Blast Files

Caso #16: Max Payne, Alan Wake e Jack Joyce coexistem no mesmo universo?

Teoria sugere ligação entre trio de jogos da Remedy.

"Mistérios misteriosos de estranhos mistérios da indústria dos videogames... enigmas aparentemente insolúveis... teias de conspiração... mitos e lendas urbanas... os arquivos secretos do entretenimento eletrônico... casos que o governo e as revistas de videogame negam ter conhecimento... esses são Blast Files!"

A desenvolvedora finlandesa Remedy é conhecida por seus jogos com tramas intrincadas, personagens marcantes, reviravoltas surpreendentes e enredos que fazem o jogador raciocinar para compreender a história. Contudo, será que o maior mistério não é um grande elo de ligação entre os jogos Max Payne (Multi), Alan Wake (X360/PC) e Quantum Break (XBO/PC)? A unidade especial do XboxBlast dedicada a resolver mistérios do mundo dos games está no caso. Pegamos nossa lupa, vestimos a capa e colocamos o chapéu para investigar o que intitulamos de Teoria do Universo Remedy.
ALERTA DE SPOILER!
O texto a seguir possui spoilers das histórias de Max Payne, Alan Wake e Quantum Break.

Evidência A: James McCaffrey como Max Payne e Alex Casey

No mundo do thriller psicológico Alan Wake, o escritor que dá nome ao título do jogo é famoso por uma série de livros do gênero policial cujo protagonista se chama Alex Casey. Nada demais, senão fosse pelo fato do ex-policial do Departamento de Polícia de Nova York, Max Payne, compartilhar o mesmo dublador do jogo de Alan Wake.

O ator irlandês James McCaffrey dubla Max Payne e Alex Casey. A voz de McCaffrey em ambos personagens sugere que os games de Max Payne são as histórias contadas nos romances policiais de Alex Casey ou de que o ex-policial é uma criação oriunda da habilidade de dar vida aos personagens de seus livros de Alan Wake. O que pode fazer com que as tramas de Max Payne se passem em uma realidade paralela.

Evidência B: Livros de Alan Wake em Quantum Break

Na ficção científica Quantum Break há a presença dos livros de Alan Wake, em especial The Sudden Stop, último livro que Wake escreveu antes de ter seu bloqueio criativo. Em uma das salas de aula da Universidade de Riverport há um quadro negro rabiscado com inúmeras teorias sobre o jogo Alan Wake. O quadro exibe as anotações de Wake sobre sua trilogia de livros Departure, Initiation e Return. Se Jack Joyce interagir com o objeto, ele dirá que ama os trabalhos do escritor.

No primeiro episódio da série em live action de Quantum Break, intitulado Monarch Solutions, aparece o livro The Sudden Stop sobre o armário da televisão da casa de Liam Burke. A obra literária também reaparece no laboratório da Dra. Sofia Amaral no Marco Zero, autografado e dedicado a Emily Burke, esposa de Liam.


O aparecimento dos livros de Alan Wake poderia ser um simples easter egg, contudo o fato dos livros reaparecerem em mais de uma ocasião e em situações cujos os personagens de Quantum Break afirmam ou revelam ler os trabalhos do escritor implica na suposição de que, no mundo de Quantum Break, Alan Wake é um famoso escritor de ficção e sua série de romances policiais protagonizadas por Alex Casey é conhecida por todos.

Evidência C: Old Gods of Asgard e Night Springs

Assim como Alan Wake é um escritor real no mundo de Quantum Break, a banda de heavy metal dos irmãos Odin e Tor Anderson, chamada Old Gods of Asgard, se mostra igualmente concreta. Presente na camiseta de Paul Serene quando Jack Joyce o encontra na Universidade de Riverport, bem como espalhada por pôsteres ao longo do campus, há a banda de heavy metal Stonecrow. O grupo musical anuncia uma turnê em tributo a Old Gods of Asgard.


Seguindo o mesmo raciocínio, o físico William Joyce é mostrado várias vezes em flashbacks do irmão mais velho, bem como nos diários pessoais em live action vestindo uma camiseta da série sobrenatural Night Springs, implicando que a série em que Alan Wake já foi um dos roteiristas também exista no mundo de Quantum Break.

Evidência D: 2010, ano de Alan Wake e do Marco Zero

O jogo Alan Wake foi lançado em 2010, portanto concluímos que os eventos em Bright Falls se dão neste mesmo período de tempo. Tal qual Quantum Break foi lançado em 2016 e a história se passa no mesmo ano de lançamento do jogo. 2010 também foi o ano em que surgiu a área do Marco Zero na cidade de Riverport em Quantum Break, quando a medida de resposta — única forma de consertar a ruptura no tempo — foi roubada por Paul Serene do futuro. Porém numa disputa com Beth Wilder, ambos deixaram o mecanismo cair e liberar uma quantidade excessiva de partículas cronum no local. Fato que acarretou a aceleração do processo de Fim do Tempo e fez com que Paul adquirisse a doença temporal da Síndrome de Cronum.


Com o Fim do Tempo conhecido desde a ativação da primeira máquina do tempo, construída por William Joyce em 1999, e a instabilidade na linha do tempo causada pela abertura da medida de resposta em 2010, seria possível imaginar que os eventos sobrenaturais que trazem à vida os personagens de Alan Wake em uma realidade paralela são frutos dos eventos ocorridos no Marco Zero de Riverport.

Evidência E: Paul Serene e Beth Wilder são citados por Thomas Zane

Os sobrenomes dos personagens Beth Wilder e Paul Serene, de Quantum Break, aparecem no primeiro episódio de Alan Wake, intitulado Nightmare. As palavras wilder e serene estão presentes no poema recitado por Thomas Zane, poeta preso em um mundo paralelo que guia Alan Wake em sua jornada para reencontrar a esposa Alice.

For he did not know, that beyond the lake he called home,
There lied a deeper, and darker ocean green.
Where waves are both wilder and more serene.
To its ports I've been,
To its ports I've been.


A menção aos nomes dos personagens de Quantum Break pode ser interpretada como uma referência ao acidente no Marco Zero e a palavra ports como alusão a Riverport, a cidade onde acontecem os eventos de Quantum Break.


Evidência F: Viagem a Utah e investigação de Alex Casey

Uma das lembranças mais relembradas pelos amigos de infância Jack Joyce e Paul Serene é uma viagem de van ao Estado de Utah, no EUA, quando eram adolescentes. Na ocasião, Jack roubou uma estatueta de cervo da Delegacia de Polícia de Park City, objeto guardado por Paul como um lembrete de sua amizade com Joyce.

Uma estatueta de cervo muito próxima com a descrição da dupla de melhores amigos aparece no trailer em live action de Alan Wake no Ato 1 de Quantum Break. O cervo de enfeite está sobre uma das mesas do escritório de Alex Casey e sua parceira detetive do FBI. Se Alex Casey for real como em Max Payne e estiver em busca do escritor desaparecido — enredo do trailer —, seria provável que as investigações do FBI em algum momento se estenderam até a cidade de Park City em Utah.


Após o acidente no Marco Zero a ruptura no tempo ficou mais instável e, anos depois, podem ter surgido instabilidades temporais e dimensionais no Estado de Utah, área que faz divisa com o Estado do Arizona, no EUA, local dos eventos de Alan Wake's American Nightmare (X360/PC).

No spin-off, o vilão e lado maligno de Alan Wake, Mr. Scratch, se aproveita de um fenômeno astronômico que fortalece uma brecha temporária entre a realidade e os mundos paralelos para tentar ganhar forma física no mundo real. Preso em uma dimensão paralela, Alan Wake pode ter trazido Alex Casey à história que se iniciou Bright Falls para auxiliá-lo a escapar do Dark Place e desmascarar Mr. Scratch.


Evidência G: Martin Hatch, Thomas Zane e o misterioso viajante do tempo

Anos antes do acidente no Marco Zero e os eventos de Alan Wake, o poeta Thomas Zane já havia passado por experiências sobrenaturais em um mundo alternativo. Se contarmos o tempo partindo da data de morte do grande amor de Zane, Barbara Jagger, falecida em 10 de julho de 1970, aos 25 anos de idade. O fato que desencadeou a prisão de Thomas Zane no mundo paralelo de Cauldron Lake terá ocorrido 40 anos antes dos eventos de Quantum Break e Alan Wake.

Durante a primeira parte do Ato 5 de Quantum Break, Jack Joyce encontra uma mensagem deixada por um viajante do tempo misterioso. Na carta, o personagem apenas se identifica como um cronum ativo como Jack e Paul, porém revela que ele obteve seus poderes temporais ao entrar em contato com as partículas cronum de um local natural, sem interferência da tecnologia. Uma obra da natureza que exibiu a linha tênue entre o mundo real e o mundo paralelo.


Se conjecturarmos que o misterioso viajante do tempo possa ser Thomas Zane, faria sentido a informação de que ele obteve seus poderes de forma natural. Afinal, Zane passou a deter poderes sobrenaturais depois de entrar em contato com as profundezas do lado de Cauldron Lake em Bright Falls. E como o poeta pode viajar por mundos paralelos, ele seria capaz de conhecer Jack Joyce e Paul Serene.

Se Thomas Zane pode ser o misterioso viajante do tempo de Quantum Break, ele também pode ser a verdadeira identidade de Martin Hatch, o CEO da Monarch Solutions e braço direito de Paul Serene. Durante jogo não há qualquer informação sobre o passado de Hatch, apenas descobre-se que ele é um deslocador — os seres atemporais do Fim do Tempo. Como o rosto de Zane nunca foi revelado em Alan Wake e os anos de vida ficam estagnados na forma de deslocador, Martin Hatch é um forte candidato a ser o verdadeiro Thomas Zane.

Conclusão

Quantum Break mistura diversas pistas do universo da Remedy com easter eggs, como a funcionária da Monarch Solutions jogando Alan Wake ou os livros de física escritos pelo diretor criativo Sam Lake. Porém até onde vai o fanservice e onde começa os elos de ligação com os outros títulos da produtora finlandesa? O que você pensa sobre a Teoria do Universo Remedy? Concorda com os dados da investigação? Tem uma nova pista? Formulou uma nova teoria? Não deixe de comentar.
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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