para Xbox One e Xbox 360.
Vai encarar?

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Diego Migueis
José Carlos Alves escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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