Crônica

Meus primeiros dias com o Xbox One

Depois da difícil tarefa de escolher entre os dois concorrentes, cheguei às minhas primeiras impressões sobre o atual console da Microsoft. Será que valeu mesmo a pena?


Sempre que surge uma nova geração de consoles, a dúvida de qual videogame escolher, entre as opções que se apresentam, atormentam qualquer jogador, mesmo aqueles mais fanáticos por determinada empresa. Comigo não foi diferente. PlayStation 4 ou Xbox One? Embora a escolha de entrar na nova geração — se considerarmos o Wii U como pertencente a esta categoria — tenha sido, inicialmente, através da Nintendo, em seguida optei pelo Xbox One. Demorou um pouco, mas finalmente tive o prazer de jogar os grandes títulos da atual geração que não fossem as obras-primas da Nintendo. Quer saber se me arrependi ou estou completamente satisfeito com a escolha? É só acompanhar as linhas seguintes.

Novo passo necessário

Como já comentei no parágrafo anterior, optei pelo Wii U logo no lançamento. É um console inigualável, disto não resta dúvida. Mas, quando se está no meio do “jornalismo gamer”, não se pode fechar as portas para o que circula ao seu redor. Portanto, chegava a hora de dar um passo adiante e conhecer o que as outras empresas — pelo menos uma delas, já que o salário de professor não ajuda muito aqui — estão produzindo neste momento tão peculiar da história dos videogames.

Após me desfazer de umas coisas antigas que não me serviam muito mais — Wii Remotes, amiibo e jogos que já zerei —, arrecadei o dinheiro necessário para comprar um dos consoles. Em seguida, apelei para os amigos que já tinham os consoles e recolhi muita informação sobre cada um. Foram dias de análises e estudos até chegar a decisão de comprar o Xbox One — várias vezes pensei ter escolhido o PS4, mas na reta final da decisão mudei.

Muita coisa pesou na decisão, mas posso destacar os exclusivos e a retrocompatibilidade como os dois grandes diferenciais. Títulos como Killer Instinct, Halo 5, Halo: The Master Chief Collection, Rare Replay, Forza 6, Recore, Scalebound, Sea of Thieves, Gears of Wars 4 e Ultimate Edition, e tantos outros pesaram bastante na escolha, Assim como poder jogar vários títulos que acabei deixando passar no Xbox 360 em detrimento de ter escolhido apenas o Wii na geração passada. Seriam praticamente dois consoles novos.

Decidido, fui às compras. E para minha sorte, encontrei, por acaso, um velho amigo do tempo que eu viajava para comprar jogos de Nintendo 64, vendendo um Xbox One. Depois de colocar o papo em dia, como não poderia ser diferente, comprei por um preço camarada. Mas agora chega de histórias e vamos às impressões. Pois assim como vocês, mal conseguia esperar para saber do que o Xbox One era capaz.

Não tão rápido assim, garoto 

Com o Xbox One, diferente de quase todos os meus consoles anteriores, não precisei esperar quase 20 dias de transporte para jogar. Em poucas horas já estava instalando tudo — e já tinha assistido a uma dezena de vídeos sobre o console enquanto esperava — para poder jogar. Contudo, para minha infeliz surpresa, uma atualização de quase 5GB esperava para ser baixada. Resultado: uma noite inteira de download, só me restando ler o manuais.

Dia seguinte e aquela vontade enorme de sentir pelo menos alguns sintomas da gripe para ficar em casa. Mas, praticamente forçado pela esposa, tive que sair para trabalhar com toda má vontade do mundo. Pouco me concentrava. Porém, depois de um dia arrastado, chegava em casa para, enfim, testar a belezura.

Contudo, mais uma vez fui “impedido” de jogar. Infelizmente, no Xbox One, é preciso instalar o jogo no console para conseguir jogar. Só para você ter noção, entre instalação e inúmeras atualizações, demorei quase um dia inteiro para conseguir jogar Dead Rising 3. E como estava acostumado a simplesmente colocar o disco e jogar no Wii U, posso garantir que esse ponto em nada me agradou. Mas, por sorte, a espera vale a pena. Porém, enquanto não dava para jogar, o jeito foi curtir a beleza e as características externas do console.

Beleza robusta

Logo de cara, fiquei encantado com a beleza do console. Um black piano belíssimo, ofuscado apenas pelo modelo quadrado com linhas retas um pouco sem graça. O aparelho é bem robusto, ocupando bastante espaço na estante, principalmente pelo fato de não poder ser utilizado em pé, como seu antecessor.

Na verdade, minha impressão é que tinha em casa apenas um modelo levemente melhorado. Menus, modelo, títulos. Mas, aos poucos, isso foi dando vez a um enorme encanto, começando quando liguei o console e os símbolos do Xbox acenderam no console e no controle. É realmente bastante bonito — inclusive, a intensidade dessas luzes adapta-se à luminosidade do ambiente — e traz um aspecto de modernidade interessante.

Outro ponto bacana é que o console possui vários tipos de conexão, indo de entradas e saídas HDMI — você pode conectar até sua TV a cabo no Xbox — a portas USB, saída infravermelho, LAN e áudio óptico, além da conexão do cabo de força e do Kinect. Na lateral, inclusive, existe uma porta USB, bastante útil para conectar um HD externo, por exemplo.

Outa característica elegante e funcional do console é a substituição do drive óptico em forma de bandeja pelo modo que “suga” o disco, como no Wii U. Isso contribui para o fim dos inúmeros problemas de drive do seu antecessor e ainda traz charme para o aparelho.

A beleza funcional do console se completa com seu joystick. O controle, mantendo a tradição de primor do seu antecessor, é um dos mais elegantes e confortáveis que já vi. Segurá-lo é extremamente prazeroso e utilizá-lo é praticamente natural. Para completar, além de outras melhorias de conexão, o controle possui um sistema de vibração independente, fazendo tremer locais específicos do controle de acordo com o que acontece no jogo — é genial.

Como um velho amigo

Após o primeiro contato visual com o aparelho, chegava a hora de conhecê-lo “por dentro”. E para minha surpresa, a interface do Xbox One me pareceu bastante familiar. E como um bom amigo, o próprio console me levou a conhecer suas funções através de vídeos, tutoriais e explicações bem objetivas — tudo em português, claro. Esse cuidado inicial vem bem a calhar e serve de guia para as várias novas funções do aparelho.

Quem convive com o Windows 8 se sentirá em casa com o Xbox One. A interface é praticamente a mesma. Por isso, não tive maiores dificuldades em navegar pelos vários menus do aparelho. Claro que vez ou outra me perdia entre tantas funcionalidades. Mas a prática cuidou em resolver isso. Na verdade, pouca coisa mudou em relação ao Xbox 360. O que vi foi uma leve melhoria e atualização do sistema.

Com o tempo, navegar por aplicativos, alternar entre funções e até executar duas tarefas simultaneamente torna-se bastante convidativo e simples. Ah, não podia esquecer, o Xbox One faz jus a sua tentativa de ser multitarefa. É possível jogar e assistir TV ao mesmo tempo sem que uma função atrapalhe a outra e faça o console travar. Para isso a Microsoft caprichou na função “Fixar”. É possível jogar e assistir Netflix na janela lateral. Bacana, não é? Melhor ainda é fazer isso por comando de voz.

Seria o futuro?

Impressionante! Foi exatamente isso que disse quando comecei a navegar pelas opções do Kinect. Se o seu antecessor já era de cair o queixo, o Kinect 2.0 do Xbox One eleva o uso da tecnologia a novos patamares. O dispositivo possui uma resolução incrível, sensor infravermelho, conectividade com o controle, capacidade de escanear até seis pessoas em ambiente estreito e reconhecer rostos e vozes.

Fiquei realmente maravilhado quando o console me reconheceu e entrou no meu perfil automaticamente. Pode até parecer exagero, mas mostre essa função a um amigo e ele ficará sem acreditar. O mesmo pode ser dito do reconhecimento de voz. É muito eficiente e intuitivo. E não pense que é apenas luxo. Muitas vezes, navegar pelo sistema de voz é mais rápido e objetivo do que utilizar o próprio controle. Aqui a Microsoft acertou a mão.

Basta dizer “Xbox” que o console automaticamente assume o modo de reconhecimento de voz. Depois disso, basta dizer o comando para ele executar. Por exemplo: “Xbox, vá para meus jogos”. Ou, “Xbox, desligar”. Caso prefira, também é possível interagir com o aparelho utilizando reconhecimento corporal. Contudo, pelo menos comigo o sistema não foi tão preciso quanto com a voz. Mas vale tirar onda com os amigos — mas fique atento, eles podem bagunçar sua jogatina utilizando o reconhecimento de voz, já que qualquer voz é detectada pelo console.

Uma pena é saber que a empresa, assim como da outra vez, não parece ter planos futuros para o dispositivo. Provavelmente teremos apenas novos Kinects Adventures e jogos casuais. Mas não custa nada torcer por prováveis novos jogos que façam melhor uso do aparelho, não é? E por falar em jogos…

Bem-vindos à nova geração

Central multimídia, multifuncionalidades, interação online, maior desempenho e acessórios originais. Tudo isso é muito importante em um novo console e com certeza pesa na decisão de escolha em uma nova geração. Mas, quando compramos um novo videogame pensamos primordialmente nos novos jogos, nas novas formas de jogar e até no avanço técnico em relação à geração anterior. E é aí que o Xbox One se destaca.

A qualidade dos títulos é surpreendente. Ainda jogo e me espanto com os jogos do Xbox 360 e do Wii U, contudo, o Xbox One faz valer o título de nova geração. Os visuais dos jogos vão além de tudo que já vimos em um jogo até então e conseguem ser muito mais detalhados e caprichados do que nas gerações passadas.

Texturas, sombras, iluminação. Tudo isso já parecia ter alcançado o limite anteriormente, mas aqui vemos um salto de primor técnico sem igual. Embora o que mais me chamou atenção foi a melhora na modelagem, textura e movimentação dos personagens. Aqui, pele, cabelos, tecido e fluidez transformam nossos heróis em seres quase reais. Mesmo com muito a ser melhorado ainda, consegui confundir minha esposa várias vezes enquanto jogava UFC, por exemplo. Ela, em vários momentos, confundiu o jogo com a transmissão. O mesmo vale para Forza Motorsport 5 e Metal Gear Solid V: Ground Zeroes, que recebi depois de virar assinante da Live.

Antes de seguir com as impressões dos outros jogos, gostaria da abrir um parêntese para a Live. Como estava acostumado ao simples sistema online do Wii U, achei bastante completa e recompensadora o da Microsoft. O preço é acessível (R$ 119,00 por ano) e as recompensas são excelentes. Além de descontos caprichados (chegando até a 80%, por exemplo), os títulos que recebemos todos os meses são ótimos — logo na primeira semana com o console recebi o Metal Gear.

Voltando aos games, tive minha primeira grande impressão com Metal Gear V. Visuais, trilha sonora, interação, inteligência artificial, movimentação, texturas… É um show digno de um título de nova geração. Depois joguei EA UFC e fiquei encantado com a qualidade dos lutadores (poucas vezes vi um ser humano representado tão bem em um videogame). Mas foram os exclusivos da Microsoft que descolaram meu queixo.

Forza 5 e os carros mais bonitos que já vi em um videogame. Ryse: Son of Rome e uma roma antiga que emocionou meu coração de historiador. Dead Rising 3 e o maior apocalipse zumbi de todos os tempos em um console de mesa. Sunset Overdrive é pura originalidade e diversão. Halo: The Master Chief Collection e a oportunidade de jogar a história de uma das melhores séries de videogame de todos os tempos refeita de forma brilhante. E, por fim, Killer Instinct e Rare Replay trazendo nostalgia na medida certa.

Não posso falar do PlayStation 4, pois ainda não será dessa vez que jogarei seus clássicos, como Uncharted e The Last os Us, mas o Xbox One é um videogame maravilhoso. Digo mais: se você pensa em comprar um novo console, um One faz valer cada real investido, trazendo uma central de diversão sem igual, com jogos excelentes, principalmente os exclusivos.

Se já não bastassem tantos jogos de extrema qualidade já disponíveis, a linha de frente da empresa para os próximos meses é bastante promissora, como Gears of War: Ultimate Edition, Halo 5: Guardians, Rise of the Tomb Raider, Scalebound, Quantum Break, ReCore, Sea of Thieves e muitos outros.

Unindo muita tecnologia, funcionalidades essenciais e jogos incríveis, o Xbox One é, sem dúvidas, uma excelente escolha. Tudo isso ainda é reforçado pelos anúncios cada vez mais constantes de novas interações e títulos. A hora de fazer parte da nova geração chegou, e o Xbox One, assim como o PlayStation 4, é uma ótima opção para isso.
Com certeza ainda terei muita diversão com o Xbox One. E você? Quais suas impressões do console? Ou ainda está dividido entre as opções. Aproveite e espaço e deixe seu comentário.
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Peterson Barros 

Ítalo Chianca escreve para o Xbox Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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